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França: juiz de instrução investiga morte de Jamal Khashoggi em 2018

Príncipe herdeiro saudita Mohammed Ben Salmane em Washington, 19 de novembro de 2025
Príncipe herdeiro saudita Mohammed Ben Salmane em Washington, 19 de novembro de 2025. Direitos de autor  AP Photo/Evan Vucci
Direitos de autor AP Photo/Evan Vucci
De Olivier Tolachides
Publicado a Últimas notícias
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Será aberta uma investigação em França após queixa de várias associações contra o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, acusado de ordenar o assassínio de um jornalista dissidente.

Na sequência de uma queixa apresentada pelas associações Trial International e Repórteres sem Fronteiras (RSF) contra o príncipe herdeiro saudita Mohammed ben Salmane, um juiz de instrução francês vai investigar o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

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O jornalista dissidente, que residia nos Estados Unidos, foi assassinado em 2018 no consulado saudita em Istambul. O corpo, esquartejado, nunca foi encontrado. Os serviços secretos norte-americanos tinham apontado Mohammed bin Salman como diretamente responsável.

Em julho de 2022, aquando de uma passagem do príncipe herdeiro saudita pela França, as associações Trial International e Democracy for the Arab World Now (DAWN), a organização que empregava Jamal Khashoggi, tinham recorrido à justiça, à qual se viria juntar posteriormente uma queixa da RSF.

Mas o Parquet National Antiterroriste (PNAT) tinha-se oposto à abertura de um inquérito em França, por considerar que as associações não tinham legitimidade para apresentar queixa por este tipo de crimes. Decisão duramente criticada pelo advogado da RSF, Emmanuel Daoud, que denuncia "uma realpolitik em nome dos interesses económicos superiores de França, para não desagradar ao poder saudita".

As associações acusam Mohammed bin Salma de cumplicidade em atos de tortura e desaparecimento forçado em bando organizado, imputando-lhe, nomeadamente, ter "ordenado o assassinato por asfixia" de Jamal Khashoggi, cometido pelos seus subordinados.

Segundo o tribunal de recurso, "a possibilidade de estes atos poderem ser qualificados como crimes contra a humanidade não pode ser excluída."

O PNAT confirmou que "um juiz de instrução da secção de crimes contra a humanidade vai agora instruir a queixa".

A DAWN, que afinal não poderá constituir-se assistente no processo, saudou, por seu lado, "uma etapa importante rumo à justiça".

Depois de ter sido colocada à margem da comunidade internacional, a Arábia Saudita recuperou, entretanto, o seu lugar.

Numa reunião com Donald Trump na Casa Branca, no final de 2025, Mohammed bin Salma falou em "erro enorme" a propósito deste assassínio, sem, contudo, reconhecer a sua implicação.

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