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Sánchez anuncia maior campanha estatal contra incêndios: "Perante o fogo não há ideologias"

Pedro Sánchez apresenta a campanha de combate aos incêndios florestais de 2026 na Base Aérea de Torrejón de Ardoz, Madrid, quinta-feira, 21 de maio de 2026.
Pedro Sánchez apresenta a campanha de combate aos incêndios florestais de 2026 na Base Aérea de Torrejón de Ardoz, Madrid, quinta-feira, 21 de maio de 2026. Direitos de autor  FERNANDO CALVO/La Moncloa
Direitos de autor FERNANDO CALVO/La Moncloa
De Lucia Blasco
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O Governo espanhol vai antecipar de 15 para 1 de junho a campanha oficial contra incêndios florestais e reforçar meios aéreos, drones e vigilância após um 2025 recorde, em que arderam mais de 350 mil hectares no país.

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, apresentou esta quinta-feira na base aérea madrilena de Torrejón de Ardoz, sede da Unidade Militar de Emergências (UME), "o maior dispositivo do Estado para uma campanha de combate aos incêndios", perante uma época que se antevê especialmente complicada depois dos incêndios recorde do ano passado.

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Espanha entra no início do verão depois de registar o ano mais destrutivo em incêndios florestais em décadas. Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), mais de 350 000 hectares arderam em Espanha em 2025, durante o verão mais quente até agora registado no país.

"Vamos mobilizar todos os meios ao alcance da Administração-Geral do Estado para reduzir ao máximo esta situação de emergência e impedir que se volte a repetir nesta dimensão", afirmou Sánchez durante a apresentação, recuperando o lema das campanhas de combate aos incêndios da década de 80: "Todos contra o fogo".

"O fogo não pede licença", escreveu nas redes sociais (fonte em espanhol). "Todos os anos nos atinge e, infelizmente, fá-lo com mais força, chega mais cedo e é mais difícil de combater." Sánchez assinalou que"negar a realidade" da emergência climática "não salva nenhuma serra, não protege nenhuma povoação nem evita qualquer perda" e defendeu que a única resposta inteligente ao desafio de incêndios cada vez mais ferozes e agressivos é "ouvir a ciência e antecipar".

Mais aviões, helicópteros e vigilância tecnológica

O Ministério da Administração Interna vai antecipar, pelo segundo ano consecutivo, o início oficial da campanha de combate aos incêndios para 1 de junho, duas semanas antes da data habitual, perante o aumento do risco decorrente das temperaturas elevadas.

O dispositivo contará com novos meios aéreos e tecnológicos, entre os quais uma frota de 10 aviões anfíbios, quatro helicópteros Chinook (para transporte de carga pesada), dois helicópteros Cougar, drones, câmaras térmicas, viaturas especializadas e sistemas avançados de vigilância e deteção. Sánchez salientou ainda a incorporação de um kit de combate a incêndios para aviões A400M.

Sánchez sublinhou também a importância da sensibilização da população e adiantou que o Governo vai alargar o Plano de Formação em Emergências nos Estabelecimentos de Ensino (fonte em espanhol), com o objetivo de chegar a 25.000 escolas e institutos. "Precisamos de formação em emergências; que as novas gerações saibam como agir e conheçam até futuras profissões ligadas à proteção civil", reforçou.

Um voluntário reage perante um incêndio florestal em Larouco, noroeste de Espanha, na quarta-feira, 13 de agosto de 2025. (AP Photo/Lalo R. Villar)
Um voluntário reage perante um incêndio florestal em Larouco, noroeste de Espanha, na quarta-feira, 13 de agosto de 2025. (AP Photo/Lalo R. Villar) Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved.

Apelo a um pacto climático

Durante a intervenção, Sánchez apelou à "unidade" e à "lealdade institucional" perante a ameaça dos incêndios. "Esta batalha ganha-se em conjunto", afirmou o chefe do Governo. "Perante o fogo não há ideologias nem fronteiras de competências."

Sánchez adiantou que serão unificados critérios básicos de atuação das administrações e será estabelecido um protocolo de utilização dos meios aéreos, além de se reforçar a coordenação aérea e a comunicação de emergências.

"O fogo não distingue entre administrações, não pergunta quem governa", acrescentou o líder socialista, que defendeu um "pacto nacional contra a emergência climática".

O sul da Europa tornou-se uma das regiões mais vulneráveis aos fenómenos extremos associados às alterações climáticas, com incêndios florestais, ondas de calor e secas cada vez mais frequentes.

Em 2025, Espanha enfrentou vários episódios de calor extremo. As temperaturas elevadas e a falta de chuva aumentaram o risco de incêndios em vastas áreas do país, sobretudo nas regiões mediterrânicas e no oeste peninsular, onde os especialistas alertam para épocas de fogo cada vez mais longas e intensas.

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