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Novo modelo “baseado em exposição” do YouTube conta passar o cursor sobre vídeo como visualização

Arquivo – Ryan Hansen, estrela de uma série do YouTube, na digressão de verão da Television Critics Association de 2017, em Beverly Hills, Califórnia, em 4 de agosto de 2017.
Foto de arquivo - Ryan Hansen, estrela de uma série do YouTube, na Summer Press Tour da Television Critics Association em Beverly Hills, Califórnia, 4 ago. 2017. Direitos de autor  2017 Invision/AP Photo
Direitos de autor 2017 Invision/AP Photo
De Jonathan Benton
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O novo “modelo baseado na exposição” do YouTube conta uma visualização desde o primeiro frame, em curtas, vídeos longos, podcasts e transmissões em direto, inflando os números sem alterar o que é pago aos criadores

YouTube prepara-se para fazer com que todos os vídeos na plataforma pareçam muito mais populares de um dia para o outro, sem que isso custe à empresa um único cêntimo.

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A plataforma vai passar para aquilo a que chama um “modelo baseado em exposição” para as visualizações, aplicado a todos os formatos, dos vídeos curtos aos de longa duração, podcasts e transmissões em direto.

Com o novo sistema, uma “visualização” passa a contar a partir do momento em que o primeiro fotograma é reproduzido, mesmo que alguém esteja apenas com o cursor sobre uma miniatura.

Em termos práticos, o resultado é simples: o número que aparece por baixo de cada vídeo está prestes a disparar, provavelmente depressa, e passará a ser contado da mesma forma em toda a plataforma.

A alteração aplica-se a qualquer vídeo carregado depois de 24 de agosto, que mostrará desde o início a nova contagem a partir do primeiro fotograma.

Os vídeos que já estão na plataforma mantêm a contagem atual até essa data; a partir daí, as visualizações futuras passam a ser contabilizadas segundo as novas regras.

O YouTube apresenta esta mudança como um exercício de arrumação, para dar mais “consistência” à plataforma, garantir que nenhum conteúdo fica por contar e reduzir a confusão sobre o que é que uma visualização representa afinal.

Mas já existe um precedente útil do que essa “consistência” significa na prática.

O YouTube já tinha feito esta experiência quando, em março do ano passado, passou a contar as visualizações dos seus vídeos curtos a partir do primeiro fotograma, e os resultados foram imediatos: o número de visualizações nos Shorts disparou cerca de 70%, segundo números da própria empresa. Dezassete meses depois, a empresa está a aplicar o mesmo método ao resto da plataforma.

A plataforma está, em parte, apenas a apanhar o comboio. O Instagram e o TikTok contam as visualizações desta forma há anos, e os criadores que publicam nas três plataformas têm visto há muito tempo os seus números no YouTube parecerem relativamente fracos em comparação.

Esta mudança reduz essa diferença, pelo menos em teoria.

Eis o senão: nada disto vai pôr um cêntimo extra nos bolsos dos criadores, já que o YouTube não vai alterar a forma como calcula os pagamentos de publicidade. Para esse efeito, continua a existir uma métrica à parte, agora designada “visualizações com envolvimento”, ou seja, alguém que vê durante vários segundos, o antigo padrão.

Os números de destaque, inflacionados, serão sobretudo para mostrar, enquanto o dinheiro continua a ser distribuído segundo o método antigo.

O YouTube afirma que a mudança resulta do feedback dos criadores, que consideravam o emaranhado de métricas de visualização um obstáculo a medir a verdadeira exposição.

O argumento é plausível, embora o momento escolhido também jogue a favor do YouTube.

A maioria dos criadores não tem na publicidade do YouTube a sua principal fonte de rendimento: segundo a plataforma de marketing IdeaEquity, até 70% dos ganhos dos criadores vêm antes de parcerias com marcas e patrocínios, em que o número de visualizações funciona como trunfo negocial e não como fonte direta de pagamento.

É aí que está a verdadeira função desta mudança.

Números mais altos dão aos criadores mais margem quando entram em negociações com marcas, mas essa margem não sai do bolso do YouTube.

A plataforma consegue oferecer um impulso de popularidade que nada lhe custa e, se isso se traduzir em mais dinheiro para os criadores, a fatura é entregue aos anunciantes e às marcas.

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