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Alemanha: inflação sobe para 2,9% em agosto, abaixo do esperado

Foto de arquivo. Mulher com sacos de compras passa em frente a uma loja em Berlim, Alemanha, jan. 2023
Arquivo. Mulher caminha com compras em frente a uma loja em Berlim, Alemanha, jan. 2023 Direitos de autor  AP Photo/Pavel Golovkin
Direitos de autor AP Photo/Pavel Golovkin
De Quirino Mealha
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A inflação na Alemanha subiu 2,9% no ano até agosto, na medida harmonizada acompanhada pelo BCE, acelerou face a julho mas ficou aquém dos 3,1% previstos, dando algum alívio aos responsáveis que se reúnem em Frankfurt na próxima semana

Inflação na maior economia europeia ainda não inverteu a tendência, mas subiu mais lentamente do que o mercado temia.

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Dados preliminares do Instituto Federal de Estatística alemão indicam que o índice harmonizado de preços no consumidor aumentou 0,2% em termos mensais, abaixo dos 0,3% previstos, levando a taxa anual para 2,9%, face a 2,8% em julho.

Assinala a terceira subida consecutiva, depois dos 2,4% em junho, na sequência de um choque energético provocado pela guerra no Irão e pelo fim do desconto no imposto sobre combustíveis na Alemanha.

O índice harmonizado é calculado segundo um método comum a todos os países da UE, o que permite comparar diretamente os Estados-membros, e é o indicador que o BCE utiliza para avaliar se está a cumprir a meta de 2%.

Os números surgem após dados divulgados na semana passada que traçaram um retrato misto da Alemanha.

O PIB do segundo trimestre foi revisto em alta, para um crescimento de 0,3%, face aos 0,2% anteriormente estimados. A presidente do Destatis, Ruth Brand, sublinhou que “a economia alemã está a manter o dinamismo observado no início do ano” e atribuiu às exportações o principal impulso, com as vendas de bens ao exterior a aumentarem 2,6% no trimestre.

Já a procura interna revelou-se mais fraca: o investimento em maquinaria e equipamento recuou 1,4%, enquanto o consumo das famílias e do Estado se ficou por 0,1% cada. O emprego continuou a diminuir, com cerca de 45,7 milhões de pessoas a trabalhar, menos 212 mil do que um ano antes.

O crescimento alemão ficou igualmente aquém do conjunto da UE, que avançou 0,5%, e as finanças públicas deterioraram-se de forma acentuada.

O défice das administrações públicas atingiu 71,3 mil milhões de euros na primeira metade do ano, mais 36,6 mil milhões do que um ano antes e equivalente a 3,1% do PIB. A administração federal respondeu por 48,1 mil milhões, com a despesa a crescer mais depressa do que as receitas.

Alemanha: o que estes números significam para o BCE

Para Frankfurt, o facto de os dados ficarem abaixo das previsões pesa mais do que a direção da inflação.

O BCE aumentou a taxa de depósito para 2,25% em junho, a primeira subida em quase três anos, e manteve-a em julho. Desde então, a dúvida sobre se voltará a mexer na taxa na próxima semana tem sido a questão central nos mercados da zona euro.

Uma leitura alemã acima dos 3% teria reforçado bastante os ‘falcões’ da política monetária. Em vez disso, a maior economia da zona euro apresentou uma inflação que continua a subir e permanece bem acima da meta de 2%, mas que desacelera face ao esperado, num contexto de crescimento apenas moderado e perda de emprego.

ARQUIVO. A presidente do BCE, Christine Lagarde, participa no evento de apresentação das propostas de design das notas de euro, em Frankfurt, Alemanha, 23 de julho de 2026
ARQUIVO. A presidente do BCE, Christine Lagarde, participa no evento de apresentação das propostas de design das notas de euro, em Frankfurt, Alemanha, 23 de julho de 2026 AP Photo/Michael Probst

Na sexta-feira passada, Espanha e França mostraram como o quadro continua desigual.

Em Espanha, a taxa harmonizada disparou para 4,5% em agosto, face a 3,9%, o valor mais alto em mais de um ano, depois de os preços dos combustíveis terem subido num mês em que, há um ano, tinham recuado.

Já a inflação subjacente espanhola abrandou para 2,9%, o que sugere sobretudo efeitos da energia e de base, e não uma pressão generalizada, mas a diferença na taxa geral face à Alemanha já ultrapassa 1,5 pontos percentuais.

França registou a aceleração mais moderada dos três países, com a taxa harmonizada a subir para 2,7%, face a 2,4%, embora a componente da energia tenha atingido 16,7%, acima dos 12,6% em julho.

No fundo, esse é o principal desafio do BCE: definir uma única taxa de juro para economias cujas taxas de inflação estão a afastar-se entre si.

Os dados para o conjunto da zona euro são divulgados na terça-feira e o BCE anuncia a decisão sobre juros na quinta-feira seguinte.

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