Rapper norte-americano Kanye 'Ye' West foi impedido de entrar no Reino Unido para atuar no festival Wireless, após polémica; a edição de 2026 foi cancelada.
A pressão acabou por ser demasiado forte...
Depois do festival britânico Wireless ter sido criticado pela contratação de Kanye “Ye” West e de se intensificarem as contestações em torno do concerto que o polémico rapper tinha previsto encabeçar este verão, o governo do Reino Unido bloqueou a autorização de viagem do músico para o país.
O Ministério do Interior britânico confirmou a proibição à BBC. O governo tem discricionariedade para impedir a entrada de cidadãos estrangeiros no Reino Unido se considerar que a sua presença não é “conducente ao bem público”.
Em resposta à notícia, o Wireless Festival divulgou a seguinte mensagem: “O Ministério do Interior revogou a ETA de YE, recusando‑lhe a entrada no Reino Unido. Como consequência, o Wireless Festival é cancelado e serão emitidos reembolsos para todos os detentores de bilhetes.”
A organização acrescentou: “Tal como em todas as edições do Wireless Festival, vários intervenientes foram consultados antes da contratação de YE e, na altura, não foram levantadas preocupações.”
“O antissemitismo, sob todas as suas formas, é repugnante e reconhecemos o impacto real e pessoal que estas questões tiveram. Como YE disse hoje, reconhece que as palavras, por si só, não chegam e, apesar disso, continua a esperar poder ter a oportunidade de iniciar uma conversa com a comunidade judaica no Reino Unido.”
Depois de saber que a entrada de West no Reino Unido tinha sido recusada, a organização Campaign Against Antisemitism (CAA) apelou aos patrocinadores para continuarem a boicotar o evento, seguindo o exemplo da Pepsi, da Diageo, da PayPal e da Rockstar Energy, que já se tinham todas afastado.
Um porta-voz da Campaign Against Antisemitism afirmou, em comunicado: “O Governo tomou claramente a decisão certa. Pela primeira vez, quando disse que o antissemitismo não tem lugar no Reino Unido, acompanhou as palavras com atos.”
“Alguém que se gabou de ganhar dezenas de milhões de dólares com a venda de T-shirts com suásticas e que lançou, há apenas alguns meses, uma canção chamada Heil Hitler não poderia, evidentemente, ser considerado benéfico para o bem público no Reino Unido.”
O comunicado concluía: “O Wireless Festival, na sua busca desesperada de lucro, defendeu o convite até ao fim. Isso é vergonhoso e os seus patrocinadores devem continuar a manter‑se afastados.”
Já não há necessidade de boicote, uma vez que a edição de 2026 do festival deixa de existir...
Antes disso, Melvin Benn, diretor-geral da Festival Republic, que coorganiza o Wireless com a Live Nation, tinha divulgado um comunicado a defender West, classificando os comentários anteriores do músico como “abjetos”, mas pedindo “perdão” e “uma segunda oportunidade”.
West chegou mesmo a fazer uma declaração, afirmando que tinha estado “a acompanhar a conversa em torno do Wireless e queria abordá-la diretamente”.
“O meu único objetivo é ir a Londres e apresentar um espetáculo de mudança, levando unidade, paz e amor através da minha música”, disse, oferecendo-se para se encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica “para ouvir”. Acrescentou: “Sei que as palavras não chegam; terei de demonstrar mudança através das minhas ações. Se estiverem abertos, estou aqui.”
Ainda assim, essas declarações não chegaram e West não irá a Londres neste verão.
Os comentários antissemitas de West começaram em 2022, quando fez uma série de declarações ofensivas nas redes sociais que acabaram por levá-lo a ser expulso tanto do X como do Instagram. O músico foi abandonado pela sua agência de representação e marcas de moda como a Adidas e a Balenciaga também se distanciaram de West.
West chegou ainda a publicar uma fotografia de capas do Ku Klux Klan, revogar o pedido de desculpas que tinha apresentado à comunidade judaica, declarar-se “um nazi” e afirmar que “tem domínio sobre a mulher”.
Em fevereiro de 2025, West começou a vender T-shirts com suásticas e, em maio, lançou uma canção intitulada “Heil Hitler”, que elogiava o líder nazi. Isso levou a que lhe fosse retirado o visto para entrar na Austrália e a enfrentar uma ordem de detenção imediata no Brasil.
Desde então, West pediu desculpa pelas suas ações e publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal, no início deste ano, para se penitenciar pelos comentários antissemitas que tinha feito, refletindo sobre “um episódio maníaco de quatro meses de comportamento psicótico, paranoico e impulsivo” e dizendo que “perdeu o contacto com a realidade”.
Ainda assim, muitos questionaram o momento do pedido de desculpas, tendo em conta o recente lançamento do novo álbum “Bully”, e os comentários anteriores levaram vários países a proibir as suas atuações.
O presidente da câmara da cidade do sul de França, Marselha, a segunda maior do país, afirmou recentemente que não quer West em lado nenhum perto da sua cidade.
A última atuação de Kanye West no Reino Unido foi como cabeça de cartaz em Glastonbury, em 2015.