Portugal foi atingido por duas tempestades devastadoras com uma semana de intervalo. O estado de calamidade foi prolongado até ao dia 15 de fevereiro. Depois do Leonardo, a tempestade Marta chega já este sábado.
Os efeitos da tempestade Leonardo levaram o governo português a alargar o estado de calamidade até ao dia 15 de fevereiro. Na noite de quinta para sexta-feira, o mau tempo continuou a assolar Portugal Continental, com cheias um pouco por todo o país e milhares de ocorrências. A situação mais preocupante verifica-se em Alcácer do Sal, onde mais de 90 pessoas tiveram já de ser resgatadas das cheias. Só durante o dia de quinta-feira, a Marinha resgatou 130 pessoas afetadas pelas cheias em todo o país. 179 moradores de Alcácer foram retirados de casa e oito aldeias do concelho ficaram isoladas.
Lisboa e Porto entraram em alerta vermelho devido à subida do caudal dos rios Tejo e Douro, com os municípios a avisar as populações que se mantenham afastadas das zonas ribeirinhas. Também os concelhos de Torres Vedras e Lourinhã, no distrito de Lisboa, estão com várias estradas inundadas e cortadas.
No Porto, o rio Douro transbordou e inundou as margens em várias zonas ribeirinhas.
Depois de encerrar a circulação nas linhas verde e azul, o metro de Lisboa retomou à normalidade. Em várias estações nas zonas ribeirinhas foram tomadas medidas de proteção para evitar inundações. No que toca aos comboios há ainda algumas linhas ferroviárias suspensas, assim como alguns constrangimentos ao nível da circulação rodovária, com estradas cortadas.
Para já, há a lamentar duas mortes causadas pelas mais inundações, sendo o balanço mortal total das tempestades das últimas semanas, vítimas diretas e indiretas, de 12 pessoas, até agora. Milhares de pessoas continuam sem eletricidade em várias localidades.
Durante a manhã desta sexta-feira, o site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil registava cerca de 140 ocorrências, com mais de 13 mil operacionais e 440 carros terreno.
Além das fortes chuvas a causar cheias, a agitação marítima está a preocupar as autoridades, com dez distritos em alerta laranja.
Plano das presidenciais mantém-se
O governo português vai suspender vários projetos públicos de grande envergadura para reafetar trabalhadores à proteção contra as inundações e à reparação dos danos, e está agora a trabalhar no sentido de envolver trabalhadores estrangeiros convidados, anunciou o primeiro-ministro Luís Montenegro. O governo apela também aos portugueses que vivem no estrangeiro e trabalham na construção civil para que regressem ao país e trabalhem no esforço de reconstrução.
"Desde 28 de janeiro, tivemos de lidar com uma catástrofe sem precedentes e a situação está a ser agravada pela recente precipitação intensa, como há muito não se via. Esta é uma ótima oportunidade para mostrar o grau de preparação de Portugal e a capacidade dos portugueses. É uma crise da qual vai demorar muito tempo a recuperar", afirmou Montenegro.
Montenegro prometeu ainda que os apoios financeiros de urgência a quem perdeu rendimento podem atingir 12.900 euros num ano e chegarão, o mais tardar, na próxima segunda-feira
Apesar dos apelos, nomeadamente do candidato André Ventura, para que a segunda volta das eleições presidenciais fosse adiada, a Comissão Nacional de Êleições mantém a data deste domingo, até porque seria necessário um estado de emergência, aprovado pela Assembleia da República, para que houvesse um adiamento a nível nacional. O adiamento nacional é também rejeitado pelo candidato António José Seguro.
No entanto, é possível haver adiamentos a nível local. Alcácer do Sal e outros municípios mais afetados pela situação, nomeadamente Golegã, Arruda dos Vinhos e Pombal, decidiram adiar o voto em uma semana.
Aumento do caudal do Tejo preocupa
Dias de chuva torrencial fizeram com que o rio Tejo duplicasse o caudal e transbordasse em muitos sítios. A Autoridade Nacional de Proteção Civil ordenou a evacuação de várias localidades ao longo do rio. As equipas de salvamento estão a utilizar embarcações a motor disponibilizadas pela marinha para tentar localizar as pessoas presas nas suas casas.
A situação no Tejo está também a causar um aumento dos caudais nos rios Zêzere, Nabão e Sorraia. A situação repete-se nos rios Minho, Lima, Cávado, Douro, Vouga, Mondego, Lis, Sado, Guadiana, ribeiras do Arade e ribeiras do Algarve. Há estradas submersas e derrocadas por todo o país
A Proteção Civil mantém o nível máximo de prontidão e o Exército mobilizou mais de 2000 militares.
Em todo o país, registam-se cortes de energia, encerramento de escolas e escritórios e perturbações nos transportes públicos.
O mau tempo deve continuar nos próximos dias. Após a tempestade Leonardo, segue-se a Marta, que atinge Portugal já este sábado. Se para esta sexta-feira se prevê uma melhoria do estado do tempo, sábado a situação deve voltar a piorar, com mais chuva e ventos fortes, com rajadas que podem chegar aos 100 km/hora.