U2 lançam novas músicas após tiroteios mortais do ICE em Minneapolis.
A banda de rock U2 lançou de surpresa um EP "desafiante" e politicamente carregado, intitulado 'Days Of Ash'.
O novo trabalho reúne seis temas que a banda descreve como uma resposta à atualidade.
De acordo com um comunicado de imprensa, quatro das cinco faixas "falam de indivíduos – uma mãe, um pai, uma rapariga adolescente – cujas vidas foram brutalmente interrompidas. Um soldado que preferia estar a cantar, mas está pronto para morrer pela liberdade do seu país".
O tema de abertura, 'American Obituary', evoca a tragédia ocorrida no Minnesota a 7 de janeiro, quando Renee Good foi mortalmente baleada por um agente do Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro dos Estados Unidos (ICE).
A canção inclui versos como: "Renee Good born to die free / American mother of three / Seventh day January / A bullet for each child, you see / The colour of her eye / 930 Minneapolis / To desecrate domestic bliss / Three bullets blast, three babies kissed / Renee the domestic terrorist???"
O videoclipe que acompanha o lançamento mostra imagens da Estátua da Liberdade com os olhos tapados com a palavra 'REDACTED', cenas de marchas e graffiti com a frase "America Wake Up".
O verso "America will rise against the people of the lie" é projetado sobre a imagem da Estátua da Liberdade com uma típica gravata vermelha, demasiado comprida, à Trump.
Noutros temas do EP, 'The Tears Of Things' reflete sobre como se pode viver com compaixão em tempos de violência, enquanto 'Song of the Future' foi escrita em homenagem à vida de Sarina Esmailzadeh, de 16 anos, uma das milhares de estudantes iranianas que saíram à rua em 2022 no âmbito do movimento Mulher, Vida, Liberdade em 2022. Esmailzadeh foi detida pelas forças de segurança iranianas e morreu na sequência dos ferimentos.
'Wildpeace' parte de um poema do poeta israelita Yehuda Amichai, enquanto 'One Life At A Time' é dedicada a Awdah Hathaleen, pai palestiniano de três filhos e professor, morto na sua aldeia na Cisjordânia por um colono israelita no ano passado.
O EP termina com 'Yours Eternally', uma colaboração com Ed Sheeran e o músico ucraniano transformado em soldado Taras Topolia. A faixa está escrita em forma de carta de um militar em serviço ativo e é acompanhada por uma curta-metragem documental realizada pelo diretor de fotografia e cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus. O filme mostra o quotidiano dos soldados que combatem na linha da frente da guerra e será lançado na terça-feira, 24 de fevereiro – quatro anos após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Ao falar sobre o novo EP, Bono afirmou em comunicado: "Estas canções do EP não podiam esperar; estavam impacientes por sair para o mundo. São canções de desafio e consternação, de lamento. Hão de vir canções de celebração, estamos a trabalhar nelas agora... porque, apesar de toda a brutalidade que vemos a ser normalizada diariamente nos nossos pequenos ecrãs, não há nada de normal nestes tempos loucos e enlouquecedores e temos de lhes fazer frente antes de voltarmos a acreditar no futuro. E uns nos outros".
Bono adiantou ainda que um álbum completo de material novo será editado mais para o final de 2026.
A banda anunciou também uma nova edição única do seu clássico fanzine 'Propaganda'. A publicação inclui uma sessão de perguntas e respostas com Bono, notas dos restantes membros do grupo e entrevistas exclusivas com o realizador de 'Yours Eternally', Ilya Mikhaylus, e o produtor Pyotr Verzilov. Pode ser consultada aqui (fonte em inglês).
Com este EP, os U2 juntam-se a Bruce Springsteen na crítica à agência ICE através da música. No mês passado, o Boss lançou a canção de protesto 'Streets of Minneapolis', dedicada "ao povo de Minneapolis, aos nossos vizinhos imigrantes e em memória de Alex Pretti e Renee Good".
A música aponta ainda o dedo ao conselheiro de Donald Trump Stephen Miller e à secretária da Segurança Interna Kristi Noem, ambos acusados de difundir falsidades sobre Good e Pretti, a quem chamaram "terroristas domésticos".
«Their claim was self-defense, sir / Just don’t believe your eyes / It’s our blood and bones / And these whistles and phones / Against Miller and Noem’s dirty lies.»
Renee Good, de 37 anos, foi mortalmente baleada pelo agente da ICE Jonathan Ross em Minneapolis, a 7 de janeiro. A sua morte desencadeou protestos em massa por todo o país.
Alex Pretti, também com 37 anos, foi morto a 24 de janeiro por um polícia que lhe disparou dez vezes em poucos segundos. Pretti participava nos protestos pacíficos que se seguiram à morte de Good.