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Ministra da Administração Interna demite-se. Montenegro assume o cargo temporariamente

Maria Lúcia Amaral - Ministra da Administração Interna
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De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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Marcelo Rebelo de Sousa já aceitou a demissão. Primeiro-ministro assume "transitoriamente as competências" do ministério, adiantou a Presidência em nota publicada na página da Internet.

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, apresentou a demissão, que já foi aceite pelo presidente da República.

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"O Presidente da República aceitou o pedido de demissão da Ministra da Administração Interna, que entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo", lê-se numa nota publicada na página da Presidência na Internet.

A exoneração foi proposta pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, "que assumirá transitoriamente as respetivas competências", adianta a Presidência no mesmo texto.

Maria Lúcia Amaral, que foi provedora de Justiça desde novembro de 2017 até junho de 2025, altura em que tomou posse como ministra, recebeu duras críticas pela forma como respondeu ao comboio de tempestades que assola o país desde o final de janeiro.

A antiga ministra apenas convocou a Comissão Nacional de Proteção Civil quatro dias após a passagem da depressão Kristin. Só nesta reunião é que foi ativado o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, instrumento que permite a coordenação técnica e operacional dos meios a empregar perante um acidente grave ou catástrofe em Portugal continental.

Uma das declarações recentes mais contestadas de Maria Lúcia Amaral foi proferida a 2 de fevereiro deste ano, ao ser confrontada com o alegado atraso no apoio às populações afetadas pela intempérie.

Não sei o que falhou. Não posso dizer exatamente o que falhou. O sistema é complexo e é preciso ter em conta que as necessidades são muitas. Há aspetos múltiplos: comunicações, falta de energia. Tudo isso pode ter contribuído para que se sentisse a falta [de apoio] durante mais tempo”, declarou Maria Lúcia Amaral aos jornalistas, em Alvaiázere.

Já em agosto do ano passado, em plena época de incêndios, tinha visto a sua liderança questionada.

O próprio presidente da República fez reparos à atuação de Maria Lúcia Amaral depois de esta, após ler uma comunicação, ter abandonado uma conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, sem responder às perguntas dos jornalistas, acabando por remeter mais esclarecimentos para o comandante nacional, Mário Silvestre.

"Vamos embora", disse a então ministra, ignorando os repórteres.

Marcelo destacou, nessa ocasião, o “papel fundamental da comunicação social” para o “esclarecimento, informação atempada” e para “fazer as pessoas acreditarem nos responsáveis”.

“Nem sempre quem está perante situações de sufoco é capaz de perceber isso e responder em conformidade”, realçou, à época, o chefe de Estado sobre a ministra.

Ventura: "Falhanço evidente de Montenegro"

Dois dias depois de concluído o ciclo eleitoral das presidenciais, André Ventura, de novo na qualidade de presidente do Chega, considerou, numa publicação na rede social X, que a demissão de Maria Lúcia Amaral "é a prova da incapacidade do Governo em gerir todas as adversidades que o país tem enfrentado, desde os incêndios ao recente fenómeno das tempestades".

A mira de Ventura foi apontada ao primeiro-ministro.

"É um falhanço evidente de Luís Montenegro que, da saúde à administração interna, vai perdendo o controlo do Governo", acrescentou, antes de rematar com uma questão:

"Quanto mais tempo vai demorar até serem resolvidos os outros 'erros de casting' deste Governo?".

Carneiro: "Prova de que o governo falhou"

Também o secretário-geral do Partido Socialista (PS) colocou o ónus no governo encabeçado por Luís Montenegro.

"É a prova de que o governo falhou", atirou o líder socialista, em declarações à RTP.

"O responsável pela Proteção Civil é o primeiro-ministro. O primeiro-ministro deve ter consciência de que não é por substituir a ministra da Administração Interna ou qualquer outra ministra da Saúde que os problemas se resolvem per si“, afirmou José Luís Carneiro, recordando que, duas semanas passadas desde a depressão Kristin, ainda há portugueses sem energia e sem água.

A demissão ocorre no dia em que Henrique Gouveia e Melo, candidato à Presidência da República nas últimas eleições, escreveu um artigo no jornal Público a sublinhar "a evidente falta de preparação e de capacidade da ministra da Administração Interna".

O antigo chefe do Estado-Maior da Armada referiu mesmo que Maria Lúcia Amaral deveria pedir "por sua própria iniciativa a sua exoneração”, enfatizando que "o Estado falhou" na resposta ao último "ciclo de tempestades".

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