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“Única e insubstituível”: figuras públicas e celebridades homenageiam Dolly Parton

Mundo lamenta morte de Dolly Parton aos 80 anos
Mundo lamenta morte de Dolly Parton aos 80 anos Direitos de autor  AP Photo
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De David Mouriquand
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Multiplicam-se as homenagens após a notícia da morte de Dolly Parton, uma das mais lendárias figuras da história da música country, aos 80 anos.

Para muitos fãs de música, o mundo parece ter ficado um pouco mais frágil com a notícia de que a lenda da música country Dolly Parton morreu aos 80 anos.

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A cantora, compositora, atriz e filantropa norte-americana, conhecida sobretudo pelos êxitos ‘I Will Always Love You’, ‘Jolene’ e ‘9 to 5’, morreu em Nashville, no Tennessee, após uma “breve luta” contra o cancro.

A sua morte ocorre apenas alguns dias depois de ter partilhado uma atualização sobre a sua saúde, após a anulação da sua residência em Las Vegas e da morte do marido de quase 60 anos, Carl Dean, que morreu em março de 2025.

“Estou a lidar com alguns problemas de saúde a que simplesmente não liguei enquanto tomava conta do Carl”, disse à revista People. “Não é que nunca tenha passado por momentos difíceis com a minha saúde. Mas acho que, como vivemos num mundo 24/7 com as redes sociais, tudo é amplificado de uma forma que não acontecia há anos.”

Acrescentou: “Costumava brincar dizendo que era a Rainha dos tabloides, mas agora acho que posso dizer que sou a Rainha da IA nas redes sociais! Falando a sério, embora ainda esteja a recuperar, continuo a trabalhar.”

Homenagens a Dolly Parton
Homenagens a Dolly Parton AP Photo

O obituário oficial da família dizia: “Uma vida de brilhantes que brilhou com força suficiente para que o mundo inteiro a visse, Dolly será para sempre uma inspiração, não só pela sua música intemporal e pela prolífica escrita de canções, mas também pelo seu espírito bem-disposto, calor humano e gentileza, que nos fizeram a todos sentir em família. O legado de Dolly Parton é de amor, compaixão e resiliência. Com uma carreira de sete décadas, inspirou várias gerações de artistas e fãs com a sua música e com um compromisso inabalável de tornar o mundo num lugar melhor. As suas canções continuarão a ressoar junto de pessoas de todas as idades e o seu trabalho filantrópico terá um impacto duradouro.”

E inspirou mesmo. Inúmeras figuras públicas e celebridades prestaram homenagem à Rainha da música country, que foi eleita a figura pública mais acarinhada da América num recente estudo académico.

A mostrar como a arte pode vencer divisões ao promover a empatia, vários políticos prestaram tributo a Parton.

Donald Trump ordenou que as bandeiras fossem hasteadas a meia haste em honra da artista e escreveu na plataforma Truth Social: “Esta é uma perda verdadeira para milhões de pessoas. Nunca houve ninguém como ela, nem voltará a haver. Em sua honra, estou a mandar hastear a bandeira norte-americana a meia haste em todos os Estados Unidos durante uma semana, a partir de hoje às 18h00.”

Bandeira dos EUA a meia haste por Dolly
Bandeira dos EUA a meia haste por Dolly AP Photo

Os dois senadores do Tennessee, onde Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, reagiram nas redes sociais e classificaram a sua morte como uma grande perda para o estado.

“O Tennessee perdeu uma das suas maiores lendas – uma mulher que nunca perdeu de vista a sua fé, as suas raízes ou o espírito voluntário. [Dolly Parton] era um verdadeiro tesouro do Tennessee, e o seu legado será para sempre definido pelo amor à fé, à família e ao lugar a que, com orgulho, chamava casa”, afirmou o senador republicano Bill Hagerty.

A senadora Marsha Blackburn escreveu: “Não há palavras que expressem de forma adequada a tristeza que a nossa família, e todos os habitantes do Tennessee, sentem com a perda de Dolly Parton. Uma líder icónica que amava o nosso grande estado e a nossa nação. A sua morte deixa um vazio que ninguém poderá jamais preencher. Dolly, nós amar-te-emos para sempre.”

O senador Bernie Sanders destacou as conquistas de Parton para lá da sua carreira musical, enquanto filantropa.

