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"Viés psicológico" dos europeus face às alterações climáticas pode atrasar progresso, alerta estudo

Pessoas observam o pôr do sol no recinto do Memorial da Liberdade, em Kansas City, Missouri, 12 de maio de 2025
Pessoas observam o pôr do sol a partir dos terrenos do Liberty Memorial, em Kansas City, Missouri, a 12 de maio de 2025 Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved
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De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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Os cientistas alertam que a nossa compreensão e perceção dos riscos causados pelas alterações climáticas são "limitadas e têm falhas".

A maioria das pessoas acredita que as alterações climáticas afetam mais os outros do que a si próprias, enquanto os cientistas alertam que o nosso "enviesamento psicológico" pode estar a dificultar os esforços para travar o aquecimento global.

Investigadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, analisaram recentemente 83 estudos envolvendo mais de 70 mil pessoas de 17 países. Algo que incluiu participantes dos EUA, da Ásia e da Europa.

Publicado na revista Nature Sustainability, o estudo concluiu que os riscos associados às alterações climáticas são "sistematicamente subestimados", mesmo quando as pessoas levam a sério as consequências da crise climática.

Quem é afetado pelas alterações climáticas?

A meta-análise concluiu que 65% dos participantes avaliaram o seu próprio risco de serem afetados pelas alterações climáticas como inferior ao dos outros, o que, segundo os cientistas, pode reduzir a vontade individual de combater o aumento das temperaturas.

Dizem que a escolha de um grupo de referência desempenha um papel importante nesta lógica de "não a mim", sendo as avaliações de risco mais enviesadas quando as pessoas se comparam com "os outros em geral". Estes podem ser concidadãos, a humanidade como um todo, bem como países com menor risco climático geral.

Este efeito foi sobretudo observado na Europa, apesar de o continente estar a aquecer a um ritmo aproximadamente duas vezes superior à média global. No último ano, tal aumentou a frequência e a gravidade dos fenómenos meteorológicos extremos, provocando perdas económicas a curto prazo de, pelo menos, 126 mil milhões de euros e causando a morte de milhares de pessoas.

Em 81 dos 83 estudos incluídos na análise, os participantes avaliaram o seu próprio risco como sendo inferior ao dos outros, ou abaixo da média, tanto em relação a eventos climáticos extremos como a riscos mais gerais relacionados com o clima.

"Encontrámos esse efeito em todos os estudos, exceto em dois, nos quais os participantes eram agricultores na China e na Coreia do Sul que tinham sido expostos diretamente às consequências das alterações climáticas", afirma Pär Bjälkerbring, docente sénior de Psicologia na Universidade de Gotemburgo.

"Isto sugere que a experiência direta reduz o efeito."

Um "enviesamento psicológico" face às alterações climáticas

Os investigadores dizem que os resultados mostram que a nossa perceção dos riscos associados às alterações climáticas é "limitada e tem falhas" e pode atrasar as ações climáticas necessárias.

"Mesmo quando as pessoas reconhecem os riscos reais das alterações climáticas, muitas parecem encará-los como algo que afeta sobretudo os outros", afirma Magnus Bergquist, docente sénior de Psicologia na Universidade de Gotemburgo.

"Trata-se de um enviesamento psicológico que, no pior dos cenários, pode retardar os esforços de adaptação e de mitigação climática."

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