O chefe de Estado aproveita a visita ao Canadá para entregar em mão à autora de 'A história da serva' o seu reconhecimento, 18 anos depois de lhe atribuir o Prémio Princesa das Astúrias das Letras
Felipe VI formalizou, quase duas décadas depois do reconhecimento estatal da grande dama das letras canadianas através do Prémio Princesa das Astúrias das Letras, a entrega do Prémio Joan Margarit, criado pelo Instituto Cervantes em setembro passado.
Mónica e Pol Lezcano Margarit, filha e neto do poeta e catedrático de arquitetura catalão falecido em 2021, foram encarregados de fazer uma leitura de poemas escritos tanto por Margaret Atwood como pelo seu familiar durante a cerimónia, que decorreu na Universidade Victoria.
"Gostaríamos", disse o rei durante o seu discurso, "que recebesses este prémio como prova de gratidão por nos teres ensinado a ler melhor: como ler o nosso tempo, como ler as nossas sociedades e como lermo-nos a nós próprios".
O chefe de Estado termina esta quinta-feira uma viagem de três dias ao Canadá, acompanhado pelo vice-presidente primeiro e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, com paragens em Ottawa e Toronto. Ambos participaram em vários encontros empresariais e foram recebidos, entre outros responsáveis políticos, pelo primeiro-ministro trabalhista Mark Carney.
Atwood, num discurso intitulado 'Poesia em tempos difíceis', recordou que, nos regimes autoritários, os poetas "têm estado entre os primeiros a ser silenciados, porque podiam dizer o proibido, e dizê-lo de forma convincente, o que se revela ameaçador para os autocratas".