“Ela não era apenas uma talentosa musicista e compositora, mas uma filantropa de toda a vida e uma defensora da literacia, da educação, dos direitos LGBTQ+, dos cuidados de saúde e da ajuda em caso de catástrofes”, afirmou Sanders. “A sua música e a sua humanidade tocaram milhões de pessoas. Fará muita falta.”

O antigo presidente dos EUA Joe Biden declarou: “Dito de forma simples, Dolly Parton era uma original americana. Foi uma inspiração para milhões.” Acrescentou que a cantora foi “uma defensora incansável” das mulheres e da igualdade e elogiou o seu trabalho de caridade ao fornecer livros a crianças em todo o mundo.

“Viveu de acordo com os seus valores, com um estilo e uma vitalidade únicos”, acrescentou Biden, descrevendo-a como “uma pioneira em todos os sentidos”.

Kamala Harris afirmou que Parton era “um verdadeiro ícone americano”, enquanto o antigo presidente Barack Obama escreveu na rede X: “É difícil imaginar muitas pessoas com um impacto maior do que Dolly Parton. Nascida numa cabana de um só quarto, ganhou 11 Grammys e um Emmy, construiu um império empresarial, ajudou milhões de crianças a aprender a ler e – como se isso não bastasse – ajudou a acelerar a investigação que levou à vacina da Moderna contra a COVID. Que vida. A Michelle e eu estamos a pensar na família da Dolly e nos seus muitos, muitos fãs.”

Em 2020, Parton desempenhou um papel decisivo no financiamento da investigação que ajudou a desenvolver uma das principais vacinas contra a COVID-19 (a da Moderna), ao doar 1 milhão de dólares do seu próprio dinheiro ao Centro Médico da Universidade Vanderbilt.

O antigo presidente dos EUA Bill Clinton também prestou homenagem a Parton, recordando que ele e Hillary Clinton eram fãs de longa data e a viram atuar pela primeira vez em 1974.

“Dolly Parton era única – uma grande compositora e intérprete que contou as histórias dos americanos comuns com honestidade, humildade e coração”, escreveu Clinton. “E acreditava sempre em retribuir, sobretudo nos seus esforços para promover a literacia. A Hillary e eu éramos grandes fãs, vimos-na pela primeira vez em 1974 e estaremos sempre gratos pela música e pelas memórias.”

O trabalho de Parton para lá da música e da representação incluiu a Dollywood Foundation, a organização sem fins lucrativos fundada em 1988 que promove a educação das crianças no seu estado natal, o Tennessee.

A Dollywood Foundation afirmou que continua “honrada por levar por diante a missão que ela lhe confiou”.

O presidente da fundação, Jeff Conyers, declarou em comunicado: “Dolly dizia muitas vezes que tinha sido abençoada muito para além de tudo o que alguma vez sonhara possível e acreditava profundamente que essas bênçãos implicavam a responsabilidade de retribuir algo. Essa convicção está entranhada em tudo o que fazemos na Dollywood Foundation. Embora estejamos de coração partido com a sua perda, a missão que nos deixou é hoje tão clara como sempre foi e levá-la-emos por diante durante gerações.”

Depois há a iniciativa de promoção da leitura, Dolly Parton’s Imagination Library, que distribuiu mais de 300 milhões de livros em todo o mundo desde 1995. Inspirado na incapacidade do pai ler ou escrever, o programa envia um livro gratuito todos os meses a crianças desde o nascimento até aos cinco anos – independentemente do rendimento familiar – nos EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Irlanda.

A família pediu que fossem feitas doações para a Dolly Parton’s Imagination Library em imaginationlibrary.com (fonte em inglês).

Na sequência da notícia da sua morte, a Dolly Parton’s Imagination Library prometeu também continuar o trabalho da cantora, afirmando que a sua visão foi sempre criar algo que “durasse gerações”.

A organização recordou o orgulho que Parton tinha no programa, sobretudo pela ligação ao pai, citando-a quando dizia: “O meu pai disse-me que a Imagination Library era provavelmente a coisa mais importante que eu alguma vez fiz.”

Num comunicado, a organização escreveu: “O mundo chora connosco hoje. E, no entanto, continuamos absolutamente certos do que vem a seguir. Durante décadas, Dolly e a equipa da Dollywood Foundation – casa da Dolly Parton’s Imagination Library – trabalharam para construir algo que durasse gerações. E assim será. O trabalho que temos pela frente nunca pareceu tão significativo e levá-lo-emos por diante enquanto ela continua a elevar-nos a todos. Dolly, amar-te-emos para sempre.”

