Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Irão: fotógrafa Ayna Moazzen une arte da resistência, identidade e pontes culturais

Reflexões da Alma 2017
Reflexões da Alma 2017 Direitos de autor  Courtesy of Ayna Moazzen
Direitos de autor Courtesy of Ayna Moazzen
De Saida Rustamova & Tokunbo Salako
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Artista iraniana Ayna Moazzen vive entre Itália, Azerbaijão e o Golfo e quer fazer da vivência transnacional diálogo e resistência à repressão letal do regime de Teerão

A viver e trabalhar entre a Itália, o Azerbaijão e os países do Golfo, a artista iraniana contemporânea Ayna Moazzen vê a arte como ponte cultural e forma de resistência numa altura de tensões políticas e sociais no país de origem.

Com mestrado em História da Arte, Moazzen transforma em obra visual a experiência vivida de deslocação e memória. O seu trabalho liga tradições visuais da Antiguidade tardia à contemporaneidade.

Embora a carreira seja transnacional, diz que a linguagem artística permanece profundamente enraizada no Irão. “Onde quer que esteja, o Irão está sempre comigo. Molda os meus instintos, os meus símbolos e a minha sensibilidade; é a linguagem emocional em que penso.”

Interior de uma casa de aldeia de montanha em Doolab, 2016
Interior de uma casa de aldeia de montanha em Doolab, 2016 Courtesy of Ayna Moazzen/National Youth Festival of Fine Arts

Essa ligação tornou-se mais forte à medida que a agitação e a violência persistem no Irão. Para Moazzen, a arte deixou de ser apenas uma busca pessoal ou estética e tornou-se uma necessidade moral. “A arte torna-se uma forma de recusar o silêncio”, diz. “O que está a acontecer no Irão é um genocídio e, enquanto iraniana, carrego essa dor todos os dias. A minha arte nasce do luto, da raiva e da responsabilidade; da necessidade de testemunhar, de fazer o luto em público e de estar ao lado de quem vê a vida destruída.”

Moazzen descreve a arte como forma de manifestar descontentamento à medida que os protestos se intensificam. “Criar não é opção para mim neste momento; é uma forma de protesto, de sobrevivência e de crença de que o meu país será livre em breve.”

Do livro “Pourquoi photographiez-vous?”, Paris, França
Do livro “Pourquoi photographiez-vous?”, Paris, França Courtesy of Ayna Moazzen/Anne Affortit

A prática da artista explora identidade, memória cultural e emancipação das mulheres, moldada por anos longe do país natal, entre a Europa, o Cáucaso e o Médio Oriente. “Viver entre lugares diferentes mantém-me alerta”, diz Moazzen. “Cada país altera a forma como vejo, sinto e ouço, e esse movimento constante entra naturalmente no meu trabalho.”

Da série “Sounds and sights of Khorasan”, Nishabour, Irão, 2015
Da série “Sounds and sights of Khorasan”, Nishabour, Irão, 2015 Courtesy of Ayna Moazzen/National Youth Festival of Fine Arts

Moazzen integra uma geração crescente de artistas iranianos que vivem entre regiões e culturas, usando a arte para manter o diálogo numa altura em que as instabilidades geopolíticas se agravam. O seu trabalho reflete experiências emocionais e culturais partilhadas para lá das fronteiras, em particular as de mulheres e migrantes.

Retratos da série “Soul Reflections”, 2017
Retratos da série “Soul Reflections”, 2017 Courtesy of Ayna Moazzen

Em períodos de agitação, vê a arte como força discreta mas duradoura. “A arte torna-se uma forma poderosa de resistência”, diz. “Guarda a memória, cria empatia e lembra às pessoas que vidas não são estatísticas.”

O seu trabalho recebeu reconhecimento internacional, incluindo primeiros prémios em design gráfico e fotografia nos concursos nacionais de Arte e Ciência do Irão, e foi pré-selecionado para o concurso de fotografia Rotas da Seda, da UNESCO, na China.

Moazzen diz que o objetivo é simples, mas urgente. “Espero que sintam proximidade. Que percebam que estas histórias são reais, humanas e estão a acontecer agora, não longe, não teóricas.”

“Crio um lugar de perda e amor, guardando a memória como ato de resistência”, conclui.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Impressões artísticas: fotógrafo Rankin e artista Phillip Toledano sobre a arte da IA

Morte de um provocador: lendário fotógrafo italiano Oliviero Toscani morre aos 82 anos