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Espanha: Museu do Prado reimagina obras-primas à luz do eclipse solar

Imagem do vídeo realizado pelo Museu do Prado por ocasião do eclipse total do Sol de 12 de agosto de 2026.
Imagem do vídeo realizado pelo Museu do Prado por ocasião do eclipse total do Sol de 12 de agosto de 2026. Direitos de autor  YouTube: Museo Nacional del Prado
Direitos de autor YouTube: Museo Nacional del Prado
De Maria Muñoz Morillo
Publicado a Últimas notícias
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Museu do Prado apresenta “O Prado à luz do eclipse”, peça audiovisual que cruza inteligência artificial e criação digital e mostra como o fenómeno astronómico altera a perceção dos seus quadros mais icónicos

Como ficaria a obra-prima de Velázquez, “Las Meninas”, mergulhada na penumbra de um eclipse solar? O que acontece às cores, às sombras e à atmosfera dos grandes mestres da pintura quando a luz muda de forma radical e súbita?

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O Museu Nacional do Prado respondeu a estas perguntas por ocasião do eclipse solar de 12 de agosto de 2026, com um vídeo espetacular que convida a redescobrir as suas coleções a partir de uma perspetiva completamente nova.

Nova perspetiva sobre as obras-primas

O projeto, intitulado “O Prado à luz do eclipse”, propõe uma transformação progressiva da iluminação sobre algumas das pinturas mais emblemáticas da célebre pinacoteca. Através dessa mudança de luz, o vídeo mostra como pequenas variações na iluminação podem alterar radicalmente a perceção das cores, das formas e da atmosfera dos quadros, revelando pormenores e matizes que a luz do dia habitualmente oculta.

A proposta não é apenas um exercício estético. O Prado vê-a também como uma ferramenta de divulgação cultural, pensada para aproximar as suas coleções de novos públicos, sobretudo de quem não costuma frequentar museus, através de um formato audiovisual acessível e visualmente impactante.

As obras tocadas pelo sol no vídeo da pinacoteca são as seguintes:

1. “Las Meninas”. Diego Rodríguez de Silva y Velázquez

2. “La Vista”. Pedro Pablo Rubens; Jan Brueghel el Viejo

3. “El embarco de santa Paula Romana”. Claudio de Lorena

4. “Autorretrato”. Alberto Durero

5. “El quitasol”. Francisco de Goya y Lucientes

6. “La Canal de Mancorbo en los Picos de Europa”. Carlos de Haes

7. “La fragua de Vulcano”. Diego Rodríguez de Silva y Velázquez

8. “La rendición de Bailén”. José Casado del Alisal

9. “El sueño de Jacob”. José de Ribera

10. “El nacimiento del Sol y el triunfo de Baco”. Corrado Giaquinto

11. “La pradera de San Isidro”. Francisco de Goya y Lucientes

Inteligência artificial ao serviço da arte

A produção foi desenvolvida pelo estúdio AMB Piensa através de uma combinação de inteligência artificial, criação digital e intervenção gráfica tradicional. O processo técnico implicou o uso de modelos de geração de vídeo capazes de recriar profundidade, simular movimentos de câmara e reproduzir com precisão o avanço do eclipse sobre as cenas representadas em cada obra.

As ferramentas de inteligência artificial permitiram conceber e aperfeiçoar instruções visuais complexas: a evolução gradual da luz, o aparecimento de sombras e reflexos, ou o efeito do escurecimento progressivo sobre personagens, paisagens e elementos arquitetónicos. Ainda assim, o processo não foi apenas automatizado. Cada sequência foi revista e ajustada manualmente para preservar a composição, a técnica pictórica e o caráter original das pinturas, garantindo que a intervenção tecnológica não distorcesse o espírito das obras.

Arte, tecnologia e fenómeno astronómico

No próximo dia 12 de agosto, Espanha vai assistir a um dos fenómenos astronómicos mais aguardados dos últimos anos: um eclipse solar que será visível em grande parte do território peninsular e que já gerou uma expectativa sem precedentes entre a população e os meios de comunicação.

O museu espanhol junta-se assim a esta conversa com uma proposta que vai além da mera divulgação científica e a transforma numa experiência artística e emocional. Até porque a grande pergunta que está na base do projeto é, na realidade, muito antiga: quanto do que vemos numa obra de arte depende da luz com que a olhamos?

Com esta iniciativa, o museu reafirma a aposta na inovação como forma de ligação ao público contemporâneo, explorando as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias para enriquecer a interpretação do património artístico sem abdicar do rigor nem do respeito pelas obras originais.

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