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Turista leva para Múrcia quadro de Sorolla perdido em Sevilha: 'Achei a moldura gira'

Quadro 'Pescadores valencianos' de Joaquín Sorolla em exposição na leiloeira Sotheby's
Quadro «Pescadores valencianos», de Joaquín Sorolla, em exibição na casa de leilões Sotheby's Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Cristian Caraballo
Publicado a Últimas notícias
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Turista de Múrcia, 57 anos, apanhou em Sevilha um quadro esquecido na rua e só avisou a polícia quando percebeu que era uma obra de arte procurada.

Andrés Hurtado não foi a Sevilha à procura de arte. Queria apenas passar uns dias em turismo e, no sábado, por volta das 16h30 e com um calor daqueles que não dão tréguas, deparou-se com algo largado no passeio que lhe chamou a atenção pelo motivo menos artístico possível: a moldura.

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«Vi uns rapazes a deixarem um quadro abandonado na rua», contou. E pensou: «Que moldura tão gira. A verdade é que nem reparei na pintura e levei-o para o hotel», segundo relata a imprensa local. Levou-o debaixo do braço, literalmente, dentro de um saco de compras que comprou num bazar asiático, sem saber que acabava de resgatar um Sorolla original que os proprietários tinham esquecido a meio de uma mudança relâmpago para a casa de praia.

Da suspeita à inteligência artificial

A dúvida surgiu-lhe quase de imediato. «Como há tantas réplicas e falsificações, nunca pensei que fosse um Sorolla original», reconheceu Hurtado, ex-funcionário de um supermercado e atualmente desempregado. Por isso fez o que qualquer pessoa faz em 2026 quando tem uma dúvida existencial sobre uma tela: perguntou à inteligência artificial. A resposta devolveu-lhe a hipótese de que aquilo podia ser autêntico: «Confirmou-me que poderia ser».

Meio convencido, chegou a sondar uma casa de leilões, que, segundo diz, estava disposta a pagar-lhe milhares de euros pela peça. O problema é que Hurtado ainda não sabia que o quadro não estava perdido no sentido romântico, mas sim dado como desaparecido: os proprietários já tinham apresentado queixa à polícia depois do descuido no passeio sevilhano.

Um final feliz

Quando soube que a obra tinha donos e que a andavam à procura, Hurtado mudou de planos: contactou a polícia para deixar claro que aquilo não era um roubo, mas sim um achado com muito azar para todos. O quadro viajou com ele até Múrcia e, esta quarta-feira, está previsto que os agentes o recolham em sua casa, num município próximo da capital, para o devolverem.

Antes, porém, ainda houve tempo para um telefonema. Hurtado falou com o proprietário do quadro, que lhe confirmou o que já suspeitava: tinham-no deixado esquecido por causa das pressas de última hora antes de sair para a praia. E, em sinal de agradecimento, prometeu-lhe «um presente» pela honestidade. Para já, a única certeza é que Hurtado fica sem leilão, mas com uma história que ninguém lhe vai contestar em nenhum bar.

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