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Depressão Kristin: impacto foi três vezes superior ao apagão, diz autarca de Leiria

Efeitos da depressão Kristin em Leiria, 29 de janeiro de 2026
Efeitos da depressão Kristin em Leiria, 29 de janeiro de 2026 Direitos de autor  Euronews
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De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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Infraestrutura elétrica foi fortemente impactada e cerca de 450 mil clientes ficaram sem energia, a maioria no distrito de Leiria. Autarca da cidade criou ponto de apoio para entrega de alimentos e lonas para cobertura dos telhados. Após corrida aos supermercados, água começou a escassear.

O concelho de Leiria foi o mais duramente afetado pela passagem da depressão Kristin por Portugal continental, com parte da população ainda sem eletricidade, água e comunicações.

Além de três mortes registadas, o município teve de lidar com quedas de árvores, destruição de casas, empresas e instalações desportivas, cortes de estradas e condicionamento dos transportes, fecho de escolas e fortes danos na infraestrutura elétrica.

Houve "um impacto muito grande" nas linhas de alta, média e baixa tensão do distrito de Leiria, afirmou à Lusa o secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, adiantando que estão em funcionamento seis de 13 subestações. É precisamente neste distrito que está a maioria dos mais de 400 mil clientes que ficaram sem eletricidade.

A E-Redes está a avaliar a possibilidade de ser instalada uma subestação móvel, para que o fornecimento possa ser reposto com a maior brevidade possível, avançou a autarquia.

"Não vale a pena estar a criar expectativas, posso é garantir que está a fazer-se o maior esforço possível para, de uma forma provisória, poder dar uma resposta e para poder reerguer as ligações de alta tensão para que possam depois configurar uma reposição da normalidade", disse o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esteve na cidade de Leiria, ao início da tarde de quinta-feira.

O chefe de governo anunciou que Portugal está em contacto com a Comissão Europeia no sentido de determinar "a melhor forma de financiamento” para apoiar as famílias e empresas afetadas, referindo que não tem, para já, uma estimativa da quantia necessária.

"Este não é um problema exclusivo de Portugal e, portanto, os mecanismos de solidariedade a que pudermos recorrer, recorreremos. Francamente, nesta fase também pedindo e esperando que outros meios de reparação de danos possam também ser mais rápidos", declarou Montenegro, numa referência às companhias de seguro.

O presidente da Câmara Municipal, Gonçalo Lopes, afirmou que serviços básicos como a eletricidade, água e telecomunicações deverão ser repostos ao longo dos próximos dias, mas deixou claro que algumas infraestruturas residenciais, comerciais e desportivas levarão muito mais tempo a ser reparadas e reconstruídas, algumas delas vários anos.

Ponto de recolha de alimentos

A Câmara Municipal instalou um posto de apoio à população na cave do Pavilhão dos Pousos na cidade.

Neste local, poderão ser entregues alimentos não perecíveis, produtos de higiene, bem como plásticos e lonas para cobertura dos telhados arrancados pelas rajadas de vento, que, no concelho, atingiram os 178 km/h.

A preocupação causada pelo mau tempo levou muitos habitantes numa corrida aos supermercados, onde se formaram filas à entrada, tendo sido necessário fazer um controlo do acesso. Vários confirmaram à Euronews que a água já começou a escassear.

Num ponto da situação feito na manhã de quarta-feira, antes da visita de Montenegro, o autarca de Leiria sublinhou que o impacto da depressão Kristin no concelho foi três vezes superior ao do apagão de 2025.

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