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Super Bowl: Bad Bunny trocou a alta-costura pela Zara — e a camisola foi feita em Portugal

Bad Bunny foi o artista escolhido para atuar no intervalo da Super Bowl deste ano
Bad Bunny foi o artista escolhido para atuar no intervalo da Super Bowl deste ano Direitos de autor  AP Photo
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De Joana Mourão Carvalho
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A camisola com o número 64 que Bad Bunny vestiu no espetáculo do intervalo da Super Bowl foi produzida em Santo Tirso, no Norte de Portugal. A peça, criada pela Zara, nasceu na fábrica do Grupo Sidi e chegou ao maior palco do mundo após um processo desenvolvido em sigilo.

O artista porto-riquenho Bad Bunny roubou as atenções no domingo passado, 8 de fevereiro, quando subiu ao maior palco do mundo num look monocromático, para atuar no espetáculo do intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, que decorreu no Levi’s Stadium, em Santa Clara, na Califórnia.

Considerado o maior evento desportivo dos Estados Unidos, é visto por milhões de pessoas em todo o mundo, tornando-se também uma das maiores montras globais para a música, mas também para os guarda-roupas usados pelos artistas escolhidos para atuar.

Ao contrário do que muitos antecipavam, sobretudo depois de, a 1 de fevereiro, ter surgido nos Grammy Awards com um modelo assinado pela maison de alta costura Schiaparelli, Bad Bunny optou por uma escolha deliberadamente diferente: um conjunto em creme da Zara, uma decisão improvável num palco habitualmente dominado por grandes casas de luxo.

O que poucos sabiam, nas primeiras horas após o espetáculo, é que a camisola estilo jersey de futebol americano bordada com o número 64 e o apelido “Ocasio” começou a ganhar forma em Santo Tirso, no norte de Portugal.

A camisola, criada pela Zara, foi produzida pelo Grupo Sidi, empresa têxtil portuguesa que trabalha há mais de uma década com a Inditex e que já produziu peças para outras personalidades do mundo da música, como a espanhola Rosalía.

O pedido chegou nos últimos dias de janeiro e foi tratado sob rigoroso sigilo em tempo recorde. “Nós fizemos a encomenda em quatro dias úteis, foi tudo muito rápido”, afirma Diana Costa, CEO do grupo, em declarações à Euronews.

Em apenas quatro dias, a Sidi desenvolveu a amostra, obteve aprovação e produziu mil unidades, expedidas a 2 de fevereiro. “Sabíamos que era para o Bad Bunny, mas não sabíamos em que evento a ia usar, muito menos que ia dar o espetáculo que deu. Ainda não parámos de receber chamadas. Estamos muito felizes com a visibilidade e com o facto de sermos portugueses, como é lógico”, conta Diana Costa à Euronews.

A camisola foi feita à medida para o artista. Trata-se de uma peça em felpo americano, 100% algodão orgânico com certificação GOTS. O número 64 — ano de nascimento da mãe do cantor, Lysaurie Ocasio —, o apelido e as tiras foram produzidos em patch e posteriormente aplicados na peça.

A escolha da Zara para um dos momentos mais vistos do ano — com a atuação a somar quase 60 milhões de visualizações no YouTube — surpreendeu. Mas a opção parece alinhar com a homenagem de Bad Bunny a Porto Rico: uma estética próxima da cultura popular e acessível à maioria.

Após o espetáculo, e com autorização da Zara, a Sidi partilhou nas redes sociais o “orgulho” na produção da peça.

A própria Inditex confirmou ter sido responsável pelo guarda-roupa do artista, sublinhando que o objetivo foi “ajudar a tornar a visão artística de Benito completa”. A marca vestiu ainda bailarinos, banda e orquestra, frisando que o guarda-roupa não teve qualquer intenção de ser comercializado.

Nem a Zara nem a Sidi tencionam comercializar a peça. Ainda assim, a exclusividade da camisola rapidamente gerou interesse no mercado de revenda. Réplicas oferecidas a colaboradores da Inditex começaram a surgir em plataformas como a Vinted e eBay, com valores que podem ir de algumas centenas de euros até dezenas de milhares, como relata a Bloomberg.

A publicação partilhada pela Sidi também mostra uma mensagem enviada pelo cantor porto-riquenho a todos os funcionários da Inditex, junto com uma réplica da criação original, oferecida a cada um deles. “Obrigada pelo tempo, o talento e o coração que puseram nisto. Obrigada por o tornarem real. Este espectáculo também foi vosso. Espero que desfrutem. Vemo-nos em breve!”, lê-se no bilhete, assinado por Benito — o nome real de Bad Bunny.

A digressão mundial "DeBÍ TiRAR MáS FOToS World Tour", de Bad Bunny, passará por Portugal ainda este ano.

Em 2019, o artista foi anunciado como um dos nomes do festival MEO Sudoeste, mas a atuação acabou por não acontecer devido à pandemia.

O mesmo aconteceu com a atuação que estava prevista para o NOS Primavera Sound Porto, inicialmente agendado para 2020 e posteriormente adiado para 2021. O artista fazia parte do cartaz de destaque da nona edição do festival no Parque da Cidade do Porto, mas devido à pandemia, a organização reagendou o evento, e o artista não figurou no cartaz final de 2022.

A estreia em território português, se tudo correr bem até lá, está agendada para maio de 2026, com dois concertos em Lisboa, no Estádio da Luz.

Ao todo, em apenas uma semana, a digressão vendeu mais de 2,6 milhões de bilhetes para 54 concertos em 18 países, batendo recordes de vendas em vários países, incluindo em Portugal, onde se tornou o único artista latino da história a esgotar dois estádios.

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