Loader
Encontra-nos
Publicidade

Venezuela: Chevron prepara expansão enquanto secretária da Energia dos EUA chega a Caracas

ARQUIVO. Cliente abastece numa bomba da Chevron em North Miami, Flórida, em maio de 2026
ARQUIVO. Um cliente abastece num posto da Chevron em North Miami, Florida, em maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Marta Lavandier
Direitos de autor AP Photo/Marta Lavandier
De Quirino Mealha
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

A Chevron deverá anunciar quarta-feira a expansão das operações na Venezuela, após o parlamento aprovar entregar a Washington um quinto das reservas de petróleo

A segunda maior petrolífera dos Estados Unidos prepara-se para reforçar a presença num país que a maioria dos concorrentes abandonou há duas décadas.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Um responsável norte-americano, sob anonimato, informou os jornalistas de que dirigentes da Chevron deverão aparecer ao lado do secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, na Venezuela para anunciar novos investimentos, o primeiro movimento empresarial após a aprovação do acordo pela Assembleia Nacional venezuelana.

Wright aterrou em Caracas já na noite de terça-feira, depois da votação venezuelana, estando a assinatura prevista para quarta-feira.

A Chevron é o único grande produtor norte-americano que se manteve na Venezuela desde que Hugo Chávez concluiu, em 2007, a nacionalização do setor, decisão que levou a Exxon e a ConocoPhillips a abandonarem o país.

Venezuela: votação e discussão sobre a letra pequena

Numa entrevista em espanhol, divulgada online na terça-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, descreveu o acordo em termos diretos.

“Essencialmente, isto passa a ser um acordo com o governo dos Estados Unidos, envolvendo em concreto o Departamento de Defesa, que dispõe de uma conta especial que lhe permite tomar posse de uma determinada percentagem destes ativos”, afirmou Rubio, acrescentando que o apoio norte-americano ajudará a empresa a atrair o investimento privado necessário para desenvolver os campos.

A “grande maioria” dos 17 campos esteve em mãos chinesas e russas, sublinhou Rubio, numa altura em que a Casa Branca apresenta também o acordo como uma reafirmação da Doutrina Monroe.

Esses campos estão associados a direitos por 100 anos para a North American Blue Energy Partners e contêm 65 mil milhões de barris. Será criada uma nova empresa em que o Gabinete de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA deterá 35% do capital, ficando o Departamento de Estado norte-americano com direito a comprar 20% da produção ao custo de extração.

Cidadãos norte-americanos terão de constituir a maioria do conselho de administração, e Washington mantém poder de veto sobre as nomeações.

ARQUIVO. O presidente dos EUA, Donald Trump, lê um bilhete do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a pedir a intervenção do vice-presidente da Chevron durante uma reunião com executivos do setor petrolífero, jan. 2026
ARQUIVO. O presidente dos EUA, Donald Trump, lê um bilhete do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a pedir a intervenção do vice-presidente da Chevron durante uma reunião com executivos do setor petrolífero, jan. 2026 AP Photo/Evan Vucci

Os deputados venezuelanos aprovaram o acordo por votação à mão levantada, embora alguns membros da oposição se tenham abstido, alegando que não conheceram os termos.

“Temos necessidade e obrigação de saber o que está escrito na letra pequena”, afirmou o deputado da oposição Luis Emilio Rondón.

“Quem beneficia com este petróleo se ele ficar debaixo da terra?”, contrapôs o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

A NABEP pertence a Alejandro Betancourt, alvo de investigações por alegada lavagem de dinheiro em Espanha e na Suíça, sem que tenham sido apresentadas acusações, e acusado de envolvimento num esquema de corrupção na empresa petrolífera estatal PDVSA.

Um responsável norte-americano que não quis ser identificado descreveu-o como um “operador comprovado”, reconhecendo que a geopolítica implica por vezes lidar com figuras imperfeitas.

“Não estou aqui a propor ninguém para santo”, afirmou o responsável. “O que estou a dizer é que esta é uma pessoa que, no passado, foi útil ao governo dos Estados Unidos.”

Questões que o acordo deixa por resolver

Os analistas mantêm-se cépticos quanto a uma recuperação rápida da produção, com estimativas que apontam para entre um e dez anos até que novos barris cheguem ao mercado. Washington não está a investir dinheiro no projeto, garantem responsáveis norte-americanos, defendendo que o apoio político será suficiente para atrair o capital necessário.

Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que outras empresas seguiriam o exemplo da Chevron.

“Temos a Exxon a entrar, temos a Chevron a entrar. Temos as nossas grandes petrolíferas a entrar”, declarou Trump.

Contudo, a posição da Exxon parece manter-se inalterada, depois de um porta-voz ter afirmado, na terça-feira, que “nada mudou” e de o diretor-executivo Darren Woods ter classificado a Venezuela como “um país onde não se pode investir” no início deste ano.

Para a administração norte-americana, a urgência é interna.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se com executivos do setor petrolífero na Casa Branca, numa altura em que o preço da gasolina sobe devido a novos ataques norte-americanos contra alvos iranianos perto do estreito de Ormuz, escrevendo depois nas redes sociais que “estamos a libertar a dominância energética americana!”

Combustível mais barato é prioridade antes das eleições intercalares de novembro, nas quais os republicanos poderão perder o controlo tanto da Câmara dos Representantes como do Senado.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Zona euro: subida de juros do BCE à vista com inflação a 3,3%

Alemanha: morte do homem mais rico cria uma das maiores fundações da Europa

Inflação na zona euro sobe para 3,3% em agosto com subida dos preços da energia