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Estados Unidos e Irão: grandes petrolíferas lucram com subida dos preços da energia

ARQUIVO – Ecrã indica 110,04 dólares de gasolina numa bomba de combustível num posto da Mobil, na quarta-feira, 29 de abril de 2026, em Portland
ARQUIVO - Um mostrador indica 110,04 dólares para gasolina numa bomba de combustível, num posto Mobil, quarta-feira, 29 abril 2026, em Portland Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Barnes
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As grandes petrolíferas e gasíferas registaram lucros muito elevados na primavera, enquanto os confrontos entre o Irão e os EUA impediram envios de petróleo e consumidores em todo o mundo pagaram mais pelo combustível e enfrentaram escassez.

O conflito, que já vai no sexto mês, paralisou grande parte do transporte marítimo através do estreito de Ormuz, um corredor marítimo estreito que antes servia de rota de escoamento para um quinto do petróleo e do gás natural mundiais. Com a oferta global limitada, os preços do Brent, a referência internacional, dispararam de cerca de 70 dólares (60,20 euros) para acima de 100 dólares (86,00 euros) por barril durante grande parte de março, abril e maio, tendo chegado, em determinado momento, a 126 dólares (108,36 euros).

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Os montantes que as petrolíferas acumularam entre o início de abril e o fim de junho poderão ser alvo de um escrutínio adicional este ano. Os preços da gasolina, do gasóleo e do combustível de aviação subiram acentuadamente nesse período, aumentando os custos para condutores e passageiros aéreos. Em alguns países, as reservas diminuíram, o que levou a episódios pontuais de racionamento de combustível na Austrália e ao encerramento de serviços públicos no Nepal e no Sri Lanka.

A Exxon Mobil informou na sexta‑feira que os lucros do segundo trimestre duplicaram para 14,53 mil milhões de dólares (12,50 mil milhões de euros), impulsionados por uma produção recorde de gasóleo. A petrolífera, sediada em Spring, no Texas, gerou receitas de 116,02 mil milhões de dólares (99,78 mil milhões de euros), mais 42%.

A Chevron, com sede em Houston, quase quadruplicou os lucros, para 12,07 mil milhões de dólares (10,38 mil milhões de euros), e as receitas dispararam 56%, para 70,06 mil milhões de dólares (60,25 mil milhões de euros).

Seis das maiores petrolíferas europeias registaram, em conjunto, lucros no primeiro trimestre de 22 mil milhões de dólares (18,92 mil milhões de euros), mais de 40% acima do valor de há um ano.

“Há grupos em todo o mundo que estão a tirar muito proveito desta crise, e os produtores de petróleo são um deles”, afirmou Patrick Galey, responsável pela área dos combustíveis fósseis na organização não governamental Global Witness, que investiga questões ambientais. “Quando se compara isso com os centenas de milhões de pessoas que lidam com cortes de eletricidade rotativos, limitações no fornecimento, racionamento, filas para receber alimentos ou perturbações no acesso a fertilizantes e o impacto potencial que isso tem nos preços dos alimentos, não consideramos que seja um preço justificável para o resto do mundo pagar.”

Estados Unidos: legisladores propõem taxar grandes produtores de petróleo pelos lucros de guerra

As empresas de energia como a Exxon e a Chevron não determinam o preço do petróleo norte‑americano, que oscilou entre 68 dólares (58,48 euros) e 115 dólares (98,90 euros) por barril durante o trimestre. Esse preço é definido pela oferta e pela procura e pelo que os operadores, as refinarias e outros compradores estão dispostos a pagar.

Ainda assim, os democratas no Congresso apresentaram, em março, propostas de lei para taxar os grandes produtores de petróleo pelos lucros que registem a partir de 2026 e redistribuir a receita desse imposto pelos consumidores.

“É justo aplicar um imposto sobre lucros inesperados a lucros extraordinários, em vez de cortar programas de alimentação infantil”, defendeu o senador democrata Sheldon Whitehouse, de Rhode Island, que apresentou a versão da proposta no Senado.

A proposta de Whitehouse e um projeto complementar apresentado pelo representante Ro Khanna, da Califórnia, alterariam o código fiscal dos Estados Unidos para impor um imposto por barril às empresas que, em 2025, produzam ou importem pelo menos 300 mil barris de petróleo por dia.

“Voltámos a ultrapassar os 4 dólares (3,44 euros) por galão no último fim de semana, nos postos de combustível por onde passei, e isso é uma despesa pesada, sobretudo para as famílias cujo rendimento depende de andar de trabalho em trabalho na carrinha ou no camião de serviço”, afirmou Whitehouse.

