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Mistral AI angaria recorde de 3 mil milhões de euros em ronda liderada pela Samsung

ARQUIVO. CEO da Mistral AI, Arthur Mensch, na Station F durante um evento paralelo à Cimeira de Ação para a Inteligência Artificial, em Paris, 11 fev. 2025
Arquivo. Arthur Mensch, CEO da Mistral AI, em Station F durante um evento paralelo à Cimeira de Ação em Inteligência Artificial, em Paris, 11 fev. 2025 Direitos de autor  AP Photo/Aurelien Morissard
Direitos de autor AP Photo/Aurelien Morissard
De Quirino Mealha
Publicado a
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A francesa de inteligência artificial Mistral AI angariou 3 mil milhões de euros numa ronda liderada pela Samsung Electronics, quase duplicando a avaliação para mais de 21 mil milhões e reivindicando a maior captação de capital próprio de sempre por uma tecnológica europeia.

Resposta europeia à OpenAI acaba de ficar substancialmente melhor financiada.

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Na terça‑feira, a Mistral AI, empresa sediada em Paris, anunciou uma ronda de financiamento Série D, três anos depois da fase inicial. O gigante dos chips de memória Samsung lidera a operação, a par do Scaleup Europe Fund, apoiado pela UE e gerido pela EQT, e do investidor já existente PSG Equity.

Salto é acentuado.

Mistral já tinha sido avaliada em 11,7 mil milhões de euros em 2025, após uma ronda Série C de 1,7 mil milhões liderada pela fabricante holandesa de chips ASML, o que significa que a empresa quase duplicou a valorização em apenas um ano.

Boa parte do dinheiro será investida em betão, não em código. O CEO Arthur Mensch explicou que o financiamento vai servir para desenvolver centros de dados e capacidade de computação que a Mistral poderá alugar a terceiros, ao mesmo tempo que garante maior autonomia.

“A longo prazo, o plano passa por depender totalmente de capacidade que estamos a construir nós mesmos, e isso significa que a quantidade de computação que detemos vai crescer cerca de 100% nos próximos cinco anos”, afirmou Mensch, acrescentando que a empresa vai treinar “modelos maiores e mais rápidos”.

Mistral já está a investir 4 mil milhões de euros em centros de dados em França e na Europa, com uma instalação em funcionamento nos arredores de Paris e outra em construção na Suécia.

Em março, levantou mais financiamento através de dívida para o mesmo fim, e a Microsoft comprometeu‑se a financiar capacidade a partir da sua rede europeia, assente em milhares de chips da Nvidia.

Tanto a Microsoft como a Nvidia são igualmente investidores na Mistral, sendo que esta última aumenta a exposição nesta ronda.

A empresa afirma que mais de 125 empresas em 20 países utilizam a sua tecnologia e prevê ultrapassar os mil milhões de euros em receita anual recorrente até ao final de 2026.

Europa fica para trás na corrida da IA

Apesar destas notícias, a Europa continua seriamente atrás na corrida global da IA.

Valorização da Mistral fica muito abaixo da da OpenAI e da Anthropic, e o setor europeu de IA em sentido lato continua a ser apenas uma fração do norte‑americano, com a adoção empresarial no conjunto da UE a rondar os 13,5%.

Existem outros concorrentes europeus, mas de menor dimensão.

Na Alemanha, a Aleph Alpha concentra‑se em governos e setores regulados em vez de competir na fronteira tecnológica, enquanto a Helsing tem crescido rapidamente em aplicações de defesa e a suíça Apertus oferece modelos e dados de treino totalmente abertos.

Bruxelas procura reduzir o fosso.

Iniciativa InvestAI inclui um compromisso de referência de 200 mil milhões de euros e, em julho, a Comissão lançou concursos para até sete gigafábricas de IA, com o objetivo de mobilizar mais de 30 mil milhões de euros em investimento, embora não se espere que essas instalações entrem em funcionamento antes do próximo ano ou de 2028.

Treze fábricas de IA mais pequenas estão já a ser construídas em sete países da UE.

O AI Act passou a ser aplicável em agosto, mas as obrigações mais exigentes foram adiadas pelo pacote digital ‘omnibus’ acordado em maio, com as regras para sistemas de alto risco agora previstas para entrarem em vigor em dezembro de 2027 e agosto de 2028, um adiamento que Bruxelas apresenta como forma de tornar a política mais favorável à inovação.

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