Centenas de celebridades do mundo da música prestaram igualmente homenagem a Parton, de Paul McCartney e Céline Dion a Taylor Swift, Eminem e Elton John.

Sir Paul McCartney afirmou ser “difícil” digerir a notícia da sua morte, conhecendo-a como uma mulher “tão cheia de vida”.

Disse: “A magnífica estrela Dolly Parton morreu e isso é muito triste. Era uma mulher maravilhosa.”

“Era tão expansiva e cheia de vida que é difícil aceitar a notícia de que morreu”, acrescentou. “A sua escrita, a sua voz e o seu trabalho filantrópico eram incomparáveis no mundo da música country e é difícil imaginar viver num mundo sem a Dolly. Era uma empresária muito inteligente, que percebia o valor da sua música e, mais importante ainda, o efeito que tinha sobre as pessoas em todo o mundo.”

McCartney acrescentou que não houve “maior honra” do que quando ela cantou ‘Let It Be’ no seu álbum de 2023, Rockstar, e afirmou: “Embora só tenha dado um pequeno contributo, sinto-me muito honrado por ela o ter feito.”

Céline Dion prestou homenagem a Parton no Instagram, descrevendo-a como “luz pura, de coração gentil e espírito generoso”, enquanto o baterista dos Fleetwood Mac, Mick Fleetwood, descreveu a sua energia como “afável” e afirmou que “a sua atitude positiva perante a vida e as canções incríveis que escreveu são o legado que continuará vivo num mundo que tanto precisa de cura”.

A superestrela Beyoncé descreveu Parton como o “barómetro” e a “estrela polar” da indústria musical. Num comunicado no seu site, Beyoncé afirma estar grata pela “arte, coração, generosidade, humor e capacidade empresarial” de Parton, acrescentando que se sentiu “honrada” por trabalhar com o ícone da música country. As duas colaboraram no álbum ‘Cowboy Carter’, de Beyoncé, onde gravaram uma nova versão de ‘Jolene’.

Sir Elton John disse que Parton era “uma gigante enquanto artista – única e insubstituível, com o maior dos corações”, enquanto Joan Jett se referiu ao ícone country como “uma génio musical altruísta, com os pés bem assentes na terra, única no seu género”.

Eminem juntou-se ao coro de homenagens ao partilhar uma nota que recebeu da lenda da country depois da sua entrada para o Rock and Roll Hall of Fame. O rapper, que diz nunca ter tido oportunidade de conhecer a “ícone” e “superestrela em todos os sentidos”, afirma que essa nota teve um enorme impacto em si.

Quanto a Jack White, que em tempos fez uma versão de ‘Jolene’ com a sua banda The White Stripes, manteve a homenagem simples e direta. “Santidade instantânea”, escreveu o músico nas redes sociais.

Taylor Swift prestou também a sua homenagem, descrevendo Parton como “o presente que nunca deixou de dar”. Eis a sua declaração completa:

“Um mundo sem a Dolly não parece possível, real ou certo. Mas, devido à forma eternamente generosa como passou o seu tempo na Terra e às inúmeras vidas que ajudou a melhorar, o seu legado será eterno.

Foi verdadeiramente o presente que nunca deixou de dar. A Dolly deu-nos alguém a quem podíamos olhar como exemplo, ao mesmo tempo que nos incentivava a ser quem somos, como indivíduos. De alguma forma, conseguia dar-nos as suas lições sobre o mundo com delicadeza e honestidade, em simultâneo, e muitas vezes com um enorme sentido de humor. Conseguiu manter o mistério e a fantasia em alguns cantos da sua vida, mas ser totalmente transparente nas coisas que realmente importavam. De algum modo, reunia a verdadeira graça e a verdadeira coragem numa única pessoa deslumbrante. Tinha o coração mais suave perante as dificuldades dos outros e uma coluna de aço na defesa do seu próprio valor enquanto artista.

Juntamente com os outros fãs, estou-lhe muito grata por tudo. Pelas melodias e letras que derreteram até os corações mais frios. Pelos milhões de livros que ofereceu a crianças em todo o mundo, para que pudessem apaixonar-se por histórias como ela. Pelas cordas bamba que percorreu para que raparigas como eu pudessem crescer a sonhar também entrar nesse circo.

Dolly, pensar-te-ei a cada passo do caminho.”

Dolly Parton
Dolly Parton AP Photo

Descanse em paz, Dolly Parton 1946–2026. A sua falta será sentida.

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