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Atriz Tilda Swinton inaugura exposição com objetos pessoais, fotografias e excertos de filmes

Tilda Swinton
Tilda Swinton Direitos de autor  Ανδρέας Σιμόπουλος
Direitos de autor Ανδρέας Σιμόπουλος
De Yorgos Mitropoulos
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Na exposição "Ongoing", a famosa atriz reúne roupas, objetos pessoais, fotografias e excertos de filmes ligados a oito amigos seus, figuras do cinema e da moda.

Atenas recebe pela primeira vez uma grande exposição dedicada a uma grande artista e performer que nos tem encantado repetidamente com as suas interpretações no cinema: Tilda Swinton.

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A atriz reúne na exposição, intitulada "Ongoing" ("Em curso", em português) roupas, objetos pessoais, fotografias e excertos de filmes. Estes ligados a colaborações criativas e amizades com oito personalidades do cinema e da moda nos últimos quarenta anos como Pedro Almodóvar, Luca Guadagnino, Jim Jarmusch, Apichatpong Weerasethakul, Tim Walker, Joanna Hogg, Olivier Saillard e Derek Jarman.

A exposição é uma colaboração entre a Onassis Stegi e o Eye Filmmuseum de Amesterdão, onde teve a sua primeira paragem. Encontra-se agora no Onassis Ready.

A atriz marcou presença na inauguração da exposição e falou sobre a memória, a forma como trabalha e a própria vida: "Percebi que o meu dever, ou melhor, a oportunidade que me foi dada, tendo em conta a época de que venho, é funcionar como testemunha de uma outra forma de trabalhar", começa por explicar.

"Comecei a trabalhar de forma coletiva, com um grupo de artistas, não só com o realizador Derek Jarman, embora tenha sido primeiro com ele, que trabalhavam num clima de cocriação, em que o processo vinha antes do produto final. E assim tive a oportunidade de falar sobre isso, de partilhar este modelo e de perceber que, na realidade, já não está disponível para os artistas mais jovens", disse.

Tilda Swinton mostrou que privilegia o trabalho em equipa e as colaborações profissionais que pautaram o seu percurso, deixando uma pequena crítica a novas gerações que priorizam outras forma de trabalhar.

**"**O que parece estar a acontecer é isto: és um jovem artista em ascensão, lançaste o teu primeiro álbum, a tua primeira coleção, o teu primeiro filme, o teu primeiro livro. Chegaste aí através de uma rede, uma rede de amizade, um contexto familiar, a rede da tua universidade, da escola de belas-artes, do teu colégio, seja o que for. E depois és encorajado, por vezes de forma subtil, outras nem tanto, pela editora discográfica, pelo galerista ou pelo estúdio de cinema, a seguires sozinho, a cortares esses laços. Agora, o importante para ti é promoveres-te como um produto vendável. E então pensei que, na minha exposição no Eye Filmmuseum", diz.

"Prepara-te para ir para o estúdio de filmagem como se fosses para uma festa"

Aatriz partilha com os visitantes da exposição momentos e colaborações marcantes, desde o início do seu caminho, desde quando conheceu Derek Jarman e participou em sete das suas longas-metragens, até aos encontros mais recentes com Pedro Almodóvar.

Swinton insiste em sublinhar que cada projeto criativo é fruto de um esforço coletivo e convida-nos a refletir que a criação de uma obra artística é o resultado de uma conversa permanente, de uma troca fértil que se alimenta da confiança, onde os papéis se confundem e as ideias evoluem em conjunto.

Neste sentido, a exposição não é uma retrospetiva, mas um momento de encontro e celebração de companheiros de criação, bem como um gesto de confiança no futuro, um guia de navegação num ambiente contemporâneo marcado pelo individualismo. Constitui a prova de que a arte é um ato de profunda camaradagem.

