Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Euro digital não vai substituir dinheiro vivo, garante Lagarde à Euronews

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, entrevistada pela responsável pelas notícias da UE na Euronews, Maria Tadeo
Entrevista à presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, por Maria Tadeo, chefe de notícias da UE na Euronews Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Eleonora Vasques
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou em entrevista exclusiva à Euronews que o euro digital não visa substituir o dinheiro vivo nem permitir ao banco central vigiar pagamentos, numa altura em que a legislação entra numa nova fase após meses de negociações no Parlamento Europeu

O euro digital vai complementar, e não substituir, o dinheiro vivo, e o objetivo não é rastrear pagamentos, afirmou a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, à Euronews, numa entrevista exclusiva, rejeitando as alegações de que o projeto foi concebido para vigiar os cidadãos.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Na quinta-feira, o Parlamento Europeu aprovou o seu mandato negocial, aproximando a legislação da adoção prevista para o final de 2026, após meses de negociações bloqueadas.

A proposta enfrentou inicialmente críticas de eurodeputados, que argumentaram que o euro digital poderia comprometer a privacidade e, a prazo, reduzir o papel das notas e moedas como meio de pagamento.

“Deixe-me saudar o facto de o Parlamento ter aprovado de forma massiva o mandato para estas negociações, que esperamos concluir até dezembro”, afirmou Lagarde à Euronews na entrevista para o programa_The Europe Conversation_, com a jornalista Maria Tadeo.

A presidente do BCE afirmou que o euro digital visa trazer o dinheiro público — atualmente disponível sobretudo em numerário — para a era digital, numa altura em que aumenta a concorrência entre jurisdições. Tal como as notas e moedas, terá curso legal.

“O numerário e o euro digital serão ambos de curso legal, o que significa que, em lado nenhum da Europa, alguém poderá dizer: ‘Desculpe, não aceito as suas notas’”, sublinhou Lagarde.

"Dinheiro vivo não vai desaparecer"

Adiantou também que o BCE apresentará uma nova estratégia para as notas até ao final do ano.

“Teremos um conjunto de propostas para o novo desenho e a nova imagem das nossas notas. O dinheiro vivo não vai desaparecer, vai ser rejuvenescido”, disse.

Essencialmente, acrescentou Lagarde, o euro digital também pretende reforçar a autonomia estratégica da Europa nos pagamentos e no processamento de transações.

A maioria dos pagamentos com cartão na Europa é processada através de redes de pagamento detidas por estrangeiros, levando os decisores políticos da UE a defender uma alternativa europeia, numa altura em que as tensões geopolíticas evidenciam a dependência do bloco de prestadores sediados sobretudo nos Estados Unidos.

“Aquilo em que mais confio é numa solução europeia. Neste momento, não a temos. Por isso, quando paga, na maioria das situações — em 60% dos casos — utiliza infraestruturas de pagamento que estão em mãos de capital estrangeiro”, afirma Lagarde, citando dados do BCE sobre pagamentos com cartão.

“Dependemos sobretudo de redes norte-americanas, mas, por vezes, também chinesas, para organizar os pagamentos. Precisamos de uma solução europeia porque queremos ser soberanos em casa”, conclui.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Espanha propõe dívida conjunta: presidente do BCE aplaude e apela ao debate

França: Lagarde diz à Euronews que não é candidata em plena especulação eleitoral

Lagarde pondera sair mais cedo do BCE para intervir nas eleições francesas