Com os casos de corrupção na Hungria e em Espanha no centro das atenções, o responsável da UE pela pasta da Justiça, Michael McGrath, falou com a Euronews sobre a fraude na União Europeia – alertando que, sem reformas, a corrupção agrava-se e "desvia recursos públicos valiosos".
Em declarações exclusivas à Euronews, o comissário europeu para a Justiça, Michael McGrath, afirmou que, embora não comente escândalos individuais de corrupção, a política da União Europeia é clara: “Temos uma política de tolerância zero."
“O mais importante é que as autoridades nacionais, em qualquer caso, possam fazer o seu trabalho sem interferências, que sigam as provas e levem o processo até ao desfecho adequado”, acrescentou McGrath.
Espanha está atualmente a braços com um escândalo de corrupção envolvendo o Partido Socialista no poder, com a sede do partido em Madrid alvo de uma rusga na quarta-feira e três ex-membros do partido a serem oficialmente investigados por alegadamente tentarem influenciar a polícia, bem como processos judiciais.
Desde 2018 à frente do governo espanhol, Pedro Sánchez não foi diretamente mencionado em nenhuma investigação.
McGrath disse ao programa Europe Today, da Euronews, que, em termos gerais, a corrupção é “insidiosa”, “retira recursos valiosos ao setor público” e “mina a confiança dos cidadãos nas instituições e na própria democracia”.
Em Bruxelas, o primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, reúne-se também na sexta-feira com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir o desbloqueio de 10 mil milhões de euros congelados devido a questões relacionadas com o Estado de direito sob a liderança do antigo primeiro-ministro, Viktor Orbán.
Magyar fez do desbloqueio destes fundos um dos pilares fundamentais da sua plataforma política, que o levou ao poder nas eleições parlamentares de abril. No entanto, o político do Tisza enfrenta um prazo apertado no mês de agosto e, caso não se chegue a um acordo com Bruxelas sobre a aceleração das reformas, o financiamento perder-se-á.
“Tivemos um bom começo no restabelecimento das relações com o governo húngaro”, afirmou McGrath.
“Estamos presentes, enquanto Comissão, para trabalhar com eles e apoiá-los no caminho para restaurar o Estado de direito e o compromisso com o respeito pelos direitos fundamentais de todos os cidadãos da Hungria."
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