Em conferência de imprensa, Nuno Lopes, dirigente do IPMA, relatou que as previsões apontam para uma situação de maior acalmia este sábado, que deverá reverter-se já a partir de domingo.
Portugal deverá voltar a registar um agravamento do estado do tempo a partir de domingo. A informação foi avançada por Nuno Lopes, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide.
Segundo as previsões existentes de momento, também sustentadas em dados estatísticos, relatou o dirigente do instituto meteorológico, este sábado será um dia de alguma acalmia, no qual existirá uma "pequena folga" ao nível da precipitação, que deverá ser menos expressiva.
Mas, a partir de domingo, é esperado "um período prolongado de precipitação", sendo expectável a queda de chuva "todos os dias, praticamente em todo o território", mas "sobretudo no norte e no centro" do país, que têm já sido das regiões mais afetadas pelas condições atmosféricas adversas nos últimos dias.
A propósito das últimas previsões, são assim esperados "mais de 160 milímetros [de precipitação] distribuídos ao longo da semana na parte norte do território, mas também a parte sul será afetada", explicou Nuno Lopes.
Ou seja, detalhou ainda, "pontualmente" poderão existir situações "de precipitação forte" em Portugal, eventualmente acompanhadas de "trovoada", mas o que suscita maior preocupação é a quantidade de chuva que se deverá registar ao longo desse período, que se espera que seja "muito chuvoso".
Este cenário será ainda acompanhado de "agitação marítima forte, a partir, também, do início da próxima semana", mas também de queda de neve e de alguns episódios de ventos, expectáveis para os próximos dias.
Tempestade Kristin terá sido "a mais forte a atingir Portugal continental"
Nuno Lopes, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sobre a depressão que assolou o país nos últimos dias, fez questão de evidenciar a severidade da mesma: "A tempestade Kristin, que nos atingiu [...], poderá ter sido, provavelmente, a tempestade mais forte, desde que temos registos, a atingir Portugal continental."
Assim, sobre aquilo que está previsto para a próxima semana, assegurou que tudo aponta para um cenário menos gravoso. "Não estamos à espera de nada, nada, que tenha a ver com essa situação. Não há impossíveis, mas a probabilidade é quase zero."
Detalhou ainda, a este propósito, que os modelos meteorológicos analisados pelo IPMA apontam para a existência de "uma anomalia" que vem agravar aquela que é tida como uma "típica precipitação de inverno", habitualmente mais frequente nos meses de "janeiro e fevereiro".
Isto é, para os próximos dias, "aquilo que se espera é um tempo invernoso sobre um território que, já de si, apresenta fragilidades, que já de si teve um dezembro dos mais chuvosos, o sétimo desde o início do século".
Geradores? "Todos os pedidos têm sido necessariamente supridos"
Questionado pelos jornalistas sobre os relatos de uma inexistência de geradores suficientes em algumas das localidades mais afetadas pela passagem da tempestade Kristin, Mário Silvestre, comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, começou por considerar que a "falta de energia elétrica é um dos principais problemas que têm de ser sanados no mais curto espaço de tempo".
Deixou a garantia, ainda assim, de que "todos os pedidos de geradores que chegaram, e que vão chegando, ao Comando Nacional [de Proteção Civil] estão supridos através dos diversos agentes de Proteção Civil que têm esses meios".
Tendo acrescentado também, sobre o facto de algumas regiões não estarem a conseguir dar resposta às necessidades energéticas das suas populações: "Acredito que, em algumas zonas, ainda não tenham chegado esses geradores ou, então, o pedido ainda não tenha chegado à Autoridade Nacional para nós podermos suprir essa necessidade. Mas todos os pedidos têm sido necessariamente supridos."
Detalhou ainda que está já a ser feita, neste momento, "uma realocação de recursos", visto que "nas zonas onde já se recuperou a energia elétrica", tais geradores passam a estar "disponíveis" para ser "realocados a outras zonas".
Proteção Civil prepara meios de resposta
Perante as recentes previsões apresentadas pelo IPMA, Mário Silvestre, comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, garantiu que este organismo está "preparado para a eventualidade de termos alguma situação que corra menos bem" nos próximos dias, em que está prevista a possibilidade de situações de cheias. E que, por esse motivo, está a "aprontar um conjunto de meios aquáticos", nomeadamente "embarcações de socorro", para dar resposta às várias ocorrências que possam surgir.
Avisou, no entanto, que "o comportamento do cidadão" também "assume aqui um papel preponderante", tendo alertado que "estradas que estão sinalizadas como submersas não devem ser atravessadas", "parques de estacionamento que estão em leito de cheia" devem ser evitados, e que as populações devem trabalhar no sentido de retirar "todos os bens e animais de zonas potencialmente inundáveis". Conselhos estes que, acrescentou Mário Silvestre, devem também ser seguidos por quem reside e se desloca em zonas urbanas, onde poderão também ocorrer "inundações rápidas".
*Notícia em atualização