Preços do petróleo bruto sobem mais de 6% para máximo de duas semanas depois de Donald Trump declarar terminado o acordo provisório com o Irão, enquanto novos ataques dos EUA reacendem receios sobre o fornecimento via estreito de Ormuz
As ações recuaram na quarta-feira na Europa e na Ásia e os preços do petróleo dispararam mais de 6% depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter declarado que o cessar-fogo provisório com o Irão terminou, alimentando o receio de um novo confronto militar entre os dois países.
Questionado sobre se o memorando de entendimento com o Irão tinha chegado ao fim, Trump disse aos jornalistas, na cimeira da NATO em Ancara: 'Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles', segundo a Reuters.
O Comando Central dos EUA informou que as suas forças atingiram durante a noite mais de 80 alvos no Irão, incluindo redes de comando e controlo, instalações de radar costeiro, capacidades de mísseis antinavio e navios operados pelos Guardas da Revolução Islâmica (IRGC). Washington revogou ainda uma derrogação que permitia ao Irão retomar as exportações de petróleo.
O contrato de primeira maturidade do Brent, referência internacional, subiu mais de 6% às 11:45 CEST, para 78,79 dólares por barril, enquanto o petróleo de referência nos EUA avançou 6,3% para 74,88 dólares por barril. Ambos tinham recuado recentemente para níveis próximos dos registados antes do início da guerra com o Irão, no final de fevereiro.
As ações das grandes petrolíferas também subiram, com a Shell a liderar e a ganhar 5%, enquanto BP, Chevron e ExxonMobil avançavam mais de 3% nas primeiras horas de quarta-feira.
A mais recente escalada, apesar dos compromissos de procurar uma solução pacífica para o conflito, veio aumentar a incerteza em torno dos preços do petróleo, depois de terem caído de máximos bem acima dos 100 dólares durante a guerra. O episódio surge também numa altura em que cresce a preocupação de que a euforia em torno das ações ligadas à inteligência artificial tenha levado as cotações para níveis superiores aos ganhos de produtividade e lucros esperados dos enormes investimentos em capacidade de produção de chips e centros de dados.
“Assim, as notícias de cariz geopolítico deverão determinar o sentimento dos mercados nas próximas horas. Um agravamento da situação poderá pressionar ainda mais as avaliações bolsistas, a par de um aumento das tensões no setor tecnológico”, escreveu Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote, numa nota.
Bolsas recuam
Na Europa, o índice DAX, da Alemanha, perdia mais de 2,2% por volta das 11:00 CEST, enquanto o FTSE 100, em Londres, recuava 1,5% e o CAC 40 francês caía mais de 2%.
Os futuros das ações nos EUA recuavam mais de 1% à mesma hora.
Na Ásia, o Nikkei 225, de Tóquio, desceu 2,1%, para 66 819,05, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, cedia 5,4%, para 7 246,79.
O índice sul-coreano tinha disparado e depois corrigido, chegando a ultrapassar brevemente o nível dos 9 000 no mês passado, antes de ceder a fortes vendas em ações tecnológicas ligadas à IA, como a Samsung Electronics e a SK Hynix. A Samsung caiu 6,3% na manhã de quarta-feira, depois de ter perdido cerca de 7% no dia anterior. A SK Hynix anulou ganhos iniciais para recuar 5,7%.
O Taiex, de Taiwan, subiu 0,6%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 3%, para 24 193,56.
As ações da start-up chinesa de modelos de IA Zhipu, também conhecida como Z.ai e cotada como Knowledge Atlas Technology, avançaram quase 14% esta quarta-feira.
O índice composto de Xangai recuou 0,5%, para 3 970,88.
Na terça-feira, a montanha-russa das ações ligadas à IA voltou a inclinar-se em baixa, arrastando Wall Street. O S&P 500 caiu 0,4%, apesar de a maioria dos títulos do índice ter subido.
As perdas nas ações associadas à IA empurraram o Nasdaq Composite para uma queda de 1,2%, enquanto o Dow Jones Industrial Average recuou 0,2%.
A Advanced Micro Devices afundou 6,5%, a Intel perdeu 9,7% e a Micron Technology recuou 4,7%.
A SpaceX, que detém o negócio xAI, caiu 6,8%, apesar de ter sido o primeiro dia de negociação no índice Nasdaq-100. Alguns analistas consideram que está a ser feita uma operação de “rebalancing” de índices por fundos de cobertura e outros grandes investidores que entraram cedo na OPV e poderão tê-lo feito com o objetivo de venderem rapidamente, ou “girarem”, as suas ações para os fundos de índice.
A Rivian Automotive deslizou 18,1% depois de a fabricante de veículos elétricos anunciar que iria vender 75 milhões de ações, diluindo a participação dos atuais acionistas.
No mercado cambial, no início de quarta-feira, o dólar dos EUA subiu para 162,26 ienes japoneses, face a 162,11 ienes. O euro avançou para 1,1426 dólares, a partir de 1,1414.
O ouro desvalorizou cerca de 1,5%, para perto de 4 050 dólares, enquanto a prata caiu aproximadamente 2,5%, para 58 dólares.