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Resposta às vacinas: cientistas dizem que o segredo já pode estar no sangue

Cientistas afirmam que o segredo da resposta às vacinas já está no sangue
Cientistas dizem que a chave da resposta às vacinas já está no sangue Direitos de autor  Cleared/Canva
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De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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Padrões no sangue, detetados antes da vacinação, podem ajudar a prever a intensidade da resposta do sistema imunitário, conclui um novo estudo.

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma às vacinas. As respostas do sistema imunitário variam em intensidade consoante a idade, o sexo, o historial clínico e a genética.

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Num novo estudo, publicado na revista Cell Press Blue (fonte em inglês), investigadores do programa SeroNet do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos analisaram de que forma anticorpos pré-existentes contra microrganismos comuns podem prever a resposta de uma pessoa a novas vacinas.

“Determinados biomarcadores, quando analisados com recurso a IA, permitem prever quem tem maior probabilidade de responder bem a uma vacina, mesmo antes de a receber”, afirmou Joshua LaBaer, que liderou o estudo, sugerindo que algumas pessoas podem estar mais preparadas, do ponto de vista imunitário, do que outras.

A imunossupressão, isto é, ter um sistema imunitário debilitado, está associada a uma resposta de anticorpos mais fraca à vacinação, o que aumenta o risco de infeção, de doença grave e de mortalidade.

Os investigadores concluíram que, antes de receber uma vacina, o sistema imunitário do organismo já dá pistas sobre a forma como irá reagir e sobre quão robusta será essa resposta.

O estudo analisou mais de 8 000 amostras de sangue de mais de 4 000 pessoas, testando a presença de anticorpos contra 185 antigénios de vírus e bactérias comuns, bem como de alvos associados a doenças autoimunes.

Entre os participantes contavam-se voluntários saudáveis e pessoas com o sistema imunitário fragilizado, devido a doenças como VIH, mieloma múltiplo ou transplante de órgãos sólidos, todos vacinados contra a COVID-19.

Os investigadores recorreram depois à inteligência artificial para analisar padrões nas amostras recolhidas antes e depois da vacinação contra a COVID-19, identificando assinaturas de anticorpos que permitiram classificar os participantes como bons ou maus respondedores à vacina.

Identificaram o que designam por “anticorpos sentinela”, que funcionam como indicadores da probabilidade de resposta imunitária de uma pessoa a determinada vacina, ajudando a prever como o organismo irá reagir ao vírus.

“Identificámos assinaturas antimicrobianas universais associadas positivamente aos 25% de participantes com melhor resposta à vacina contra a COVID-19”, referem os investigadores.

O estudo concluiu que níveis mais elevados de certos anticorpos pré-existentes, sobretudo contra organismos comuns como Staphylococcus aureus, o vírus sincicial respiratório (RSV) e o vírus humano da parainfluenza 3 (HPIV-3), estavam associados a respostas mais fortes à vacina contra a COVID-19.

Transformar estratégias de vacinação

Ao recorrer a perfis de anticorpos antimicrobianos pré-existentes como biomarcadores preditivos, os clínicos poderiam identificar, antes da imunização, as pessoas com maior probabilidade de desenvolver uma resposta imunitária fraca.

O estudo aplicou aprendizagem automática para construir modelos preditivos capazes de classificar indivíduos com resposta subótima à vacina.

“Prever que indivíduos irão desenvolver respostas de anticorpos fracas antes da vacinação pode melhorar estratégias de vacinação personalizadas”, escreveram os investigadores.

Isto permitiria intervenções dirigidas, como esquemas de doses ajustados, tipos de vacina diferentes ou doses de reforço adicionais para quem apresenta maior risco.

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