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Alemanha: revelados os inquietantes santos dourados das catacumbas

Esqueleto ricamente decorado jaz na igreja do mosteiro católico de Banz, em Bad Staffelstein, Alemanha, sábado, 2 de maio de 2026.
Um esqueleto ricamente ornamentado jaz na igreja do mosteiro católico de Banz, em Bad Staffelstein, Alemanha, no sábado, 2 de maio de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Sertac Aktan com AP
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Conhecidos como Vincenzius, Valerius, Benedictus e Felix Benedictus, estes santos das catacumbas foram levados de Roma para a cidade bávara de Bad Staffelstein nos finais do século XVII e ao longo do século XVIII; crê-se que os restos sejam de mártires cristãos dos primeiros tempos

Quatro esqueletos completos envolvidos em seda, cobertos de joias de ouro, prata, rendas e pedras preciosas... Um cenário que tem arrepiado muitos visitantes da igreja do mosteiro católico de Banz, no sul da Alemanha.

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Estes corpos inquietantes – conhecidos como Vincenzius, Valerius, Benedictus e Felix Benedictus – são os restos dos chamados santos das catacumbas, trazidos de Roma, nos finais do século XVII e ao longo do século XVIII, para o mosteiro beneditino perto da localidade bávara de Bad Staffelstein.

Desde então, as relíquias são exibidas como lembrança de que é possível encontrar esperança em tempos difíceis**.**

"Foi no fim da Guerra dos Trinta Anos. Era uma época terrível", explica o padre Walter Ries. "Três quartos da população alemã simplesmente pereceram. As guerras, as pestes, tudo isso foi horrível também aqui. E, através do barroco, as pessoas tentaram abrir a porta do céu. Por isso, tudo foi concebido de forma tão bela. Era, simplesmente, uma fuga ao presente, que muitas vezes era tão terrível. E é por isso que estes esqueletos inquietantes foram ricamente vestidos e representados da forma mais vívida possível".

A responsável pela igreja, Anita Gottschlich, admite que é algo assustador, mas sublinha também o quão marcante é.

"É, na verdade, um pouco arrepiante", sussurra, olhando para um dos esqueletos, que parece encará-la através das órbitas vazias. "Reparo que, quando vêm cá pessoas mais velhas que visitaram o espaço em crianças, procuram sempre os Santos Corpos, porque ainda se lembram deles", acrescenta, salientando a fascinação duradoura que estes esqueletos exercem sobre pessoas de todas as idades.

Embora possam causar incómodo a alguns visitantes, os santos das catacumbas, ou "Santos Corpos", continuam a encontrar-se em muitas igrejas e mosteiros católicos barrocos por toda a Baviera.

Os esqueletos, muitas vezes apresentados em vitrinas de vidro em forma de caixão, são também presença habitual em igrejas na vizinha Áustria, bem como na Suíça, em Chéquia e em Itália.

Os Santos Corpos são restos mortais encontrados nas catacumbas romanas. Segundo a lenda, difundida na Idade Média, estas relíquias seriam os restos de mártires dos primórdios do Cristianismo em Roma, descobertos no século XVI em sepulturas anónimas nas catacumbas da cidade.

"Na altura, a Igreja simplesmente declarou-os todos santos", conta Ries. "E, claro, em muitos países, incluindo a Alemanha, as comunidades queriam possuir tais restos sagrados, essas relíquias, simplesmente porque isso valorizava a sua própria igreja ou mosteiro e podia até transformá-los num local de peregrinação".

Para garantir que ver os Santos Corpos seja uma experiência excecional, estes ficam escondidos durante grande parte do ano por painéis de madeira, fixados à frente das vitrinas, que representam os respetivos esqueletos.

Em ocasiões especiais, como o Dia de Todos os Santos, os painéis são retirados e os Santos Corpos são mostrados aos fiéis.

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