Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, já são cinco os animais infestados por uma mosca parasita cujas larvas se alimentam de carne viva
Já foram confirmados cinco casos de bicheira‑do‑Novo‑Mundo em animais nos Estados Unidos, após a primeira infestação sinalizada na semana passada no Texas.
Os animais afetados incluem três vitelos e uma cabra no Texas, bem como um cão no estado vizinho do Novo México.
“Precisamos da colaboração dos proprietários de animais em toda a região; mantenham‑se vigilantes, observem cuidadosamente os vossos animais e comuniquem qualquer situação que vos pareça suspeita. Em conjunto, podemos proteger o nosso gado, as nossas comunidades e a saúde dos animais em todo o país”, afirmou Dudley Hoskins, subsecretário da Agricultura responsável pelos Programas de Comercialização e Regulação.
Mosca da bicheira‑do‑Novo‑Mundo: o que é
A bicheira‑do‑Novo‑Mundo é uma espécie de mosca parasita que completa parte do seu ciclo de vida alimentando‑se de tecidos e carne de animais de sangue quente e de seres humanos.
A fêmea deposita os ovos em feridas abertas ou em membranas mucosas, onde eclodem larvas que consomem o tecido em redor.
Casos de bicheira‑do‑Novo‑Mundo continuam a aumentar
As duas primeiras infestações foram detetadas na semana passada em vitelos separados por poucos quilómetros no sul do Texas. Em todos os casos, as autoridades definiram uma zona de quarentena de 20 quilómetros para tentar travar o avanço do parasita.
O cão no Novo México não tinha viajado para o México nem para o Texas, e as autoridades estão a investigar a área em redor da propriedade onde o animal vivia.
As inspeções a animais na zona irão intensificar‑se se forem encontradas moscas infetadas, adiantou a veterinária estadual do Novo México, Samantha Holeck, numa conferência de imprensa na segunda‑feira.
Cientistas admitem que novos casos possam surgir nos próximos dias e semanas, mas isso não significa que a bicheira‑do‑Novo‑Mundo esteja a espalhar‑se rapidamente, explicou Edward Burgess, entomologista da Universidade da Florida que estuda esta mosca.
“Quando surge o primeiro caso, todos ficam mais atentos e com os olhos focados no problema”, disse Burgess. “E quando se procura algo, é mais provável encontrá‑lo.”
A praga foi durante décadas um problema recorrente para a indústria bovina norte‑americana, com a Florida e o Texas a serem considerados pontos críticos, até que os Estados Unidos a erradicaram em grande medida nas décadas de 1960 e 1970.
Quais são os riscos e sintomas para as pessoas?
As larvas não se transmitem de pessoa para pessoa e representam um risco global muito reduzido para o público.
Segundo as autoridades de saúde dos EUA, as pessoas podem estar em risco se viajarem para zonas onde estas moscas estão presentes e passarem longos períodos ao ar livre durante o dia, sobretudo se dormirem no exterior.
Quem vive, trabalha ou passa muito tempo perto de gado ou de outros animais de sangue quente em áreas afetadas também enfrenta um risco mais elevado.
Os sintomas podem incluir feridas ou úlceras dolorosas sem causa aparente que não cicatrizam, mau cheiro ou hemorragias no local da infestação, bem como a presença de larvas ou sensação de movimento em feridas abertas ou no nariz, boca, olhos, ouvidos ou órgãos genitais.