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Preços do gás na Europa sobem acima de 70 € com novos combates no Médio Oriente

Ficheiro – Um trabalhador prepara tubagens para ligar o terminal de GNL de Brunsbuettel à rede de gás alemã, em Brunsbuettel, Alemanha, 6 fev. 2023
ARQUIVO – Um trabalhador prepara tubagens para ligar o terminal de GNL de Brunsbuettel à rede de gás alemã, em Brunsbuettel, Alemanha, segunda-feira, 6 fev. 2023. Direitos de autor  Marcus Brandt/dpa via AP, File
Direitos de autor Marcus Brandt/dpa via AP, File
De Doloresz Katanich
Publicado a Últimas notícias
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O preço de referência do gás natural TTF holandês superou segunda‑feira os 70 euros por megawatt-hora, após a retoma de combates entre os EUA e o Irão reacender receios de novos atrasos nas exportações de GNL do Golfo Pérsico

O preço de referência europeu do gás natural Dutch TTF para entrega em outubro de 2026 atingiu, na segunda-feira, um máximo intradiário de 70,85 euros por megawatt-hora, segundo dados da ICE, numa altura em que a incerteza sobre os fornecimentos de GNL provenientes do Golfo está a pressionar em alta as cotações.

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No domingo, forças norte-americanas atingiram lançadores de foguetes iranianos perto do estreito de Ormuz, levando o Irão a ripostar com o disparo de mísseis contra forças dos EUA na Jordânia. A escalada ameaça provocar novas perturbações nas exportações de gás natural liquefeito (GNL), já que o estreito de Ormuz, por onde passa habitualmente cerca de um quinto do comércio mundial de GNL, permanece praticamente encerrado.

A perturbação surge numa altura em que as entregas de GNL são cruciais para a Europa, que procura reconstituir as reservas de gás antes do inverno.

As instalações de armazenamento de gás da UE estavam preenchidas em 64,7%, segundo dados da Gas Infrastructure Europe (GIE), o que deixa os níveis de reserva abaixo da média histórica para esta altura do ano.

Os preços elevados no mercado abrandaram o processo de enchimento em muitos países, alimentando receios de que Países Baixos e Alemanha possam falhar as metas de armazenamento de gás, respetivamente de 80% e 70%, até à data-limite de 1 de novembro.

Uma das razões é o facto de a diferença entre os preços atuais e os preços de inverno ter sido muitas vezes demasiado pequena – ou mesmo negativa – para cobrir o custo e o risco de armazenar gás. Normalmente, os fornecedores compram gás a preços mais baixos no verão, armazenam-no e vendem-no no inverno a preços mais altos.

Níveis baixos de armazenamento não significam necessariamente que um país ficará sem gás durante o inverno. Porém, reservas insuficientes podem deixar os países da UE mais expostos a oscilações bruscas de preços no mercado ou a perturbações no abastecimento global.

Esta situação preocupa em particular o tecido empresarial da maior economia europeia.

“Se instalações de armazenamento de gás insuficientemente preenchidas coincidirem com um inverno muito frio, a Alemanha poderá já não conseguir cobrir totalmente a procura normal de gás”, afirmou Sebastian Heinermann, diretor executivo da associação alemã de armazenagem de gás INES, à Euronews Business.

“Se, nessa altura, os preços do gás subirem para além do que os consumidores industriais conseguem suportar, as empresas serão obrigadas a reduzir a produção”, acrescentou, alertando que tal poderá causar danos económicos significativos.

A Itália enfrenta também riscos para o seu abastecimento de gás, apesar de o nível de armazenamento no país ser um dos mais elevados da Europa.

Na quinta-feira passada, a QatarEnergy notificou a empresa italiana de serviços públicos Edison, um dos seus principais clientes na Europa, de que prolongara até ao início de novembro a suspensão, por força maior, das entregas de gás natural liquefeito devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão, noticiou a Reuters.

O contrato de longo prazo entre a Edison e o Qatar fornece habitualmente o equivalente a cerca de 10% do consumo anual de gás de Itália. A Edison afirmou que está a garantir fornecimentos alternativos e consegue cumprir os compromissos assumidos com os clientes.

A UE importa relativamente pouco gás diretamente do Médio Oriente. O Qatar forneceu 3,7% do total das importações de gás do bloco em 2025. Ainda assim, perturbações no Golfo podem continuar a fazer subir os preços europeus.

Analistas alertam que uma interrupção prolongada das exportações de GNL do Golfo poderá obrigar os compradores europeus a competir de forma mais agressiva com clientes asiáticos pelos carregamentos disponíveis, o que poderá exercer uma pressão adicional em alta sobre os preços do gás na Europa.

Esta potencial guerra de ofertas poderá empurrar os preços grossistas para mais perto dos 100 euros por MWh, segundo o Goldman Sachs.

Na semana passada, as analistas do banco Samantha Dart e Laura Cyr escreveram numa nota citada pela Bloomberg: “Num cenário em que as exportações de energia do Médio Oriente só voltam gradualmente à normalidade até 2027, estimamos que o TTF de dezembro de 2026 terá provavelmente de subir acima dos 100 euros por MWh.”

Contas de energia: quão depressa podem subir as faturas das famílias

Se o atual nível de preços for de curta duração, a subida poderá ter pouco impacto nas faturas das famílias. Pelo contrário, sem sinais claros de alívio das tensões, um aumento prolongado poderá refletir-se gradualmente nas contas de energia dos agregados familiares em toda a Europa.

Segundo uma estimativa anterior da Oxford Economics, alterações nos preços grossistas demoram em média cerca de seis meses a refletir-se plenamente nos preços ao consumidor, embora o intervalo varie bastante entre países do bloco.

Em França, Itália e Espanha, os preços podem reagir em poucos meses e, nos Países Baixos, quase de imediato, mas na Alemanha e na Áustria podem demorar quase um ano até atingirem o máximo.

A Oxford Economics considera a Itália a mais exposta entre as grandes economias europeias, porque os preços se repercutem relativamente depressa e o país depende fortemente do gás, embora os seus depósitos de armazenamento estejam atualmente entre os mais cheios da Europa.

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