"Nunca ando à procura de um papel. Interesso-me pelas pessoas. E, muitas vezes, dou por mim à mesa da cozinha a planear um projeto com os meus amigos. Só à terceira é que discutimos o que é que eu poderia fazer nele. E, por vezes, não há papel para mim, por isso não faço nada. E, outras vezes, faço. Todas estas pessoas são pessoas que querem participar na conversa. Todos têm um olhar único. Mas esse olhar único depende do diálogo que mantêm com os seus colegas", conta.

Derek Jarman costumava dizer, partilha: "prepara-te para ir para o estúdio de filmagem como se fosses para uma festa" e a atriz reitera: "e era mesmo assim."

"E, como todos sabemos, uma boa festa é aquela em que não queres que o anfitrião seja o único responsável pela energia do espaço. Não queres um grupo de convidados que fica por ali à espera que o anfitrião lhes diga como se devem divertir. Uma boa festa é algo que se partilha: a energia distribui-se por todos, alguém põe a música, alguém serve as bebidas, alguém traz a comida. E esse sentido de responsabilidade partilhada nem tem tanto que ver com a autoria da obra. Quer dizer, no fim tem a ver com autoria. Mas, na prática, tem a ver com responsabilidade", partilhou a atriz.

Exposição com muitas colaborações especiais

O realizador Luca Guadagnino cria um novo retrato muito pessoal da atriz, sob a forma de uma curta-metragem e de uma escultura.

Luca Guadagnino e Tilda Swinton assistem à exibição especial do filme "A Bigger Splash" no Museu de Arte Moderna, 21 de abril de 2016, em Nova Iorque
Luca Guadagnino e Tilda Swinton assistem à exibição especial do filme "A Bigger Splash" no Museu de Arte Moderna, 21 de abril de 2016, em Nova Iorque AP Photo

Com nova montagem e banda sonora, mas também com tratamento de imagem, Jim Jarmusch transforma imagens existentes do seu filme de zombies de inspiração surreal, The Dead Don’t Die (2019), numa nova instalação.

Elenco e realizador Jim Jarmusch (terceiro à esquerda) à chegada à cerimónia de abertura e à estreia do filme "The Dead Don't Die" em Cannes em 2014
Elenco e realizador Jim Jarmusch (terceiro à esquerda) à chegada à cerimónia de abertura e à estreia do filme "The Dead Don't Die" em Cannes em 2014 AP Photo

O fotógrafo Tim Walker visitou Tilda Swinton na casa de família para uma série de fotografias que se centra na relação da atriz com os seus antepassados e com a continuidade do lugar.

O realizador Apichatpong Weerasethakul cria uma instalação envolvente e contemplativa, uma obra pessoal em dois canais que aprofunda temas que ambos exploram há anos, como os estados limiares entre a vigília, a criação e o sono, filmada em Kimmerghame, na Escócia, terra natal de Tilda.

Elkin Diaz, Tilda Swinton, o realizador Apichatpong Weerasethakul, Jeanne Balibar e Juan Pablo Urrego no 74.º Festival Internacional de Cinema de Cannes. 16 de julho de 2021.
Elkin Diaz, Tilda Swinton, o realizador Apichatpong Weerasethakul, Jeanne Balibar e Juan Pablo Urrego no 74.º Festival Internacional de Cinema de Cannes. 16 de julho de 2021. AP Photo

Pedro Almodóvar apresenta a curta-metragem The Human Voice (2020), pela primeira vez em formato de instalação. Com a amiga de infância e realizadora Joanna Hogg, Swinton apresenta o Flat 19, uma reconstrução multimédia do seu apartamento em Londres na década de 1980 e uma exploração da memória, do espaço e da história pessoal.

Por fim, Tilda Swinton presta homenagem a uma das suas maiores influências artísticas, o realizador Derek Jarman (1942–1994). Esta secção, enriquecida com material do arquivo pessoal da atriz, inclui uma instalação em grande ecrã com cenas do filme The Last of England (1987), bem como uma instalação especial com material inédito em Super8 da coleção pessoal de Jarman.

A exposição "Ongoing" de Tilda Swinton pode ser visitada até 28 de junho e é acompanhada por um programa de projeções de verão na esplanada da cobertura do Onassis Ready.

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