O Plano de Investimento na Defesa tem sofrido sucessivos atrasos, apesar dos alertas de que as Forças Armadas britânicas enfrentam um grave défice de financiamento.
O ministro da Defesa britânico John Healey demitiu-se esta quinta-feira, invocando insuficiências nos planos de despesa em defesa do governo
Numa carta dirigida ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Healey criticou o financiamento para o há muito aguardado Plano de Investimento na Defesa (DIP na sigla original) e afirmou que não tinha "outra opção" senão demitir-se.
O DIP, inicialmente previsto para ser apresentado no outono de 2025, deverá definir a despesa em defesa do Reino Unido para a próxima década, mas tem sofrido sucessivos adiamentos, apesar dos avisos de que as forças armadas do país enfrentam um grave défice de financiamento.
"O pacote financeiro que propõe para o DIP, que me foi apresentado na íntegra pela primeira vez na tarde de segunda-feira desta semana, fica muito aquém do necessário para a defesa e para o país neste momento perigoso", escreveu Healey na carta de demissão.
"Sabe de que é que a defesa precisa", prosseguiu. "Sem um DIP à altura do momento, sou forçado a tomar decisões que reduziriam o grau de prontidão das nossas Forças e aumentariam o risco para o pessoal em operações, podendo tornar o país menos seguro".
Healey acrescentou que o governo trabalhista continuaria a contar com o seu apoio e que se orgulhava do trabalho que realizou no cargo.
A decisão inesperada de Healey e o trabalho desenvolvido como ministro da Defesa foram recebidos com elogios de vários quadrantes em Westminster.
Al Carns, ministro de Estado das Forças Armadas do Reino Unido e deputado trabalhista por Birmingham Selly Oak, afirmou que Healey prestou ao país "um serviço sério numa altura séria".
"Trabalhei de perto com ele. Vi as horas, o cuidado e a seriedade que dedicou a cada dossier, incluindo aos mais difíceis", escreveu na rede X, acrescentando que o Ministério da Defesa enfrenta problemas que "não têm respostas fáceis".
Robert Jenrick, do Reform UK, também reagiu, elogiando a decisão de Healey e defendendo que Starmer e a ministra das Finanças, Rachel Reeves, deveriam igualmente demitir-se.
"Este governo tem todo o dinheiro do mundo para os planos loucos de Ed Milliband, para a ajuda externa e para prestações sociais para estrangeiros, mas nada para as nossas forças armadas. Ainda bem que John Healey o fez. Vergonha para eles", afirmou.
Num comentário nas redes sociais, o deputado conservador e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros James Cleverly acrescentou que sempre "respeitou" Healey e que este "leva claramente mais a sério a defesa do país e dos nossos interesses do que Keir Starmer ou Rachel Reeves".
A demissão de Healey surge numa altura de pressão crescente sobre Starmer e é a mais recente de uma série de saídas ministeriais desde que o antigo ministro da Saúde Wes Streeting deixou o cargo, em maio.