É seguro dizer que Robert De Niro não enviou um postal de 80.º aniversário a Donald Trump. Num evento em Nova Iorque, respondeu às recentes declarações de Trump e citou um dos seus filmes, frase que o público acabou a entoar.
O ator galardoado com um Óscar Robert De Niro participou ontem à noite num evento "Rise Up", organizado como programação alternativa às celebrações do combate em jaula do 80.º aniversário de Donald Trump.
O evento de Nova Iorque, que celebrava a Primeira Emenda, deu palco à lenda do cinema, de 82 anos, para criticar Trump.
"Estou muito próximo de ser um absolutista da liberdade de expressão", afirmou De Niro, "mesmo em relação a discursos de que não gosto, e não faltam. Por isso, quando ouço algo de que não gosto, uso a minha própria liberdade de expressão para responder."
De Niro deu depois um exemplo recente e evocou um clássico do cinema de 1988.
"Quando ouço Trump dizer, como disse há poucos dias, 'eu não penso na situação financeira dos americanos, nem um bocadinho', respondo: 'Shut the fuck up'", afirmou.
Estas palavras remetem para uma cena da comédia Midnight Run (fonte em inglês), em que a personagem de De Niro, Jack Walsh, responde a Jonathan Mardukas (Charles Grodin) dizendo: "Tenho duas palavras para ti: 'Shut the fuck up'."
De Niro deu ainda outro exemplo: "Na quarta-feira, Trump disse: 'Adoro a inflação'." Foi nesse momento que o público começou a entoar o célebre refrão da famosa frase de Midnight Run.
O ator estabeleceu também uma ligação entre as atuais manifestações de patriotismo e a violência doméstica.
"Não me agrada dizê-lo, mas amar o nosso país começa a soar como um cônjuge maltratado a dizer que ama o agressor", afirmou. "Não consigo amar um país que inicia guerras estúpidas e desumanas, matando milhares de inocentes e causando indiretamente a morte e o sofrimento de milhões de outras pessoas."
"Não consigo amar um país que retira cuidados de saúde a milhões de pessoas e usa esse dinheiro para enriquecer os seus amigos da classe Trump-Epstein", acrescentou. "Não consigo amar um país que envia milícias mascaradas para disparar sobre cidadãos nas ruas, torturar os nossos vizinhos e separar famílias. Não consigo amar um país liderado por um tirano racista, misógino e xenófobo. E deixem-me dizê-lo claramente: não consigo amar o país liderado por Donald Trump e pelo Congresso de bajuladores que o acompanha."
Concluiu: "Quero voltar a amar o meu país. Quero o meu país de volta."
Veja o discurso de De Niro abaixo (a partir do minuto 1:44:45):
Está longe de ser a primeira vez que De Niro manifesta a sua aversão a Trump.
No início deste ano, após o seu discurso sobre o Estado da União, Trump pediu a deportação de alguns dos seus opositores "lunáticos". Entre eles estavam as congressistas Ilhan Omar e Rashida Tlaib (ambas democratas e cidadãs norte-americanas), bem como De Niro.
Trump escreveu que Omar e Tlaib "deviam, na verdade, apanhar um barco com Trump Deranged Robert De Niro, outra pessoa doente e demente com, creio, um QI extremamente baixo, que não faz a mínima ideia do que está a fazer ou a dizer - parte do qual é verdadeiramente CRIMINAL!"
Prosseguiu, a propósito de De Niro: "Quando o vi desatar a chorar ontem à noite, tal como faria uma criança, percebi que pode estar ainda mais perturbado do que a 'Crazy' Rosie O'Donnell, que está neste momento na Irlanda a tentar descobrir como regressar aos nossos belos Estados Unidos. A única diferença entre De Niro e Rosie é que ela é provavelmente um pouco mais inteligente do que ele, o que não é dizer muito."
No ano passado, Trump ameaçou revogar a cidadania dos Estados Unidos da atriz e comediante Rosie O'Donnell, apesar de uma decisão do Supremo Tribunal, com várias décadas, que proíbe expressamente esse tipo de ação por parte do governo.
Após a reeleição de Trump, O'Donnell mudou-se para a Irlanda.