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"Não há necessidade de auditar a nossa carne", diz embaixador do Brasil junto da UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (à direita), e o presidente brasileiro, Lula da Silva, falam à imprensa em Bruxelas, 17 de julho de 2023
Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, à direita, e o Presidente do Brasil Lula da Silva falam aos jornalistas em Bruxelas, 17 de julho de 2023 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Peggy Corlin
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Embaixador brasileiro na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, disse à Euronews que “todas as opções estão em aberto” após Brasília ameaçar retaliar contra o embargo europeu à carne brasileira por uso de antibióticos.

O embaixador do Brasil junto da UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou na sexta-feira à Euronews que uma inspeção à carne brasileira era desnecessária e ameaçou retaliar contra a proibição europeia de importações.

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A decisão da Comissão Europeia entrou em vigor esta semana, depois de o Brasil ter sido retirado da lista de países que cumprem as regras europeias de segurança alimentar devido ao uso de antibióticos para estimular o crescimento dos animais.

A auditoria da UE à carne de aves e ao mel brasileiros está em curso, mas a Comissão afirma que Brasília não forneceu garantias que permitam auditar a carne bovina.

A proibição da UE suscitou indignação no governo brasileiro na quinta-feira, que ameaçou adotar contramedidas.

“Garantias suficientes”

“Não havia necessidade de auditoria, nem para carne de aves, nem para mel, nem para carne bovina, porque não foram feitas auditorias nos outros países”, afirmou da Costa e Silva. “Fornecemos garantias suficientes.”

O embaixador acrescentou que, embora o Brasil vá continuar a discutir o assunto com a Comissão, “todas as opções estão em cima da mesa” caso as importações não sejam retomadas e que o país pode ser “criativo” nas contramedidas.

A Comissão rejeitou na sexta-feira a acusação de tratamento desigual feita por Brasília, com o porta-voz principal adjunto, Olof Gill, a afirmar: “A nossa abordagem é não discriminatória e demos aos nossos parceiros tempo suficiente e toda a informação necessária para se adaptarem.”

A disputa surge numa altura em que o acordo de comércio livre entre os países do Mercosul, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e a UE entrou provisoriamente em vigor em maio, apesar da forte oposição dos agricultores europeus, que receiam que produtos latino-americanos que não cumprem as normas fitossanitárias e de segurança alimentar do bloco sejam despejados no mercado europeu.

“As regras de segurança alimentar são uma questão de máxima prioridade para os cidadãos da UE”, acrescentou Gill. “Estas regras são conhecidas há muito tempo, com os países terceiros a serem informados ao longo de muitos anos.”

A União Europeia introduziu novas regras para combater a resistência aos antimicrobianos em 2018, aplicadas aos produtores europeus desde 2022 e, desde quinta-feira, também aos importadores de países terceiros.

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