A próxima Great American State Fair foi atingida por uma vaga de cancelamentos, à medida que mais artistas se retiram do evento “Freedom 250” após preocupações sobre os laços do festival com Donald Trump. Mais dois artistas anunciaram que não vão participar...
Não se adivinham bons sinais para a Great American State Fair, evento previsto para este verão no National Mall, em Washington DC.
Integrada nas comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos da América, a celebração “Freedom 250” revelou esta semana o seu cartaz de artistas.
O cartaz era... enfim, como escreveu um comentador online, “o pior alinhamento de atuações musicais que alguma vez vi”.
Incluía Vanilla Ice, Martina McBride, The Commodores, C+C Music Factory, Young MC, Morris Day, Bret Michaels, dos Poison, Flo Rida e Fab Morvan, o membro sobrevivente do duo de playback Milli Vanilli.
Como noticiámos ontem, não demorou até vários artistas anunciarem que afinal não iam atuar. Morris Day, conhecido sobretudo como vocalista dos The Time (grupo associado a Prince), recorreu ao Instagram para desmentir o rumor de que iria subir ao palco, enquanto Young MC também desistiu, afirmando que os artistas “nunca foram informados de qualquer envolvimento político com o evento”.
Na verdade, houve alguma confusão em torno da ligação da feira ao movimento MAGA – bem como do facto de a “Freedom 250” ser financiada através de uma parceria público‑privada, com verbas de empresas tecnológicas alinhadas com Trump, como a Palantir e a Oracle, e de contratantes federais como a Deloitte e a Lockheed Martin, entre outras. A iniciativa enfrenta atualmente um escrutínio crescente por parte de grupos de vigilância e de membros do Congresso sobre a utilização de fundos federais em eventos associados a Trump.
Entretanto, os artistas continuam a cair que nem moscas, com a banda soul The Commodores (que teve Lionel Richie como vocalista) a cancelar a sua participação e a cantora country Martina McBride a também desistir.
“A nossa música sempre foi a nossa voz e optamos por não nos associar publicamente a nenhum partido político em particular”, afirmou a banda num comunicado nas redes sociais. “Defendemos a melhoria das condições de vida de todos os norte-americanos.”
Já McBride escreveu nas redes sociais que lhe foi “apresentada uma oportunidade para atuar num evento apartidário, algo que acabou por ser enganador”.
A consagrada estrela country afirmou que “fez muitas perguntas” antes de aceitar e acreditou que seria “uma excelente forma de celebrar os estados e também de juntar pessoas da forma como só a música consegue”. Acrescentou que, após o anúncio, “as coisas começaram a mudar e o que nos foi dito não corresponde, de facto, ao que está a acontecer”.
Pelas nossas contas, já são quatro em nove artistas a cancelarem.
Quem garante presença, porém, é Fab Morvan, dos Milli Vanilli.
“Estou aqui para entreter e unir pessoas, não para as dividir”, afirmou Morvan, em comunicado ao Consequence (fonte em inglês). “Vamos celebrar a vida e a música e fazer uma viagem pelas memórias. Sinto-me honrado por fazer parte da Great American State Fair, que vai celebrar o 250.º aniversário da América com tantos outros artistas consagrados. Estou desejoso de voltar a encontrar-vos por todos os Estados Unidos este verão e de finalmente cantar ao vivo, em pessoa, as canções dos Milli Vanilli!”
Por seu lado, Vanilla Ice – que já atuou em várias festas de passagem de ano na propriedade Mar-a-Lago de Trump – também prometeu que irá atuar.
“Ele está orgulhoso por ajudar a celebrar o 250.º aniversário da América!”, afirmou um representante do rapper à Associated Press. “Todos são bem-vindos para participar e celebrar o aniversário dos EUA e a nossa liberdade!”
Depois, Freedom Williams, dos C+C Music Factory, publicou um vídeo bizarro no Instagram (fonte em inglês), no qual disse que, quando foi contratado para o evento, não lhe tinham inicialmente comunicado qualquer ligação a Trump, mas que, apesar da contestação, tencionava na mesma atuar.
Gravou o vídeo sentado na sanita.
Acrescentou, com abundantes palavrões, que a contestação ao evento lhe dava ainda mais vontade de atuar.
“Eu não me misturo com o Trump. Estou-me a borrifar para o Trump… Sei bem o tipo de anarquia do caraças que ele cria. Mas o dia em que deixar que vocês, cabrões, me digam o que fazer é o dia em que morro.”
A Great American State Fair arranca a 25 de junho e decorre até 10 de julho. Os organizadores da Freedom 250 continuam a afirmar que o evento é apartidário.