Pela segunda vez num mês, Itália gastou milhões na aquisição de um quadro histórico, no âmbito dos esforços para proteger o seu património artístico nacional. O governo adquiriu um quadro devocional do pintor do início do Renascimento Antonello da Messina por 12,6 milhões de euros.
Itália voltou a agir para proteger e preservar a propriedade de uma obra considerada tesouro nacional, adquirindo uma obra de arte do período renascentista por 12,6 milhões de euros.
O governo italiano gastou essa quantia numa pintura devocional de Antonello da Messina que se previa que fosse leiloada na Sotheby's, em Nova Iorque.
“Ecce Homo” retrata Jesus com uma coroa de espinhos na cabeça e uma corda à volta do pescoço, no momento em que Pôncio Pilatos o entrega à multidão enfurecida para que o levem para ser crucificado.
A aquisição ocorre pouco mais de duas semanas depois de Itália ter comprado um raro retrato do pintor barroco Caravaggio por 30 milhões de euros, um dos maiores investimentos alguma vez feitos pelo Estado numa única obra de arte.
A pintura retrata Maffeo Barberini, um nobre que mais tarde se tornou o Papa Urbano VIII.
Trata-se de uma pintura devocional num painel de madeira com 20,3 cm por 14,9 cm. De um lado está o “Ecce Homo” e do outro São Jerónimo Penitente.
O ministro da Cultura de Itália, Alessandro Giuli, afirmou que as pessoas devem esperar outras aquisições importantes e operações internacionais num futuro próximo.
"Queremos que as pessoas compreendam o quão importante é para nós trazer de volta para Itália obras de grande significado artístico e público."
A obra de arte foi transportada pelo seu proprietário numa bolsa de couro durante anos e retirada para ser utilizada durante a oração. O rosto de São Jerónimo ficou desgastado devido aos repetidos beijos devocionais do proprietário.
"São Jerónimo ficou completamente desgastado", observou Federica Zalabra, diretora do Museu Nacional de Abruzzo, o primeiro museu a expor a pintura, referindo que um dos primeiros proprietários "costumava beijá-la" e que "o contacto direto com esta obra de arte dessa forma, beijando-a e tocando-a, causou danos".
O painel data de cerca de 1470.
"Devo dizer que o Ministério da Cultura está a envidar muitos esforços para expandir o património artístico da nação", afirmou Massimo Osanna, diretor-geral dos museus italianos.
"Pode-se perguntar por que razão compramos, pois o que compramos são certamente peças únicas, como de Antonello ou o Maffeo Barberini, de Caravaggio, que estão a regressar a casa", acrescentou Osanna.
A obra de arte será inicialmente exibida no Museu Nacional de Abruzzo, em Áquila, antes de ser transferida para outros locais por todo o país, para dar ao maior número possível de pessoas a oportunidade de a ver pessoalmente.