O duo britânio de punk-rock gritou e pediu para gritarem "que se f**a o Chega" enquanto mensagem "Fuck Chega" aparecia no ecrã do palco.
A banda inglesa de punk rock, formada em Brighton, na Inglaterra, atuou no primeiro dia do festival minhoto CA Vilar de Mouros e está envolvida numa polémica.
Durante a atuação, o duo britânico, composto por Phoebe Lunny e Selin Macieira-Boşgelmez, exibiu no ecrã uma mensagem dirigida ao partido Chega: “Fuck Chega” (“Que se f**a o Chega”, em português). Além da mensagem escrita, a vocalista incentivou o público a gritar consigo a mesma frase.
Presentes no festival para apresentar o álbum de estreia, “Who Let the Dogs Out”, o duo deixou ainda outras mensagens de cariz político, como “Que se lixe a extrema-direita” e “Libertem a Palestina, libertem o Congo, libertem o Sudão**”**, tendo também exibido a bandeira da Palestina.
André Ventura, líder do Chega, já reagiu à atuação através da sua conta na rede social X, questionando a utilização de “dinheiro dos contribuintes” para financiar aquilo que classificou como “disparates”.
“‘Fuck Chega’ ouviu-se no palco do Festival de Vilar de Mouros, onde se gastam milhares de euros de dinheiro dos contribuintes (portanto também os militantes e apoiantes do Chega pagaram estes disparates). Vale tudo para nos insultar? Podem as drogas e a cabeça ‘queimada’ ser justificação para ofender milhões de portugueses, ainda por cima com dinheiros públicos?”, escreveu.
Também a presidente da Câmara Municipal de Caminha, concelho que recebe o festival, já repudiou a atitude do duo. Liliana Silva, eleita pelo PSD, classificou a situação como “lamentável” numa publicação na sua página de Facebook.
“Repudio a situação desta artista da mesma forma que repudio aproveitamentos políticos em torno disto. O Festival de Vilar de Mouros não tem partido nem cores. Pertence ao concelho de Caminha”, escreveu a autarca.
Liliana Silva mostrou-se ainda revoltada com o facto de artistas utilizarem o festival “para insultar seja o que for”, considerando que tal atitude “é atentatória da liberdade, do respeito e da sã convivência que queremos que paute neste Festival”.
O Festival CA Vilar de Mouros é considerado o decano dos festivais de música da Península Ibérica e realiza-se na localidade que lhe dá nome, Vilar de Mouros, no concelho de Caminha, há mais de seis décadas.
Numa entrevista ao Jornal de Notícias, um dos media partners do festival, a vocalista, Phoebe Lunny, considerou que os artistas não têm de ter partidos políticos, contudo, tendo em conta "o aumento geral do fascismo a nível global, acho que todos os artistas têm a responsabilidade de, pelo menos, refletir as opiniões das pessoas à sua volta e as situações e ambiente em que se encontram".
A baixista, Selin Macieira-Boşgelmez, com origens portuguesas, disse ainda que a banda pretende ir ao encontro das origens do género de música que representam. "Acho que os climas políticos estão a tornar-se muito mais extremos, e acho que isso também está a ser representado na música. Acho que especialmente nós, enquanto banda, e enquanto identidade, estamos, de certa forma, muito construídas à volta disso", disse na mesma entrevista ao JN.
O Festival CA Vilar de Mouros é considerado o decano dos festivais de música da Península Ibérica e realiza-se na localidade que lhe dá nome, Vilar de Mouros, no concelho de Caminha, há mais de seis décadas.