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Canal da Mancha: 173 pessoas resgatadas numa das maiores operações desde 2018

Um barco salva-vidas da SNSM, muito envolvido no salvamento de migrantes que tentam atravessar o Canal da Mancha, de França para o Reino Unido.
Embarcação de salvamento da SNSM, muito envolvida no resgate de migrantes que tentam atravessar o Canal da Mancha da França para o Reino Unido Direitos de autor  AP Photo/Jean-Francois Badias
Direitos de autor AP Photo/Jean-Francois Badias
De Nathan Joubioux com AP & AFP
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O ministro do Interior de França, Laurent Nuñez, destacou uma diminuição significativa no número de travessias do Canal da Mancha bem-sucedidas desde o início do ano.

Foi realizada, esta terça-feira, 4 de agosto, uma importante operação de salvamento para prestar assistência a 173 pessoas que tentavam chegar ao Reino Unido a partir de França, segundo informaram as autoridades de ambos os países. Trata-se de uma das maiores operações deste tipo desde o início dos registos, em 2018.

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O bote insuflável ainda se encontrava na zona francesa de busca e salvamento quando o seu motor se incendiou. A embarcação começou então a desintegrar-se, informou a prefeitura marítima do Canal da Mancha e do Mar do Norte. O incidente "obrigou os seus ocupantes a atirarem-se à água", precisou a prefeitura de Pas-de-Calais.

As autoridades francesas mobilizaram então dois navios de socorro, um helicóptero da Marinha Nacional e equipas médicas. A Royal National Lifeboat Institution (RNLI), organização de caridade especializada em salvamento marítimo, e a Border Force britânica também participaram na operação.

O acidente não causou vítimas: 110 pessoas foram resgatadas pelas equipas francesas e as restantes 63 pelas equipas de socorro britânicas. Todas foram desembarcadas no porto de Boulogne-sur-Mer para receberem cuidados médicos e assistência.

A embarcação tinha partido da aldeia normanda de Veules-les-Roses por volta das 6 horas da manhã, segundo indicaram as autoridades francesas e a RNLI. Desde a sua partida, estava sob vigilância das equipas de socorro francesas.

Travessia feita à custa da própria vida

As autoridades marítimas francesas recordam que os migrantes que tentam atravessar o Canal da Mancha a bordo de embarcações improvisadas recusam-se frequentemente a ser socorridos enquanto não se encontrem em perigo imediato. As equipas de salvamento não intervêm à força, a fim de evitar qualquer risco de capotamento que possa colocar os passageiros em perigo.

As embarcações estão frequentemente sobrecarregadas. As autoridades marítimas francesas declararam que o número médio de pessoas amontoadas a bordo destas embarcações passou de 26 em 2021 para 65 desde o início do ano.

Nas últimas semanas, testemunhas em França afirmaram ter visto embarcações maiores do que o habitual a atravessar o Canal da Mancha, com cerca de 12 metros, contra os oito a 10 metros habituais.

Na quinta-feira, 30 de julho, quatro pessoas morreram em duas tentativas distintas de atravessar o Canal da Mancha. Desde o início do ano, pelo menos catorze pessoas perderam a vida na travessia, de acordo com um balanço da AFP baseado em fontes oficiais francesas e britânicas. No ano passado, já tinham morrido 29 migrantes.

Tentativas de travessia em queda

O governo britânico demonstra uma "determinação inabalável" para resolver o problema, assegurou o primeiro-ministro Andy Burnham. "Estão a ser feitos progressos, mas não baixamos a guarda."

Para tentar conter estas travessias, Londres e Paris assinaram, no início deste ano, um acordo de vários milhões de euros. Este prevê, nomeadamente, o reforço das patrulhas policiais e da vigilância na costa norte de França. O dispositivo inclui também a implementação de novas tecnologias para combater os "taxi boats", pequenas embarcações a motor, geralmente insufláveis, utilizadas pelos traficantes para recolher migrantes ao longo da costa norte de França.

Um acordo que parece já estar a ter impacto. "O número de travessias diminuiu 50% este ano, em comparação com o mesmo período de 2025", congratulou-se Andy Burnham. "O mês de julho que acabámos de viver foi mesmo aquele que registou o menor número de travessias dos últimos seis anos. Há, portanto, claramente progressos, mas não nos vamos acomodar. Vamos prosseguir os nossos esforços sem tréguas."

Um balanço também destacado esta terça-feira por Laurent Nuñez, ministro do Interior de França. "Desde o início do ano, o número de travessias bem-sucedidas foi de 160, contra 413 no ano passado, no mesmo período. O número de pessoas que conseguiram atravessar foi de 24.000 no ano passado, tendo descido para 10.000. E a taxa de insucesso das travessias era de 58%, tendo subido para 65% desde o início do ano", enumerou durante uma conferência de imprensa.

Imigração: um tema cada vez mais presente na Europa

Estas chegadas constituem um verdadeiro quebra-cabeças para os sucessivos governos britânicos. Chegaram mesmo a reforçar o apoio ao partido de extrema-direita Reform UK, liderado por Nigel Farage.

Um tema que o novo primeiro-ministro britânico pretende abordar. "Temos de resolver este problema, em vez de o transformar num tema de política partidária." Andy Burnham pretende "enfrentá-lo", "retomar o controlo da situação" e "implementar as mudanças que permitirão tranquilizar a população".

E garante: os britânicos não querem uma fronteira que pareça estar fora de controlo. "Temos de retomar o controlo das nossas fronteiras, continuando, ao mesmo tempo, a prestar apoio às pessoas que realmente precisam de proteção", sublinhou ainda.

Ceuta, o exclave espanhol que cristalizou as tensões

A semana passada, a entrada de cerca de 72.000 marroquinos no exclave espanhol de Ceuta provocou a indignação de vários líderes do continente: Roma e Copenhaga, nomeadamente, solicitaram a exclusão de Espanha do espaço Schengen, apesar de os controlos serem obrigatórios nesse território.

Os ministros europeus do Interior reuniram-se, esta terça-feira, numa reunião informal. "Chegaram a acordo" de que o espaço Schengen não era "o problema", mas "sim a solução", afirmou Laurent Nuñez. No final desta videoconferência, o ministro do Interior de França manifestou o seu pesar pelas "dissensões" surgidas no seio da UE, tendo alguns países praticado "ingerência" para "atacar a União Europeia".

“Em caso algum o espaço Schengen foi comprometido nesta crise", referiu, por seu lado, Fernando Grande-Marlaska Gómez, ministro do Interior de Espanha. "O espaço Schengen nunca esteve em perigo, nem sequer num perigo mínimo."

Mais de 70.000 pessoas já regressaram a Marrocos, precisou Fernando Grande-Marlaska Gómez. No entanto, o balanço humano, que é apenas provisório, ascende a 75 mortos.

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