O Reino Unido e outros países europeus introduziram, em 2022, impostos temporários sobre lucros inesperados das empresas de combustíveis fósseis. Segundo a Tax Foundation Europe, o Reino Unido prolongou essas medidas até 2030.

“Penalizar as empresas que apoiaram esses países e continuaram a fornecer‑lhes o produto é muito curto‑de‑vista”, afirmou Darren Woods, diretor‑executivo da Exxon, numa conferência telefónica com investidores na sexta‑feira. “Cancelámos investimentos que tínhamos previsto para a Europa com base na última vez em que aprovaram um imposto sobre lucros inesperados.”

Refinarias acumulam lucros enquanto consumidores pagam mais pelo combustível

Empresas como a Exxon e a Chevron, que também detêm refinarias, estão em melhor posição para lucrar com as atuais condições de mercado, afirmou Tom Seng, professor assistente de finanças de energia na Texas Christian University.

As refinarias transformam o crude em gasolina, gasóleo, combustível de aviação e gasóleo de aquecimento doméstico. Os preços mais elevados desses produtos fizeram com que o lucro trimestral da divisão de refinação da Chevron fosse seis vezes superior em 2026, apesar de ter processado menos crude e vendido menos produtos.

“A rendibilidade da refinação, em termos percentuais, disparou”, disse Seng. “Neste momento, o petróleo tem o preço que tem por causa da guerra no Irão. Mas, entretanto, as refinarias estão a ganhar dinheiro a um ritmo impressionante.”

O mercado mundial de refinação enfrenta falta de capacidade e, com países como a Rússia e a China a deixarem de exportar, empresas como a Exxon e a Chevron têm de compensar essa quebra, explicou Rob Thummel, gestor sénior de carteiras na Tortoise Capital. “O mundo vai ficar com falta de combustível de aviação, gasóleo e gasolina, pelo que é provável que continuemos a ver lucros elevados nesse segmento.”

À escala global, nem todas as refinarias conseguiram obter o crude de que necessitam para satisfazer a procura desde o início do conflito, afirmou Timothy Fitzgerald, professor de economia empresarial na Universidade do Tennessee que estuda a indústria petrolífera.

Como resultado, as refinarias que dispõem de petróleo abundante para trabalhar, incluindo as norte‑americanas, estão a registar lucros confortáveis, sobretudo na produção de combustível de aviação e gasóleo, cujos preços nos Estados Unidos estão cerca de 41% acima do nível anterior ao bloqueio do estreito de Ormuz.

“Se é uma empresa que detém uma grande capacidade de refinação, as perspetivas são bastante positivas”, disse Fitzgerald.

As refinarias norte‑americanas estão a funcionar quase à máxima capacidade e estão em posição de beneficiar, porque algumas refinarias no Médio Oriente e na Rússia foram danificadas. E a Ásia não consegue obter a quantidade de petróleo do Médio Oriente de que necessita para refinar.

“No fim de contas, quem paga são os utilizadores dos serviços de energia”, afirmou Fitzgerald. “Os consumidores, pessoas como nós, que compram gasolina ou gasóleo nos postos ou bilhetes de avião. Mas isso também significa que quase tudo o resto que compramos incorpora custos de energia... e é aí que começamos a preocupar‑nos com o efeito que isso pode ter na subida dos preços.”

Nem todas as empresas de petróleo e gás beneficiam da mesma forma

No atual contexto geopolítico, algumas empresas saem a ganhar e outras a perder, disse Fitzgerald.

“Se é uma empresa produtora nos Estados Unidos, ou até uma multinacional sediada no país, como a Exxon ou a Chevron, com muita produção fora do Golfo, a situação é favorável. Está a vender o seu produto a um preço mais alto”, explicou.

Mas, acrescentou Fitzgerald, as empresas no Médio Oriente que não conseguem beneficiar dos preços mais elevados, porque têm dificuldade em escoar o gás natural liquefeito a partir do Golfo Pérsico ou têm muitos campos petrolíferos e instalações de processamento danificados, encaram os acontecimentos recentes de forma muito diferente.

“A capacidade de vender o que quer que seja e os volumes que conseguem colocar no mercado ficam tão reduzidos que as receitas caem drasticamente, ao mesmo tempo que aumentam os custos de transporte e de segurança”, observou.

A Exxon e a Chevron não foram tão lucrativas no primeiro trimestre devido à forma como o petróleo é negociado; a primeira oportunidade real que tiveram para tirar partido dos preços mais altos surgiu em abril. As empresas que tinham grandes quantidades de petróleo armazenadas em navios‑tanque e disponíveis para venda no mercado de curto prazo, incluindo algumas europeias, conseguiram beneficiar dos preços mais elevados registados em março, explicou Seng.

Outras fontes • AP

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