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Depressão Leonardo: Proteção Civil aconselha populações ribeirinhas do Tejo a abandonar casas

Portugal continua a sentir efeitos da depressão Leonardo
Portugal continua a sentir efeitos da depressão Leonardo Direitos de autor  AP Photo/Armando Franca
Direitos de autor AP Photo/Armando Franca
De Euronews
Publicado a Últimas notícias
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A Proteção Civil registou milhares de ocorrências e alerta para cenários de inundações em zonas ribeirinhas. O país está sob alerta amarelo devido à chuva e vento forte. Há desalojados e pessoas resgatadas, localidades inundadas e aldeias isoladas. Milhares estão sem energia elétrica.

Portugal continua debaixo de chuva e vento forte, com os efeitos da depressão Leonardo a fazerem-se sentir um pouco por todo o território do continente. O país está sob alerta amarelo devido à chuva e vento forte com os avisos a estenderam-se até, pelo menos, às 18:00. Também a costa portuguesa está marcada a laranja por causa da agitação marítima.

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Durante a última madrugada a Proteção Civil registou milhares de ocorrências.

De acordo com o último balanço foram registas 5.793 ocorrências na sequência da depressão Leonardo, havendo mesmo aldeias e povoações isoladas com os efeitos da intempérie.

Mais de 20 mil operacionais, apoiados por oito mil viaturas e três helicópteros estão destacados no terreno para apoio à população. Os impactos são grandes, com a Autoridade Nacional de Proteção Civil a indicar que em Santarém, encontram-se isoladas as povoações de Reguengo do Alviela, Valada, Porto da Palha e Caneira e, em Coimbra, as de Ereira, em Montemor-o-Velho.

O mau tempo da última madrugada fez ainda aumentar para 86 mil o número de pessoas sem energia elétrica, segundo a informação divulgada pela E-REDES e confirmada pela Proteção Civil.

Subida dos caudais dos rios gera preocupação

As zonas ribeirinhas são as que causam mais preocupação. Neste momento, os planos distritais de Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leiria, Lisboa e Beja estão ativados, assim como 84 planos municipais de emergência.

Ainda sobre as preocupações sobre a subida das águas dos rios, a Proteção Civil ativou hoje o alerta vermelho para a bacia do Tejo devido à subida abrupta do caudal, provocada pelas descargas das barragens, o que coloca em risco zonas ribeirinhas e impõe medidas preventivas. O nível vermelho, o mais elevado de uma escala de quatro, indica risco extremo de inundações e cheias significativas devido ao mau tempo.

Proteção Civil aconselhou as populações ribeirinhas do Tejo a abandonar casas devido ao aumento do caudal do rio. A Câmara de Santarém determinou mesmo a "evacuação obrigatória das zonas ribeirinhas" e o encerramento de todas as escolas do concelho como medidas urgentes de proteção à população.

As condições hidrológicas são de elevado risco de inundações nos rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Sado, registando-se inundações significativas nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo e Sorraia. Várias zonas ribeirinhas da vila de Alcoutim, no Algarve, continuam inundadas devido ao aumento do caudal do rio Guadiana.

No último balanço a Proteção Civil sinalizou também os números de deslocados na sequência da tempestade. Atualmente, a Proteção Civil contabiliza 145 pessoas deslocadas em Leiria, 53 no distrito de Santarém, 53 em Castelo Branco e outras 132 estão em risco num lar em Coruche que poderá ainda ser evacuado de forma preventiva.

Mário Silvestre informou ainda que, no distrito de Setúbal, há 15 pessoas deslocadas, entre elas oito acamados, tendo já sido realojados em instalações da Proteção Civil.

Além dos estragos materiais, a depressão já fez vítimas humanas.

Uma pessoa morreu na sequência do mau tempo. Um homem de 60 anos não sobreviveu depois de ter sido arrastado pela corrente na bacia do Rio Guadiana na quarta-feira. O carro onde seguia ficou submerso junto à barragem da Amoreira, em Pias, no Alentejo, depois do homem ter tentado atravessar uma estrada inundada.

Contam-se já 11 vítimas mortais desde a semana passada, resultado direto e indireto da passagem das depressões Kristin e Leonardo.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Constrangimentos na circulação

O mau tempo e as consequentes inundações estão também a provocar sérios constrangimentos na circulação ferroviária, com a CP a confirmar a suspensão na culação ferroviária na Linha do Norte, no troço entre a Castanheira do Ribatejo e Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, Lisboa. A linha do Norte estava já suspensa também devido a inundações na zona de Alfarelos (Coimbra) para comboios de longo curso.

Nos barcos, a ligação fluvial feita pela Transtejo entre Trafaria, Porto Brandão e Belém foi interrompida durante as primeiras horas da manhã tendo sido retomada horas mais tardesdevido à melhoria do estado do tempo.

No que toca à circulação rodoviária, o mau tempo provocou o corte de mais de 100 estradas, a maioria nacionais e municipais. A circulação de motas e veículos com lonas está neste momento impedida na ponte 25 de Abril, informou a Lusoponte.

No ponto de situação, o comandante nacional da Proteção Civil lançou um apelo: “Se estiver a conduzir, não atravesse estradas inundadas. É crítico que não o faça. Pare em local seguro e elevado, longe das linhas de água”.

Alcácer do Sal com cheias históricas

Devido ao mau tempo e subida das águas, maos de 140 pessoas foram resgatadas em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal. As autoridades pedem à população que siga os concelhos dados e não resista ao cenário de saída de casa.

A subida do rio Sado provocou uma nova vaga de cheias em Alcácer do Sal, com o nível da água a ultrapassar os 1,20 metros na zona baixa da cidade durante a tarde do dia de ontem.

Marcelo Rebelo de Sousa esteve na cidade para acompanhar a situação no terreno, visitanto, juntamente com a presidente da Câmara da cidade, os locais mais afetados. O centro do município está completamente inundado devido ao mau tempo sendo que várias aldeias e localidades estão isoladas, segundo informou a autarquia.

As escolas de Alcácer do Sal vão manter-se encerradas até sexta-feira. Também as farmácias do município foram encerradas devido às inundações, com a população a ter de se deslocar até Grândola para a farmácia de serviço mais próxima.

Como consequência dos estragos provocados pelas cheias e a atual situação na cidade, a autarquia decidiu adiar a votação das presidenciais por uma semana, alegando não estarem reunidas "as condições mínimas" para a realização do ato eleitoral no concelho.

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