Comité Internacional de Resgate afirmou que o surto se propaga mais depressa do que a resposta na República Democrática do Congo.
O Comité Internacional de Resgate (IRC) alertou que o surto de Ébola na República Democrática do Congo pode tornar-se “o mais mortal de que há registo” se não forem tomadas medidas internacionais urgentes.
A Organização Mundial da Saúde indicou no início desta semana que há já mais de 900 casos suspeitos de Ébola e 220 mortes suspeitas na RDC. O surto já se alastrou também ao vizinho Uganda, onde existem sete casos confirmados, incluindo uma morte confirmada.
A epidemia é provocada pelo raro vírus Bundibugyo, para o qual não existe qualquer vacina comprovada, o que torna especialmente difíceis os esforços para travar a propagação.
Num comunicado, o IRC, organização de ajuda humanitária sediada em Nova Iorque e fundada em 1933, apelou a “financiamento e coordenação internacionais urgentes” para enfrentar o surto, alertando que o conflito regional e os cortes na ajuda estão a prejudicar as tentativas de o controlar.
“Os sinais de alerta estão todos vermelhos”, afirmou Bob Kitchen, vice-presidente de Emergências do IRC.
“O leste da RDC enfrenta este surto mais fragilizado e menos preparado do que durante o de 2018-2020, que matou mais de 2 000 pessoas, e com menos recursos para o combater”, prosseguiu. “O aumento do conflito e os cortes no financiamento da ajuda global desmantelaram as defesas exatamente no pior momento. A lição de todos os surtos anteriores é clara: atrasos custam vidas.”
Na semana passada, três voluntários da Cruz Vermelha na RDC morreram com suspeita de Ébola na província de Ituri, o epicentro do surto no país.
A Cruz Vermelha indicou que se acredita que os voluntários Alikana Udumusi Augustin, Sezabo Katanabo e Ajiko Chandiru Viviane terão contraído o vírus do Ébola durante o manuseamento de cadáveres.
O Ébola é uma doença mortal identificada pela primeira vez em 1976. Os sintomas podem incluir febre, fraqueza, diarreia, vómitos e, por vezes, hemorragias.