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As comemorações dos cem anos do genocídio arménio passam também pelo cinema

As comemorações dos cem anos do genocídio arménio passam também pelo cinema
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As comemorações dos cem anos do genocídio arménio passam também pelo cinema. Um tema controverso na Turquia que não reconhece como genocídio o

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As comemorações dos cem anos do genocídio arménio passam também pelo cinema. Um tema controverso na Turquia que não reconhece como genocídio o massacre e deportação dos arménios nos últimos anos do Império Otomano.

Este ano, o Festival de Cinema de Istambul programou dois filmes sobre o tema. O documentário “A herança do silêncio” realizado pela dupla de realizadores franceses Anna Benjamin e Guillaume Clere conta a história sob um novo ângulo.

O filme de 52 minutos segue de perto quatro turcos que descobriram que os avós eram sobreviventes do massacre. Calcula-se que entre cem mil e duzentos mil arménios escaparam à tragédia, foram assimiladas à população curda e turca e convertidas ao Islão. Um tema tabu na Turquia.

“Para nós era importante contar a história do genocídio arménio a partir do presente. O que significa hoje ser arménio na Turquia? O que significa ser turco? O que significa ser curdo? O que resta da herança arménia na Turquia? Durante cem anos as pessoas não disseram nada, houve um silêncio. Como foi possível manter este segredo durante cem anos?”, questiona a realizadora francesa.

“Há uma história oficial e há a história das pessoas, e são histórias diferentes. O nosso filme não é político. Não dizemos que é preciso que haja um reconhecimento, reparações e devoluções de terras. No nosso filme as pessoas dizem que querem saber o que aconteceu aos avós”, afirmou Guillaume Clere.

Recentemente, o Parlamento Europeu pediu à Turquia para reconhecer o genocídio arménio. Para o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan um tal pedido é um insulto. Mas entre a população turca há cada vez mais pessoas a quebrar o tabu. O jornalista Haci Orman realizou o primeiro filme turco sobre o genocídio arménio e conta que não fácil.

“Foi muito difícil reunir uma equipa porque quando dizia aos técnicos qual era o tema eles ficavam com medo e desistiam. Foi preciso quase um ano para constituir uma equipa”, contou o realizador.

“Homo Politicus” gira em torno de um teólogo que contacta as autoridades otomanas para exigir o fim das deportações da população arménia entre 1915 e 1917. O filme assume a forma de um diálogo entre um militar poderoso e um teólogo humanista.

“Todos os livros relativos aos arménios são destruídos ou banidos da Turquia. Por isso tive de ir viajar para a Alemanha e para a França para ter acesso aos arquivos. O maior desafio foi encontrar um local para as rodagens. Quando lhes contava o tema do filme, as pessoas diziam que não estavam interessadas”, acrescentou o realizador.

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