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Gigante do luxo LVMH abranda crescimento das vendas no primeiro trimestre

ARQUIVO. Bernard Arnault, CEO da LVMH, fala numa conferência de imprensa, jan. 2020
ARQUIVO. Presidente executivo da LVMH, Bernard Arnault, fala numa conferência de imprensa, jan. 2020 Direitos de autor  AP Photo/Thibault Camus
Direitos de autor AP Photo/Thibault Camus
De Quirino Mealha
Publicado a
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A LVMH registou um aumento modesto de 1 % nas receitas orgânicas no primeiro trimestre de 2026, ficando aquém das expectativas do mercado.

Maior conglomerado mundial de bens de luxo, a LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton registou uma subida de 1% nas receitas orgânicas nos primeiros três meses de 2026, para cerca de 19,1 mil milhões de euros.

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O resultado ficou ligeiramente abaixo dos 2% de crescimento esperados pelos analistas, sinalizando uma fase de consolidação para o líder do setor.

À hora de redação, as ações da LVMH recuavam mais de 2% após o anúncio.

O Médio Oriente tornou-se um importante travão para o grupo, com as vendas na região a caírem em dois dígitos, sobretudo devido à guerra no Irão.

Segundo a conferência de resultados da empresa, esta quebra regional retirou cerca de 1 ponto percentual ao crescimento do grupo no trimestre.

Apesar de os gastos locais em várias outras zonas darem sinais de recuperação, as perdas nos mercados europeu e japonês anularam ganhos mais fortes nos Estados Unidos e noutras partes da região Ásia-Pacífico.

O conjunto dos resultados mostra que mesmo as marcas de topo permanecem vulneráveis à volatilidade económica e política global.

Desempenho misto nas principais divisões

A principal divisão de moda e artigos de couro da LVMH registou uma quebra de 2% nas vendas orgânicas, para cerca de 9,2 mil milhões de euros. A descida foi mais acentuada do que a estagnação antecipada por muitos analistas.

Ainda assim, a divisão beneficiou da resiliência da marca de referência Louis Vuitton e de melhorias significativas na Dior.

A insígnia de topo Loro Piana conseguiu crescer a dois dígitos, sinal de que o chamado “luxo discreto” continua a atrair os clientes ultrarricos.

Já a divisão de vinhos e espirituosas surpreendeu pela positiva, com um aumento de 5% nas receitas orgânicas. O crescimento foi impulsionado pelo agendamento estratégico de envios de conhaque antes do Ano Novo chinês e por uma estabilização do mercado de champanhe.

O segmento de relojoaria e joalharia manteve igualmente um dinamismo sólido, ao registar uma subida de 7% nas vendas orgânicas, impulsionada pela transformação em curso da Tiffany e pela continuidade da força da BVLGARI.

Perspetivas de mercado e ajustamentos estratégicos

Analistas reagiram a estes resultados com uma postura cautelosa, mas globalmente favorável.

O Deutsche Bank reviu as perspetivas, reduzindo o preço-alvo das ações da LVMH de 620 para 600 euros, mas mantendo a recomendação de “comprar”.

O banco cortou ainda em 3% a previsão de lucros por ação para o conjunto de 2026, invocando o desempenho mais fraco da moda e margens de lucro mais pressionadas.

Para o futuro, a gestão está a reforçar o foco no controlo de custos em todas as regiões, garantindo, porém, que isso não será feito à custa do crescimento futuro.

Os investidores aguardam também a segunda metade do ano, período que deverá beneficiar de novas direções criativas em marcas como a Dior.

Segundo especialistas do setor, uma eventual resolução dos conflitos no Médio Oriente seria um importante catalisador positivo para as ações do grupo nos próximos meses.

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