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Mais de 100 mil tampas de plástico completam o mural reciclado mais alto do mundo em El Salvador

O mural de tampas de garrafa mais alto do mundo, El Salvador, 21 de fevereiro de 2026
O mural de tampas de garrafa mais alto do mundo, El Salvador, 21 de fevereiro de 2026 Direitos de autor  Oscar Olivares x.com
Direitos de autor Oscar Olivares x.com
De Jesús Maturana
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O venezuelano Óscar Olivares concluiu, em fevereiro, o mural de tampas de plástico mais alto do mundo, no bairro de Zacamil, em El Salvador. A obra tem mais de 13 metros e foi construída com mais de 100 mil peças recicladas pela comunidade.

O edifício 88 de Zacamil, em San Salvador, tem agora algo que nenhum outro edifício do mundo pode afirmar ter: uma Gioconda de 13 metros feita de tampas de plástico. Óscar Olivares, um artista venezuelano nascido em 1996, anunciou, no dia 20 de fevereiro, a conclusão do projeto, que esteve em construção durante vários dias e que envolveu um trabalho de recolha de lixo, voluntários e organizações locais desde a sua fase inicial.

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A figura central do mural não é exatamente a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Olivares reinterpretou-a como uma mulher de pele escura, cabelo encaracolado e olhos expressivos, vestida com as cores da bandeira salvadorenha. O artista chama-a de Mona Lisa salvadorenha, embora esclareça que ela não representa ninguém em particular. Para ele, encarna qualquer cidadão comum, porque o renascimento de El Salvador e da América Latina, refere, está nas pessoas comuns.

As tampas utilizadas na obra foram recolhidas por moradores de Zacamil e recicladores ligados à Associação Nacional de Recolhedores e Recicladores de El Salvador (ASONARES). O projeto contou ainda com o apoio da Fundação Custom Made Stories e da empresa Full Painting. Olivares utilizou as peças na sua cor original, sem serem pintadas, tornando a seleção e classificação do material parte do processo criativo.

Arte urbana com ambições museológicas

Zacamil não é o primeiro local onde Olivares deixou uma intervenção deste género, mas é o local onde deixou a maior. Há anos que o artista desenvolve trabalhos de grande formato com plásticos reutilizados em diferentes países. O seu primeiro projeto emblemático neste formato foi o Oko-Mural, concebido em 2020 em El Hatillo, Caracas, que lançou as bases para uma proposta que, desde então, viajou para pelo menos seis países, incluindo México, Itália, Panamá, França e Arábia Saudita.

A sua obra está presente em cerca de 22 países e foi exposta em feiras e eventos como a ArtExpo New York. Recebeu prémios como o Prémio Ibero-Americano de Empreendedorismo Online, em 2015, e o Prémio Golden Mara, em 2017. Com o tempo, o seu trabalho também atravessou a Europa, com projetos em cidades como Madrid, Pescara e outras capitais do continente.

Em Zacamil, em El Salvador, o artista vê mais do que apenas um mural concluído. Para o autor, a área está a caminho de se tornar um museu ao ar livre, e este trabalho é mais uma peça nessa transformação. A participação da comunidade não foi um pormenor anedótico: em todas as fases do processo, os vizinhos e as instituições locais desempenharam um papel ativo, algo que Olivares descreve como uma parte essencial do seu método de trabalho e não apenas um gesto simbólico.

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