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Escândalo de corrupção na Eslovénia agrava-se: primeiro-ministro apela a investigação da UE

O primeiro-ministro da Eslovénia, Robert Golob, fala com os meios de comunicação social no edifício do Conselho Europeu em Bruxelas, 19 de março de 2026
O primeiro-ministro da Eslovénia, Robert Golob, fala com os meios de comunicação social no edifício do Conselho Europeu em Bruxelas, 19 de março de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Marina Stoimenova
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O escândalo marcou a campanha pré-eleitoral, deixando o eleitorado dividido e aumentando as tensões em todo o espetro político.

A poucos dias das eleições legislativas de 22 de março, a Eslovénia está envolvida num escândalo político de grandes proporções, na sequência da divulgação de gravações que alegam má conduta do primeiro-ministro Robert Golob e do seu círculo íntimo.

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Três dias antes das eleições, Golob enviou uma carta aos líderes da União Europeia, incluindo à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestando a sua preocupação com a influência estrangeira nas eleições da Eslovénia.

As gravações, publicadas no site anti-corrupção 2026, mostram, alegadamente, altos funcionários a discutir a aceleração dos processos de adjudicação de contratos públicos, a transferência de fundos estatais e manipulações em negócios.

Entre os casos mais polémicos está a compra de um edifício parcialmente em ruínas em Liubliana por 7,7 milhões de euros, que é quase cinco vezes o seu preço de aquisição em 2019. As revelações intensificaram o escrutínio sobre a alegada utilização indevida de fundos públicos, o tráfico de influências e a pressão sobre empresas e jornalistas.

O Presidente do Conselho Europeu, António Costa, cumprimenta o Primeiro-Ministro esloveno, Robert Golob, na cimeira da UE em Bruxelas, 19 de março de 2026
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, cumprimenta o primeiro-ministro da Eslovénia, Robert Golob, na cimeira da UE em Bruxelas, 19 de março de 2026 AP Photo

As fugas de informação alegam também que o governo de Robert Golob utilizou empresas públicas, incluindo a DARS e a GEN-I, para efetuar pagamentos a jornalistas e ONG's em troca de uma cobertura mediática favorável. Outras alegações envolvem extorsões em acordos de investimento em hotéis e tentativas de exercer controlo político sobre grandes empresas estatais, levantando sérias questões sobre a corrupção sistémica no seio da coligação no poder.

Golob alega interferência estrangeira

Em resposta, o governo acusou atores estrangeiros de tentarem interferir no processo eleitoral da Eslovénia. O governo alega que a empresa israelita de serviços secretos privados Black Cube orquestrou uma operação para recolher informações comprometedoras sobre a oposição, que foram depois utilizadas contra a coligação de Golob.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Tanja Fajon, descreveu a operação como "um ataque direto à democracia e à soberania da Eslovénia".

Golob confirmou que o secretariado do conselho de Segurança Nacional iria analisar um relatório da Agência Eslovena de Informações e Segurança (SOVA), de modo a avaliar o alcance da alegada interferência.

Entrada dos escritórios da Black Cube em Telavive, 8 de fevereiro de 2019
Entrada dos escritórios da Black Cube em Telavive, 8 de fevereiro de 2019 AP Photo

O líder da oposição, Janez Jansa, e o seu Partido Democrático Esloveno (SDS) rejeitaram qualquer ligação à Black Cube, argumentando que as fugas de informação expõem "a verdadeira corrupção da elite de esquerda".

O SDS apelou a investigações independentes, criticando a administração de Golob por alegada utilização indevida de recursos públicos e manipulação dos meios de comunicação social, e acusando o governo de tentar desviar a atenção dos seus próprios erros.

Presidente apela a uma ação rápida

A presidente Nataša Pirc Musar, que não tem qualquer ligação política, alertou para o facto de que mesmo provas parciais de interferência estrangeira poderiam minar as bases democráticas da Eslovénia.

"Estes acontecimentos exigem uma ação rápida e transparente. Ameaçam o quadro democrático da República da Eslovénia, independentemente do partido que está no poder ou na oposição", afirmou.

Em resposta ao escândalo, o conselho de Segurança Nacional e a comissão parlamentar de supervisão dos serviços secretos interrogaram funcionários da SOVA e da polícia para determinar se as alegadas atividades da Black Cube constituíam uma ameaça tangível para as eleições.

Nataša Pirc Musar, presidente da Eslovénia, na reunião anual do Fórum Estratégico de Bled, em Bled, 2 de setembro de 2025
Nataša Pirc Musar, presidente da Eslovénia, na reunião anual do Fórum Estratégico de Bled, em Bled, 2 de setembro de 2025 AP Photo

Carta à União Europeia

O primeiro-ministro Robert Golob pediu a Ursula von der Leyen que investigue as alegações de que a empresa de serviços secretos israelita Black Cube interferiu na campanha eleitoral da Eslovénia**.**

Numa carta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Robert Golob manifestou a sua preocupação com a interferência estrangeira no processo democrático, descrevendo a situação como "um caso grave de manipulação e interferência de informação estrangeira".

Advertiu que tais ações "representam uma clara ameaça híbrida contra a União Europeia e os seus Estados-membros, que tem um impacto negativo ou ameaça potencialmente os nossos valores, procedimentos e processos políticos comuns".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, faz uma declaração durante uma conferência de imprensa na sede da UE em Bruxelas, 18 de março de 2026
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, faz uma declaração durante uma conferência de imprensa na sede da UE em Bruxelas, 18 de março de 2026 AP Photo

Golob referiu que a empresa privada de serviços secretos israelita Black Cube é "conhecida pelas suas campanhas de difamação com um objetivo: minar a confiança dos cidadãos nos processos democráticos, divulgando alegações de corrupção falsificadas em momentos precisamente planeados, neste caso, imediatamente antes das eleições gerais".

Estas atividades representam uma ameaça para a segurança nacional e influenciam as eleições democráticas", acrescentou, instando as instituições europeias a investigar o assunto.

Consequências políticas

O escândalo marcou a campanha pré-eleitoral, deixando o eleitorado dividido e aumentando as tensões em todo o espetro político.

As sondagens indicam uma corrida renhida entre a coligação de centro-esquerda de Golob e o bloco de centro-direita de Janša.

À medida que as eleições se aproximam, as questões da corrupção, da má utilização dos fundos públicos e da potencial interferência estrangeira dominam o debate público e são suscetíveis de influenciar o resultado.

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