A relojoeira de luxo Audemars Piguet estreia-se na Watches and Wonders, em Genebra, com um projeto ambicioso que recupera a sua clássica forma de criar peças de exceção
Para o bem e para o mal, todos se lembram da primeira vez que fazem alguma coisa.
Dar um passo para o desconhecido pode ser assustador, mas também abrir grandes oportunidades de aprendizagem e crescimento. A relojoeira suíça de luxo Audemars Piguet aposta na segunda hipótese ao estrear-se este ano na Watches and Wonders.
Em certo sentido, a empresa viu as opções estreitarem-se. A indústria foi fortemente atingida pela subida dos preços dos metais preciosos e por uma quebra generalizada da procura de bens de luxo.
Poucos, se é que alguém, se atreve a falar já em sinais de retoma, mas a CEO da Audemars Piguet, Ilaria Resta, mostra-se confiante e otimista em relação ao futuro.
«É um momento e um marco importantes para nós, porque celebrámos o 150.º aniversário no ano passado. Agora queremos abrir o próximo capítulo da história da Audemars Piguet em conjunto com o resto da indústria», afirma Resta. «Acreditamos que esta plataforma é uma ótima oportunidade para nos ligarmos a outros intervenientes do setor, aprendermos uns com os outros e celebrarmos esta extraordinária indústria relojoeira.»
A Audemars Piguet tem boas razões para estar otimista. Parte da sua presença na Watches and Wonders é a apresentação do inovador «AP Lab», um elaborado espaço temporário no coração de Genebra onde quem tem curiosidade sobre o setor pode aprender mais com os relojoeiros da marca.
«É um formato muito particular que é, basicamente, um espaço de contacto com os nossos relojoeiros, um espaço de aprendizagem, um espaço de descoberta aberto a todos, ao público em geral, às crianças, às famílias, a quem quiser saber mais sobre relojoaria», acrescenta Resta.
Mulheres e relógios
Resta espera que esta política de portas abertas ajude também a pôr fim à ideia de que o setor da relojoaria de luxo é extremamente conservador, claramente dominado por homens e preso a tradições ultrapassadas.
Ela própria é a prova de que as mulheres ocupam cargos de destaque na indústria e, garante, essa realidade vê-se em todos os níveis.
«As mulheres trabalham em relojoaria há séculos... Os relógios de pulso foram inventados para mulheres e, se olharmos para os dados para 2030, 45% das compras de relógios mecânicos serão feitas por mulheres.»
«Vemos cada vez mais mulheres a comprar relógios de grandes complicações. Para mim também é importante quebrar a narrativa de que há relógios para homens e relógios para mulheres. Não acredito nisso, porque não é isso que mulheres ou homens pedem. Há hoje uma fusão entre estes dois segmentos e as pessoas gostam simplesmente de relógios complicados.»
A pensar no futuro
O otimismo de Resta é tão contagiante quanto o entusiasmo parece inesgotável.
Admite, contudo, que a indústria no seu conjunto atravessa dificuldades, aludindo à incerteza persistente no Médio Oriente, mas, mais perto de casa, aponta para um renovado sentido de solidariedade em todo o setor.
«É um momento muito vibrante para a relojoaria, embora seja uma fase difícil para a indústria no seu conjunto, mas vemos muita criatividade. Fico muito satisfeita por termos o nosso stand muito perto das marcas independentes. Existe realmente a vontade de continuar a levar mais longe os limites do que achamos possível, do ponto de vista mecânico, mas também da decoração.»
A Watches and Wonders é também a plataforma de lançamento do mais recente projeto da Audemars Piguet, o «Atelier d'Etablisseur»: uma homenagem às técnicas ancestrais em que a casa sempre confiou, agora combinadas com tecnologia de ponta para criar novos produtos, com novos materiais e novos criadores.
Parte desse saber-fazer ficará em evidência durante o fim de semana, quando a Audemars Piguet apresentar três novos relógios: o Etablisseur Galette, o Etablisseurs Nomade e o Etablissesur Peacock.
Para saber mais sobre os planos da Audemars Piguet, veja a entrevista completa com Ilaria Resta no leitor principal.