Assembleia Nacional francesa aprova por unanimidade lei para devolver bens culturais saqueados ao antigo império colonial do país
Deputados da Assembleia Nacional francesa aprovaram segunda-feira, por unanimidade, um projeto de lei que facilita a devolução de obras de arte e artefactos saqueados nas antigas colónias francesas. O Senado francês já tinha aprovado o texto em janeiro.
Pedidos recentes de restituição de artefactos foram apresentados a França por países como Argélia, Mali e Benim.
O projeto de lei visa simplificar a devolução de bens culturais retirados ilegalmente das antigas colónias francesas, com particular enfoque em peças levadas entre 1815 e 1972, ano em que entrou em vigor a convenção da UNESCO para a proteção do património cultural.
A aguardada legislação sobre restituição é aprovada quase uma década depois da promessa do Presidente Emmanuel Macron de devolver bens culturais retirados de países africanos.
«O património africano não pode existir apenas em coleções privadas e museus europeus», afirmou o Presidente francês num discurso de novembro de 2017 (fonte em inglês) em Ouagadougou, no Burkina Faso. «Dentro de cinco anos quero que existam condições para o regresso temporário ou permanente desse património africano a África.»
O novo diploma exige que cada Estado apresente um pedido de devolução das peças e se comprometa a protegê-las e a expô-las ao público. O pedido será depois analisado e validado por uma comissão, com base em provas de que os objetos foram adquiridos de forma ilegítima ou pela força. Ficam excluídos os bens militares, os arquivos públicos e as quotas de escavações arqueológicas.
Apesar de a votação sobre o diploma de restituição ter sido unânime, os deputados discutiram o âmbito do texto, sobretudo as datas a que se aplica.
No início deste ano, França devolveu o sagrado tambor Djidji Ayôkwé (fonte em inglês) à Costa do Marfim. O instrumento foi levado por tropas coloniais em 1916.