Stuart Murdoch, vocalista da banda, diz que a canção espelha cinco décadas a acompanhar os altos e baixos da seleção nacional da Escócia
A última vez que a Escócia se apurou para um Mundial de futebol, os escoceses de indie rock Belle and Sebastian preparavam-se para lançar o álbum marcante 'The Boy with the Arab Strap'.
Agora a Escócia está de volta e a banda também – com um hino para o Mundial dirigido a uma geração de escoceses que nem sequer eram nascidos da última vez que o país marcou presença na prova.
Numa altura em que a febre do futebol toma conta da Escócia antes do jogo de abertura contra o Haiti, a 14 de junho – a primeira presença no maior palco do futebol desde França 1998 –, os ícones indie de Glasgow lançaram 'It Only Takes One Lion', um hino não oficial para a Tartan Army.
A canção foi escrita na sequência da dramática campanha de qualificação da Escócia, que culminou no ano passado numa vitória por 4-2, nos descontos, sobre a Dinamarca.
Produzida e coescrita por Pete Ferguson, mais conhecido como Wuh Oh, a faixa junta o calor e o humor característicos dos Belle and Sebastian a décadas de frustração e esperança no futebol.
"É uma canção pessoal sobre seguir as peripécias da seleção escocesa nos últimos 50 anos", afirmou o vocalista Stuart Murdoch em comunicado. "A canção tenta abarcar a experiência de todo o país a acompanhar a Escócia."
A música mais famosa do futebol
Belle and Sebastian estão longe de ser os primeiros músicos a tentar captar o otimismo, a ansiedade e, por vezes, a ilusão que acompanham uma campanha num Mundial.
Para o Mundial de 1990, em Itália, a FIFA inaugurou a sua tradição moderna de canções oficiais do torneio com 'Un’estate italiana'. Composta por Giorgio Moroder e interpretada por Gianna Nannini e Edoardo Bennato, a faixa continua a ser uma das preferidas dos adeptos mais de três décadas depois.
O tema 'La Copa de la Vida', de Ricky Martin, chegou oito anos mais tarde e deu a banda sonora, com ritmo de samba, ao Mundial de França 1998.
O Mundial da África do Sul 2010, claro, ficou marcado por Shakira. 'Waka Waka (This Time for Africa)' tornou-se um êxito global que acabou por ultrapassar o próprio futebol, tal como a vuvuzela, cujo zumbido entrou na cultura pop durante o mesmo torneio.
As seleções nacionais inspiraram também muitas outras canções.
'Three Lions', de Inglaterra, deu ao léxico futebolístico a expressão "It’s coming home", enquanto os adeptos escoceses de certa idade talvez se lembrem de 'Don’t Come Home Too Soon', dos Del Amitri, lançada antes de França 1998. (Infelizmente, a Escócia voltou mesmo para casa cedo de mais.)
Um percurso com história
Liderados pelo vocalista Stuart Murdoch, os Belle and Sebastian formaram-se em Glasgow em 1996 e acabaram por conquistar reconhecimento mundial.
Ao longo das últimas três décadas, lançaram 12 álbuns de estúdio, incluindo 'The Boy with the Arab Strap', de 1998, que ajudou a garantir uma surpreendente vitória na categoria de Revelação do Ano nos BRIT Awards de 1999.
Apesar de se terem aventurado por territórios mais próximos do synth-pop, o álbum mais recente, 'Late Developers', foi lançado em 2023 e recebeu críticas positivas.
Os Belle and Sebastian estão atualmente em digressão para assinalar os 30 anos dos álbuns 'Tigermilk' e 'If You’re Feeling Sinister'. Ambos saíram em 1996, o mesmo ano em que a Tartan Army regressou do Euro 96 com uma vitória, um empate, uma derrota e mais uma história familiar de "o que poderia ter sido".
Se preferir uma banda sonora menos delicada, pode sempre ouvir o próprio álbum do Mundial da FIFA, com temas de pesos pesados globais como os The Rolling Stones, Lisa, Daddy Yankee, Jelly Roll e Major Lazer com Nelly Furtado e Davido.
O álbum de 18 faixas chega às principais plataformas de streaming a 6 de junho.
E, sim, Shakira continua bem presente no imaginário dos Mundiais.
Este ano, a estrela colombiana juntou-se ao nigeriano Burna Boy, ícone do Afrobeats, em 'Dai Dai', o hino oficial do Mundial de futebol de 2026 da FIFA.