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MOTELX enche Lisboa de sustos até dia 16

Pedro Souto, diretor do MOTELX, na apresentação do programa deste ano
Pedro Souto, diretor do MOTELX, na apresentação do programa deste ano Direitos de autor  MOTELX
Direitos de autor MOTELX
De Ricardo Figueira
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É já esta terça-feira que abre o festival que, para os fãs do género, se tornou sinónimo de terror. Este ano, entre as novidades, está uma retrospetiva de filmes proibidos pela censura em Portugal.

O MOTELX, que arranca esta terça-feira e leva o terror a Lisboa até ao dia 16 de setembro, chega à maioridade com esta 18ª edição. Uma maioridade que deixa orgulhoso Pedro Souto, um dos fundadores e diretores (a par de João Monteiro) deste festival 100% dedicado ao cinema de terror, que tem vindo a trazer, com o passar dos anos, cada vez mais público às salas do cinema São Jorge. Não só o público tem aumentado, como o número de filmes portugueses presentes nas várias secções: "Ao longo destes anos, recebemos mais de 1000 filmes portugueses", diz Souto. "Se, nos primeiros anos, a oferta de cinema português era residual, começou a crescer com muita força, sobretudo a partir do terceiro ano, quando foi criado o prémio de melhor curta-metragem portuguesa", acrescenta.

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Ao longo destas 18 edições de MOTELX, recebemos mais de 1000 filmes portugueses.
Pedro Souto
Diretor do MOTELX

O festival abre com "Speak no Evil" (EUA), de James Watkins, um remake do filme dinamarquês que saiu da edição de 2022 do MOTELX com o prémio cimeiro, e fecha com "The Surfer" (Austrália/Irlanda), realizado por Lorcan Finnegan e com Nicholas Cage no principal papel.

Como pratos fortes desta edição do MOTELX, ou não estivéssemos a falar de um festival de terror, Souto destaca um "pentagrama" formado por cinco filmes: o arrepiante thriller do realizador alemão Tilman Singer, “Cuckoo”, que tem por cenário um resort nos Alpes repleto de segredos obscuros, com Hunter Schafer, atriz da série “Euphoria”, o canadiano “In a Violent Nature”, de Chris Nash, "Oddity", que nos chega da Irlanda pela mão de Damian McCarthy e promete muitos sustos, ou ainda "MaXXXine", de Ti West (EUA) e "The Substance", um body horror com assinatura da francesa Coralie Fargeat, com Demi Moore e Margaret Qualley nos principais papéis. O filme recebeu o prémio de Melhor Argumento no festival de Cannes deste ano.

Além do já citado "Oddity", outras cinco longas-metragens entram na principal secção competitiva do festival, em que disputam o Meliès d'Argent para melhor filme de terror europeu. O laureado ganha entrada para a competição pelo Meliès d'Or, que será entregue no festival de Sitges, no próximo mês.

"Des Teufels Bad" (Áustria/Alemanha), de Veronika Franz e Severin Fiala, "Fréwaka" (Irlanda), de Aislinn Clarke, "Im Toten Winkel" (Alemanha) de Ayse Polat, "Planète B" (França/Bélgica), de Aude Léa Rapin e com Adèle Exarchopoulos no principal papel, e ainda "She loved blossoms" (Grécia/França) de Yannis Veslemes completam o lote de nomeados para o Meliès d'Argent.

Do Serviço de Quarto ao Quarto Perdido... secções para todos os gostos

Mas é na secção "Serviço de Quarto", dedicada a filmes vindos dos quatro cantos do mundo e apresentados fora de competição, que estão alguns dos filmes mais aguardados desta edição. Outro destaque da direção do festival vai para o mais recente e inesperado filme dos irmãos norte-americanos David e Nathan Zellner, “Sasquatch Sunset” (com produção executiva de Ari Aster, realizador de "Hereditário" e "Midsommer"), um retrato bizarro e rigoroso da vida quotidiana de uma família de criaturas. Também a estrear em solo nacional, distinguem-se “Vampire humaniste cherche suicidaire consentant”, de Ariane Louis-Seize (Canadá) e a co-produção anglo-americana “Your Monster”, de Caroline Lindy.

Na secção "Quarto Perdido", dedicada ao terror português, destaca-se “A Culpa” (1980), filme que marcou a estreia em cinema do compositor e maestro António Victorino D’Almeida (com presença garantida na sessão) e um dos primeiros exemplos de ficção, depois do 25 de Abril, sobre a guerra colonial. A viagem pela filmografia de género do país tem outra paragem em “As Desventuras de Drácula Von Barreto nas Terras da Reforma Agrária” (1977), uma curta-metragem desenvolvida pela Célula de Cinema do PCP.

Homenagem à revolução

Já que falamos do período revolucionário em Portugal, é impossível falar da edição de 2024 sem mencionar a secção "A Bem da Nação", dedicada aos filmes proibidos pela censura em Portugal antes da revolução de 1974, com que o festival quis honrar os 50 anos do 25 de Abril e nos apresenta um lote de cinco filmes realizados nos anos 1960 e 1970, alguns com um forte pendor erótico, como o italiano "Il Demonio" (1963), realizado por Brunello Rondi.

Uma programação que reflete a boa saúde do cinema de género em Portugal e no mundo. Para Pedro Souto, "a tendência é cíclica e estamos num ciclo de popularidade do cinema de terror, muito graças ao box-office norte-americano". "Mas, independentemente do que faz Hollywood, o cinema independente produz todos os anos um bom lote de filmes de género, e os festivais existem também para divulgar estes filmes de mais difícil acesso", acrescenta. É um papel que o MOTELX volta a assumir este ano, como tem vindo a fazer desde 2007.

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