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Reino Unido: dois homens condenados por conspiração para incendiar imóveis ligados a Keir Starmer

Primeiro-ministro britânico Keir Starmer sai de 10 Downing Street
Primeiro-ministro britânico Keir Starmer sai do número 10 de Downing Street Direitos de autor  AP Photo
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De Rebecca Rommen
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Dois homens foram considerados culpados por atearem fogo a imóveis ligados a Starmer. O caso levanta dúvidas sobre interferência estrangeira na vida pública britânica.

Um tribunal de Londres condenou esta segunda-feira dois homens por conspirarem para levar a cabo uma série de ataques incendiários contra propriedades ligadas ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, orquestrados por uma misteriosa figura de língua russa que continua por identificar.

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Roman Lavrynovych, de 22 anos e de nacionalidade ucraniana, e Stanislav Carpiuc, de 27 anos, cidadão romeno, foram considerados culpados no tribunal de Old Bailey por conspiração para provocar danos em bens através de incêndios. Lavrynovych foi ainda condenado por duas acusações de incêndio criminoso, sem atender ao perigo para a vida. Um terceiro arguido, Petro Pochynok, de 35 anos, foi absolvido. Os homens deverão conhecer a sentença na sexta-feira.

Três incêndios durante a noite

Os três incêndios, todos provocados durante a noite, em maio de 2025, tiveram como alvo bens associados a Keir Starmer. Entre estes estavam um automóvel Toyota; a entrada de um edifício de apartamentos, no norte de Londres, onde Starmer tinha exercido funções de administração; e a sua antiga casa em Kentish Town, posteriormente alugada à cunhada após a mudança para Downing Street. Não houve registo de feridos.

Os ocupantes do edíficio foram, ainda assim, colocados em perigo. A cunhada de Starmer ouviu uma forte explosão e teve dificuldade em respirar quando o fumo encheu as escadas do edifício, deixando a filha de nove anos aterrorizada. Também um residente do prédio foi obrigado a refugiar-se no telhado, uma vez que os corredores tinham sido tomados pelo fumo.

Starmer disse aos deputados que os crimes foram "um ataque... à democracia e aos valores que defendemos".

Lavrynovych foi recrutado através da aplicação de mensagens Telegram por uma figura de língua russa conhecida como "El Money", que lhe ofereceu 3.000 libras (3.500 euros) em criptomoeda, que disse precisar para pagar o tratamento médico do pai. "El Money" forneceu instruções detalhadas sobre os alvos, a forma de misturar substâncias inflamáveis e como evitar a deteção.

O arguido admitiu ter ateado fogo, mas afirmou que desconhecia a identidade dos proprietários dos imóveis e que não sabia quem era Keir Starmer. Disse, ainda, que só prosseguiu com a ação depois de ter sido alegadamente ameaçado por "El Money" e que nunca chegou a receber qualquer pagamento.

Carpiuc desempenhou um papel de coordenação, tratando da logística e dos acordos de pagamento, enquanto Pochynok terá sido recrutado para filmar os incêndios como prova de que a missão estava concluída.

Permanecem dúvidas sobre eventual ligação estatal

A comandante Helen Flanagan, chefe da unidade antiterrorismo da polícia de Londres, disse que os ataques foram claramente concebidos para intimidar e criar medo, mas acrescentou que não havia "provas que sugiram que se tratou de uma ameaça apoiada pelo Estado". Frank Ferguson, responsável máximo pela luta antiterrorista do Serviço de Acusação da Coroa, afirmou que as condenações demonstram que "quem comete atos criminosos, incluindo atos de incêndio criminoso, para promover a sua própria agenda ou a de outros, será alvo de uma investigação exaustiva e de uma acusação firme".

O caso suscitou, ainda assim, ampla especulação. O Financial Times revelou que a sua própria investigação concluiu que El Money se encontrava na Rússia e estava ligado a um proeminente grupo de piratas informáticos chamado NoName.

Uma investigação da BBC foi mais longe, afirmando ter encontrado indícios que ligam os ataques ao Estado russo, apontando ainda um jovem diplomata russo como provável intermediário. Estas alegações foram rejeitadas pela embaixada russa, que afirmou que Moscovo “não alimenta quaisquer intenções agressivas em relação ao Reino Unido”.

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