Diligências foram confirmadas à Euronews. "Operação Imergente" investiga a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio.
A Polícia Judiciária (PJ) tem em curso esta quinta-feira uma operação que visa o poder autárquico do PS. As diligências foram confirmadas à Euronews por fonte da Polícia Judiciária, que informou entretanto em comunicado que foram feitas cinco detenções e constituídos 37 arguidos na chamada "Operação Imergente".
"A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, está a realizar uma operação policial, para cumprimento de 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, em que se investiga a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia", lê-na declaração remetida pela PJ.
"Até ao momento, foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e constituídos 37 arguidos. Em causa estão procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público", acrescenta a nota da PJ, que refere ainda que a operação mobilizou cerca de 400 inspetores e peritos da Polícia Judiciária e sete magistrados do Ministério Público.
Os detidos serão presentes no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.
Investigado o "polvo do poder autárquico"
A notícia foi avançada pela CNN Portugal, que referiu que as buscas estender-se-ão à sede do Partido Socialista em Lisboa.
A investigação visa, refere a estação, "um alegado polvo montado em torno do poder autárquico do PS"; os crimes em causa estarão relacionados com a "contratação de militantes e a adjudicação de serviços a empresas de socialistas, por ajuste direto, que ascenderam a mais de 800 mil euros só entre os anos de 2016 e 2022", indica a CNN Portugal.
No centro da investigação estará a junta de freguesia de Santa Maria Maior, que era liderada por Miguel Coelho, um dos principais visados pela operação, adianta a CNN Portugal. A estação revela que o antigo autarca terá contratado em Mafra "uma rede de nove elementos ex-candidatos do PS àquela autarquia, com Sérgio Santos à cabeça", tendo alegadamente a rede contratado 19 empresas ligadas a militantes socialistas. A mulher de Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa, é segundo a CNN Portugal uma das beneficiárias destes ajustes diretos. O próprio Duarte Moral, acrescenta a estação, estará entre os detidos.
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