Autoridades alertam para rajadas de vento que poderão superar os 100 km/h, além de um maior risco de queda de árvores e de infraestruturas. Quase 900 pessoas foram deslocadas desde o início das tempestades.
A Proteção Civil alerta que a chegada da depressão Marta, na noite desta sexta-feira, requer cautela máxima devido à previsão de chuva e rajadas de vento fortes que poderão oscilar entre os 100 e os 110 quilómetros por hora.
No último balanço a partir da sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, o Comandante Nacional Mário Silvestre informou que a parte do território entre Leiria e o Algarve será especialmente afetada pela precipitação, alertando que se trata de uma situação "extremamente preocupante".
"Os movimentos de massas, ou seja, as derrocadas, são neste momento um risco extremamente significativo. É preciso ter cuidado com, por exemplo, estacionamentos junto a muros que sirvam de parede, barreiras, a zonas de algum declive. A pressão da água com esses muros é extremamente elevada", advertiu.
No terreno estão mobilizados perto de 27 mil operacionais, sendo que ao longo do dia de hoje operaram dois meios aéreos da ANEPC e dois da Força Aérea que fizeram o controlo em território nacional para retiradas em zonas críticas.
Mário Silvestre sublinha também que "todos os cursos de água que desaguam nos rios principais podem criar potencial de inundação, porque não conseguem escoar". Há, por isso, um "risco significativo" para as populações que vivem ou circulam junto às margens.
Os rios que inspiram maior preocupação são o Douro, por causa das barragens espanholas, o Mondego, cuja cota na barragem da Aguieira “subiu significativamente”, e o rio Tejo, influenciado pelas descargas das barragens de Alcântara e Cedillo.
Para esta sexta-feira e sábado há um alto risco de inundações nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado.
Sob risco de cheias, ainda que não elevado, estão igualmente os rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.
As regiões do Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo serão as mais atingidas pela depressão Marta.
A Proteção Civil dá conta de 7517 ocorrências no total, desde domingo, e de quase 900 pessoas deslocadas.
“No total e até ao momento, foram deslocadas 884 pessoas, estando todas elas devidamente realojadas”, afirmou Mário Silvestre, acrescentando que há ainda localidades isoladas no Cartaxo, Coimbra e Algarve.
Neste momento, estão ativos 90 planos municipais e sete planos distritais de emergência.
Mantêm-se as inundações em Coruche, por força do galgamento da margem direita do rio Sorraia, e em Alcácer do Sal, onde, ainda assim, a água recuou perto de dois metros.
No concelho de Santarém, 250 pessoas foram retiradas de casa devido às cheias.
Quase mil feridos no hospital de Leiria desde depressão Kristin
O hospital de Leiria recebeu 984 feridos com traumas desde 28 de janeiro, quando a depressão Kristin chegou à região, segundo informação avançada hoje na reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil.
A Leiria chegaram dezenas de camiões oriundos de França, numa missão solidária registada nas redes sociais pelo autarca da cidade.
A norte, na sequência da precipitação forte, o rio Douro galgou as margens, alagando as zonas de Miragaia e da Ribeira no Porto, e vários pontos do concelho vizinho de Vila Nova de Gaia.
O alerta laranja, em vigor desde 27 de janeiro, passou agora para o nível máximo, o vermelho, devido ao risco de inundações.
A Proteção Civil tem um bote disponível para as deslocações.
Prejuízos de 4 mil milhões de euros
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, estimou esta sexta-feira que os prejuízos provocados pelo mau tempo já superam os quatro mil milhões de euros.
Numa visita a Santarém, o chefe de governo disse que estão a ser usados "todos os instrumentos financeiros" para fazer face a esses estragos.
"Relativamente à recuperação de casas, já temos hoje cerca de 450 pessoas que recorreram à plataforma para aceder ao apoio que está disponibilizado. Em termos de agricultores, já há mais de 1.200. Em termos de empresas, também cerca de 1.200. Estamos a falar já de uma disponibilidade financeira que ultrapassa os 350, 400 milhões de euros, no conjunto de todas estas ajudas", afirmou Montenegro, numa declaração transmitida pelas televisões, clarificando que está previsto o recurso a "recursos privados (como as companhias de seguros) e recursos públicos".
"Nós teremos de ter capacidade de financiamento, temos o Orçamento do Estado, temos uma reorganização dos fundos disponíveis, incluindo o PRR, e teremos também outros fundos aos quais nos estamos a candidatar e que estamos em permanente contacto com os organismos", acrescentou.
O governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio num valor de até 2,5 mil milhões de euros.