A depressão sazonal é normalmente associada aos dias frios e escuros de inverno, mas algumas pessoas sofrem dela no verão, devido a ondas de calor e noites tropicais.
Mais de mil milhões de pessoas enfrentam problemas de saúde mental em todo o mundo, uma carga que está a aumentar, sobretudo devido à ansiedade e à depressão.
Um tipo de depressão menos conhecido é a perturbação afetiva sazonal, uma forma distinta de perturbação depressiva caracterizada por um padrão sazonal e que, tal como qualquer outra forma de depressão, constitui uma condição médica grave.
A depressão sazonal é mais frequente no inverno, associada a dias mais escuros e frios e a menos interação social. No entanto, embora poucas pessoas sofram de depressão de verão, esta pode ser tão incapacitante como a mais conhecida depressão de inverno.
Um estudo recente concluiu que a depressão de verão é um subtipo atípico que afeta 0,57% da população mundial, comparando com a de inverno, que atinge 5%.
A condição pode ser desencadeada por ondas de calor e noites tropicais, com sintomas que vão de uma ligeira !melancolia de verão! a quadros depressivos incapacitantes, como insónia, perda de apetite, agitação e ansiedade.
Manter uma rotina, evitar o calor extremo e dar prioridade ao sono pode ajudar a aliviar o desconforto, mas, nos casos mais graves, é aconselhável procurar ajuda médica, segundo Adam Borland, psicólogo clínico na Cleveland Clinic.
Condições de saúde mental em crescimento
Em todo o mundo, o número de pessoas que vivem com uma condição de saúde mental quase duplicou nos últimos 30 anos, sobretudo devido ao aumento dos casos de ansiedade e depressão.
Uma análise recente do novo estudo Global Burden of Disease, publicado na revista The Lancet, concluiu que cerca de 1,2 mil milhões de pessoas, cerca de 15% da população mundial, viviam com uma condição de saúde mental em 2023.
Estes números representam um aumento de 95% nos casos entre 1990 e 2023. No mesmo período, as perturbações mentais subiram no ranking das principais causas de perda de saúde a nível mundial, passando do 12.º para o 5.º lugar.
No caso da perturbação depressiva major e das perturbações de ansiedade, os aumentos são ainda mais acentuados, de 131% e 158%, respetivamente, tornando‑as as duas condições mais comuns.
"Responder às necessidades de saúde mental da nossa população global, especialmente dos mais vulneráveis, é uma obrigação, não uma escolha", escreveram os autores do Global Burden of Disease Study 2023.
Estima‑se que uma em cada seis pessoas, cerca de 140 milhões, viva com uma condição de saúde mental na Região Europeia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, apenas uma em cada três pessoas com depressão na região recebeu os cuidados de que precisava.
Desde a pandemia de COVID‑19, a depressão e a ansiedade entre os jovens aumentaram cerca de 25% e, entre os 15 e os 29 anos, o suicídio é agora a principal causa de morte na região.