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Argentina: pumas regressam a parque e devoram pinguins

Pinguim-de-Magalhães na ilha Magdalena (Isla Magdalena), no Chile
Pinguim-de-Magalhães na ilha Magdalena (Isla Magdalena), no Chile. Direitos de autor  Timothy Read.
Direitos de autor Timothy Read.
De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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Estudo revela que pumas mataram milhares de pinguins em quatro anos, deixando a maioria parcialmente devorada.

Pinguins indefesos estão a ser mortos de forma maciça, à medida que as populações de pumas se recuperam no Parque Nacional de Monte León, na selvagem Patagónia argentina.

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Depois de a pecuária extensiva ter sido abandonada no sul do país, nos anos 90, os pumas começaram a voltar a ocupar parte da sua área de distribuição histórica. Ao mesmo tempo, as colónias de pinguim-de-Magalhães expandiram-se das ilhas próximas para o continente, onde antes não existiam predadores terrestres.

O resultado é aquilo a que os cientistas chamam um "dilema de conservação", que pode levar à diminuição das colónias de pinguins na região. Agora, um estudo da Universidade de Oxford quantificou o risco para a sobrevivência a longo prazo das populações de pinguins.

Como os pumas se tornaram a maior ameaça para estes pinguins

Investigadores do Centro de Investigaciones de Puerto Deseado da Universidad Nacional de la Patagonia Austral e vigilantes do Parque Nacional de Monte León têm vindo a monitorizar as populações de pinguins no parque.

Ao longo de quatro anos (de 2007 a 2010), contaram o número de carcaças de pinguins atribuídas à predação por pumas. Depois, colaboraram com a Wildlife Conservation Research Unit da Universidade de Oxford para analisar os dados.

O novo estudo, publicado no Journal for Nature Conservation, estima que mais de 7.000 pinguins adultos foram mortos durante aquele período de quatro anos, mas a maioria não foi totalmente consumida. Isto corresponde a cerca de 7,6% da população adulta.

A autora principal, Melisa Lera, afirma que o número de carcaças com sinais de predação na colónia é "impressionante".

"O facto de terem sido deixadas por comer significa que os pumas estavam a matar mais pinguins do que necessitavam para se alimentarem", acrescenta. "Isto é consistente com aquilo que os ecologistas descrevem como 'matança excedentária'."

A situação é semelhante à dos gatos domésticos, que podem acabar por caçar mais aves, mesmo que não as comam, por serem presas abundantes e vulneráveis.

Pinguins na Patagónia vão extinguir-se?

Os investigadores fizeram modelos com estes dados e concluíram que, por si só, os pumas dificilmente levarão a colónia do parque nacional à extinção.

O futuro dos pinguins parece ser mais sensível a fatores como o sucesso reprodutor e a sobrevivência dos juvenis, mas uma forte predação por pumas agravará estes efeitos.

"Este estudo capta um desafio de conservação emergente, em que carnívoros em recuperação se deparam com presas novas", afirma a coautora, doutora Jorgelina Marino.

"Perceber de que forma estas alterações na dieta afetam predadores e presas é essencial para orientar as medidas de conservação."

Uma vez que os modelos identificaram o sucesso de reprodução e a mortalidade dos juvenis como alguns dos principais determinantes da viabilidade das populações, os autores sublinham a necessidade de compreender como fatores ambientais, como nutrientes, alimento e temperatura, sabidamente influenciados pelas alterações climáticas, podem afetar o sucesso reprodutor dos pinguins.

As autoridades do Parque continuam a monitorizar as populações de pumas e de pinguins.

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